Navios de passageiros são recusados em Veneza

Os navios recusados em Veneza
Os últimos dois anos foram mais que difíceis para a indústria do turismo naval. A pandemia obrigou o setor a desligar as máquinas. Antes disso, milhares de turistas ficaram presos a bordo de navios de passageiros à espera de um porto que aceitasse recebê-los.
O resultado foi a aposentadoria forçada. Cruzeiros italianos, ingleses e norte-americanos fizeram fila para serem desmantelados no estaleiro de Aliaga, na costa da Turquia. E os prejuízos foram bilionários.
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Ainda assim o setor esperava com ansiedade o fim da reclusão. Por isso a decisão foi outro duro golpe.
Segundo o TreeHugger, ‘Os residentes estão felizes porque suas ruas estreitas não ficarão mais entupidas pelos milhares de turistas despejados por apenas algumas horas de cada vez’.
‘Ao contrário da opinião popular, esses visitantes contribuem relativamente pouco para a economia do turismo local’.
Já o New York Times informou que ‘turistas de navios de cruzeiro somam 73% dos visitantes. Porém contribuem com apenas 18% dos dólares do turismo. Já entre os turistas que passam ao menos uma noite em um hotel, a proporção se inverte: eles representam apenas 14% dos visitantes, mas respondem por 48% da atividade econômica ligada ao turismo.
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O New York Times ouviu residentes: “As pessoas são descarregadas como um saco de batatas. Em seguida ficam por aí só algumas horas, compram uma fatia de pizza em seguida vão embora”, disse Silvia Jop que trabalha em eventos culturais. “Se você adicionar isso aos danos ambientais, é um ato de violência contra a cidade.”

Esta mesma realidade pode ser vista no Brasil nas cidades que recebem navios de cruzeiro durante a temporada. Assim é no mundo.
Os problemas dos navios de cruzeiro em Veneza
São vários problemas que, além disso, não se restringem a multidões invadindo os locais de parada ou gastando pouco. Há problemas estruturais em Veneza, uma cidade erguida sobre palafitas ainda no século V.
O TreeHugger confirma: ‘Os ativistas ambientais estão aliviados pelo fato de os navios não continuarem a agitar os cursos d’água e erodir as fundações de edifícios já delicados’.
‘Um estudo de 2019 publicado na Nature, relata o Times, descobriu que as ondas criadas por grandes embarcações poderiam “redistribuir os poluentes industriais já presentes na lagoa”. Outros disseram que essas mesmas ondas abrem enormes buracos no fundo subaquático dos edifícios, desestabilizando-os’.
Inundações em Veneza anabolizadas por dragagens
De acordo com a matéria, aprofundar os canais por meio de dragagens para receber embarcações maiores destrói habitats costeiros e agrava as inundações.
Essa é uma das razões pelas quais Veneza enfrentou, nos últimos anos, inundações severas que alagaram a Praça de São Marcos e outros marcos históricos.
E, para responder a este desafio, desde outubro de 2020, Veneza usa o sistema de comportas móveis MOSE para conter marés altas e reduzir as inundações que ameaçam a cidade.
“No Grandi Navi”, gritam os venezianos
Os protestos aumentaram nas últimas semanas. Especialmente desde que o MSC Orchestra, o primeiro grande navio com 2.500 passageiros desde a pandemia, passou por Veneza em junho.

Dois mil manifestantes aglomeraram-se no entorno do navio. Desse modo, em seus próprios barcos, gritavam agitando placas que diziam “No Grandi Navi” (Nenhum Navio Grande).

Navios de passageiros: nem só Veneza sofre com eles
O Mar Sem Fim já fez inúmeras matérias mostrando problemas destes ‘monstros de ferro’. Pelo tipo de combustível que usam, um óleo pesado, espécie de borra final do processo de refino, a poluição é imensa.
Capitais como Londres também não são amigas dos navios de passageiros. Mais uma vez, pela poluição que provocam quando estão nos portos e que invade a cidade.
Em 2016, por exemplo, o maior navio à época, o Harmony of the Seas, com capacidade para 6.780 passageiros e 2.100 tripulantes, esteve no porto de Londres na viagem inaugural.
Foi o que bastou para The Guardian publicar matéria. O jornal saudava a saída do enorme navio das docas de Southampton…
podemos cheirar, ver, e até sentir o gosto da fumaça expelida
The Guardian reclamava que
às vezes até cinco destes navios atracam naquelas docas. O vento leva a fumaça para o coração da cidade e ninguém monitora a poluição por eles causada
Navios queimam tanto combustível como cidades
Muitos navios jogam lixo no mar
‘Turismo de estilo industrial’
A conclusão do TreeHugger não é das melhores e reflete o que acontece em Veneza quando estes imensos navios aportam, e até mesmo no mar quando navegam. A indústria naval mundial optou pela poluição marinha e consequente acidificação de suas águas.
A zona costeira é frágil por natureza, e o turismo de massa contribui para gerar ainda mais problemas em vez de resolver os existentes.
‘Felizmente, mais viajantes também estão percebendo que o turismo de estilo industrial é uma maneira terrível de viajar por vários motivos’.
‘Não é diferente da agricultura industrial e da moda rápida. Seu objetivo duvidoso é amontoar o máximo de pontos turísticos e países em um cronograma o mais apertado possível, com o mínimo de dinheiro possível’.
‘Sua fixação na conveniência corrói a própria espontaneidade, as conexões humanas e a preservação de pontos significativos que tornam a viagem tão valiosa em primeiro lugar’.
Por último, a International Council on Clean Transportation informa que ‘os navios oceânicos podem contribuir com 17% das emissões de carbono causadas pelo homem até 2050’.
Imagem de abertura: https://www.responsibletravel.com/
Fontes: https://www.treehugger.com/venice-says-no-cruise-ships-5193315; https://www.nytimes.com/2021/07/08/travel/venice-cruise-ships-environment.html.










