Churrasco, paixão nacional e mudanças climáticas

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Churrasco, paixão nacional e mudanças climáticas

A temporada de churrasco chegou. Fui ao meu primeiro churrasco do ano há algumas semanas. Embora eu realmente tenha gostado de algumas cervejas geladas e muita comida deliciosa, não pude deixar de pensar na fumaça que vinha da grelha a carvão de minha amiga. Será que essa fumaça contém altos níveis de gases de efeito estufa? Artigo de Eduardo Garcia para o New York Times.

imagem de churrasco assando na brasa
Imagem, AlexRaths/Getty Images.

Consultor ambiental: grelha, três vezes mais emissões que o cozimento

Para obter informações, entrei em contato com Eric Johnson, consultor ambiental com sede na Suíça. Ele escreveu um estudo comparando as pegadas de carbono das grelhas de carvão e gás. Johnson disse que as grelhas de carvão normalmente geram três vezes mais emissões de gases do efeito estufa do que o gás para o mesmo trabalho de cozimento. “As pessoas tendem a abusar do carvão. Mas quando você usa gás ou propano, liga e desliga a grelha.”

Uma sessão típica de grelhar carvão emite tanto quanto dirigir um carro por cerca de 80 km

Ele descobriu que uma sessão típica de grelhar carvão emite tanto dióxido de carbono quanto dirigir um carro por cerca de 80 km. Isso pode não parecer muito. Mas, considere o fato de que aproximadamente 90 milhões de americanos possuem uma grelha a carvão (E no Brasil, quantas seriam?). “Essas coisas se somam no final”, disse Johnson.

Nem todo carvão vem de fontes renováveis

Dois outros fatores podem agravar a pegada ambiental das churrasqueiras a carvão. Nem todo carvão vem de fontes renováveis. E os aceleradores que costumam ser usados ​​para iniciar o fogo são geralmente feitos a partir de combustíveis fósseis.

imagem de churrasco na brasa
Fumaça do carvão é igual a dióxido de carbono indo pra atmosfera. Imagem, hutterstock / TudoGostoso.

As churrasqueiras elétricas não emitem dióxido de carbono. Mas, como o carvão é queimado para produzir mais de um quarto da energia gerada nos Estados Unidos, Johnson disse que o gás provavelmente seria a opção de churrasco mais sustentável na maioria dos casos.

Churrasco ecologicamente correto

Organizar um churrasco ecologicamente correto é também servir alimentos e bebidas em pratos e xícaras compostáveis ​​ou reutilizáveis, reduzindo o desperdício de alimentos planejando com antecedência e favorecendo os legumes grelhados sobre a carne. Se você não quiser cortar a carne completamente, experimente essas receitas de hambúrguer que misturam carne e cogumelos. “Misturar sua carne com 30 por cento de plantas como cogumelos é uma maneira fácil de satisfazer seus amigos carnívoros. E fazer algo de útil para o planeta”, disse Sujatha Bergen, diretora de campanhas de saúde do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais.

E sobre comer carne, o que dizem os entendidos?

Sobre o consumo de carne, diz The Guardian. “Uma série de pesquisas divulgadas no ano passado revelou o grande impacto que o consumo de carne, especialmente  bovina e suína, tem sobre o meio ambiente, alimentando a mudança climática e poluindo paisagens e cursos de água.”

Carne bovina representa apenas um terço das proteínas que necessitamos

Guardian, “apesar de consumir a grande maioria das terras agrícolas, a carne e os laticínios respondem por apenas 18% de todas as calorias alimentares e por cerca de um terço das proteínas.A poderosa pegada de carne de criação não é apenas ineficiente. O desmatamento para dar lugar à pecuária, juntamente com as emissões de metano das vacas e o uso de fertilizantes, gera mais emissões de gases do efeito estufa que todos os carros, caminhões e aviões do mundo. Práticas de criação de carne correm o risco de extinção em massa de outros animais, além de gerar poluição significativa de córregos, rios e, por fim, do oceano.”

