Exploração mineral do fundo do mar alarma cientistas

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Exploração mineral do fundo do mar alarma cientistas

Fundo do mar: demanda por produtos alimentícios, de energia e de matérias-primas procedentes do oceano aumentou consideravelmente. Exploração mineral é a nova ameaça (Claire Nouvian e David Shale/AFP)

exploração mineral, imagem do fundo do mar

Cientistas americanos pediram  cooperação internacional para preservar os ecossistemas do fundo do mar, cujas riquezas são cobiçadas pela indústria. A nova ameaça é a exploração mineral.

 Lisa Levin, diretora do Centro de Biodiversidade Marinha e Conservação, do Instituto Scripps de Oceanografia em San Diego, declarou:

Estes ecossistemas cobrem mais da metade da Terra e, levando-se em conta sua importância para a saúde do nosso planeta, é imprescindível preservar sua integridade

E acrescentou:

A industrialização que dominou o século XX em terra se tornou uma realidade nas grandes profundezas marinhas

Aumento da população mundial acirra problemas

Com a duplicação da população mundial nos últimos 50 anos, a demanda por produtos alimentícios, de energia e de matérias-primas procedentes do oceano aumentou. Sobre isso disse a bióloga:

Na medida em que esgotamos as reservas de peixes ao longo da costa, a indústria pesqueira está se voltando para as águas profundas

Além do esgotamento dos recursos pesqueiros, os ecossistemas dos fundos marinhos estão ameaçados pela exploração de minerais. Entre eles  o níquel, o cobalto, o manganês e o cobre, afirmou, destacando que a exploração de combustíveis costuma ser realizada a mais de mil metros de profundidade.

Quadruplicar em 50 anos a demanda de energia se traduziu na instalação de duas mil plataformas de petróleo em alto-mar.

Enormes avanços na robótica

O setor minerador explora as profundezas marinhas em busca de minerais essenciais para a eletrônica – de telefones celulares a baterias para carros híbridos.

Segundo a pesquisadora, “já são vendidas concessões em vastas áreas de grandes profundidades oceânicas”.

Diante desta situação ela pediu “cooperação internacional e a criação de uma entidade capaz de estabelecer  governança para a gestão destes recursos”.

Para a diretora do Laboratório Marinho da Universidade de Duke, Cindy Lee Van Dover,

é imprescindível trabalhar com a indústria e os organismos de governança para implementar regulações ambientais progressivas e apoiadas na ciência antes de empreender estas atividades. Em 100 anos, queremos que se diga que fizemos o que era certo

Exploração mineral marinha deixou de ser ficção

“A exploração mineral dos grandes fundos marinhos não pertence mais à ficção científica. Os recursos de mineração existem… E temos feito avanços significativos na robótica que proporcionam um acesso sem precedentes”.

“Caberia perguntar se o valor do que se extrai é maior do que o dano ao ecossistema”. Este foi o argumento o diretor do programa sobre Políticas Oceânicas e Costeiras da Universidade de Duke.

Outras questões pendentes, segundo o pesquisador, passam por “como reparar os  danos já causados pela pesca de arrasto, a contaminação, e outras atividades”.

“Devemos responder a essas questões científicas antes que se iniciem atividades industriais”. O pesquisador  destacou que os fundos marinhos alojam uma diversidade genética quase infinita. Eles representam uma fonte potencial de novos materiais e medicamentos.

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