O rebanho bovino e as emissões de dióxido de carbono

Quem explica é o site timeforchange.org. “Uma vaca faz na liberação excedente entre 70 e 120 kg de metano por ano. O metano é um gás de efeito estufa, como o dióxido de carbono (CO2). Mas o efeito negativo do metano  sobre o clima é 23 vezes maior que o efeito do CO2. Portanto, a liberação de cerca de 100 kg de metano por ano para cada vaca é equivalente a cerca de 2.300 kg de CO2 por ano. Em todo o mundo, existem cerca de 1,5 bilhão de vacas e touros. Todos os ruminantes (animais que regurgitam alimentos e re-mastigam)  emitem cerca de dois bilhões de toneladas equivalentes de CO2 por ano. Além disso, a limpeza de florestas tropicais para obter mais terras de pastagem e terras agrícolas é responsável por mais 2,8 bilhões de toneladas métricas de emissão de CO2 por ano! “

Conclusão

A conclusão mais importante para nós é: coma muito menos carne e laticínios. Esta é uma das formas mais eficazes de reduzir a nossa pegada de carbono pessoal. E também reduzir o nosso impacto negativo pessoal no meio ambiente.

Contribuindo com os Oceanos

“À medida que a atmosfera captura mais calor, os oceanos ficam mais quentes. Gases de efeito estufa tiram oxigênio dos oceanos, é o alerta da ONU.”

Fontes – https://www.theguardian.com/environment/2018/dec/21/lifestyle-change-eat-less-meat-climate-change; https://timeforchange.org/are-cows-cause-of-global-warming-meat-methane-CO2; https://www.nytimes.com/2019/06/12/climate/nyt-climate-newsletter-bbq.html.

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20 COMENTÁRIOS

  1. Já que censuraram o meu primeiro comentário, vou tentar este aqui:
    Sobre o aquecimento global, é fato que o clima e stá mudando, não se discute isso. Mas também é fato que no passado houve vários períodos curtos (geologicamente falando) em que a temperatura da terra aumentou e passados poucos séculos tudo volta ao normal. O último período começou por volta do ano 900 e durou cerca de 300 anos. Antes desse houve outro período durante o império romano, por volta do século IV AC que também durou poucos séculos. E antes desse tivemos vários outros.
    A verdade é que ainda não entendemos muito bem o clima do nosso planeta e o período analisado é muito curto para se fazer previsões corretas. A terra tem 4.5 bilhões de anos e os cientistas começaram a estudar o clima e fazer registro das temperaturas não tem 200 anos.
    Quanto dessa mudança climática se deve a ação humana e quanto se deve a causas naturais?
    Niiguém sabe a resposta mas é fato que os cientistas aumentaram, e muito, o alarde para conseguir mais verbas de pesquisa. Vários admitiram isso. É só procurar na Internet.
    Aí vem o pessoal do mimimi falando que churrasco ajuda o efeito estufa?!!?!!!
    É demais. Muito mimimi.

  2. Tipo de matéria inútil e sem fundamento. Como ele chegou aos 80km (50 milhas) rodadas por um carro equivalerem a um churrasco? Qual a conta? Vamos usar o álcool como base de comparação já que até hoje não se sabe direito quanto de vegetais são neccessários para a produção de um litro de combustível. Para rodar 80 KM um carro vai precisar de cerca de 8 litros de álcool (isso se for em estrada) aproximadamente. Para produzir 8 litros de álcool são necessários cerca de 100 kg de cana, ou seja 100 kilos de vegetal. Considerando que 100 kilos de madeira dão cerca de 20 kilos de carvão o cáculo está errado. Quem usa 20 kilos de carvão em um churrasco em casa?
    Também, nos EUA e em muitos estados aqui do Brasil o carvão vegetal é oriundo de florestas plantadas para este fim.
    Vou parar por aqui porque já perdi tempo demais.
    Sugiro que vocês escolham matérias melhores.

  3. É um caso a pensar… se for num quintal cheio de árvores? Diminuir a carne bovina, aumentar os frangos sustentáveis, vegetais, batatas, abobrinhas, etc..

  4. Ridícula essa matéria… o homem cozinha seus alimentos queimando madeira desde o tempo das cavernas. Um dosngrandes problemas de fato são as termoeletricas usadas em sua grande parte pelos países desenvolvidos, como Alemanha por exemplo, que não tem mais florestas e quer dar pitaco aqui no Brasil.

  5. Problematizou até o modo mais antigo da humanidade cozer seus alimentos? Isso afasta a simpatia pelas causas ecológicas, no momento em que ultrapassa o limite do absurdo. Dá para ser “eco” sem ser “chato”, fica a dica….

  6. Este site é desmiolado mesmo: primeiro manda nao consumir peixe e agora nada de carne. Daqui a pouco nada de vegetais e legumes e graos face ao desmatamento, pesticidas, etc, aí comermos o que? Insetos? Talvez pedra. E por último dirá, nada de beber agua pois é fonte esgotável. Deve-se internar urgentemente o editor deste pseudo-site, talvez sem instrução NENHUMA pra falar de tudo isso. O absurdo é que nem com vergonha fica, nem vermelho, sabendo que leitores riem e com mais instrução que ele.

  7. Felipe, o ponto maior do texto não foi sobre o carvão e sim sobre o consumo de carne bovina que vai no churrasco.

    Para contribuir com a minha parte para ajudar o meio ambiente eu reduzi o número de churrascos e carne que eu consumo. Como eu amo carne, eu ainda consumo, mas em bem menos quantidade e opto por gastar mais em carnes de mais qualidade e que o animal foi mais bem tratado.

  8. Sim, o planeta esta aquecendo, sim, nós causamos parte do aquecimento, mas 99,99999% da “culpa” por isso não e do nosso churrasquinho. Esta matéria é um ótimo motivo para afastar das pessoas a consciência ecológica necessária para combater as PRINCIPAIS causas do problema. Só poderia ser mesmo do NYT mesmo, bando de chatos.

  9. Ja está na hora de regulamentar o churrasco:
    1 não pode faltar ceva pro assador
    2 picanha é no ponto
    3 quem assa não lava espeto
    4 pra ter mais vezes churrasco, convêm dividir os custos.
    5 pode falar alto
    6 pode comer muito
    7 pode beber muito
    8 não pode ficar perguntando se já está pronto

  10. No estado de São Paulo 100% do carvão e da lenha para pizza tem origem em floestas plantadas para isso. Carbono quase zero (tem o frete), ecologicamente adequado e geralmente certificado. Podem churrasquear à vontade em todo o estado.

  11. Ainda impressiona a veiculação de artigos e opiniões sobre a pecuária brasileira, baseados em índices médios de emissões de GEE em sistemas europeus e americanos de produção. Um desserviço ao país. Sugiro ao nobre autor que passe a consultar fontes nacionais de pesquisa e desenvolvimento, cujos resultados demonstram que não há a menor correlação entre a realidade deles (e dos índices) com os nossos. Aproveite para se atualizar em termos das inovações que têm permitido produzir pecuária de corte e leite com balanço de carbono positivo. Ou seja, o sistema de produção captura mais carbono que emite. Aguardo um artigo com essa pegada, não com a pegadinha dos índices importados de concorrentes nosso no mercado.
    Sugestão de leitura:
    https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/32934505/pesquisa-demonstra-que-manejo-adequado-de-bovinos-reduz-emissoes-de-metano
    https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/18798638/um-novo-olhar-sobre-as-emissoes-da-pecuaria-brasileira
    https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/896750/estimativas-da-emissao-de-metano-por-bovinos-criados-em-sistema-de-integracao-lavoura-pecuaria-em-sao-carlos-sp
    https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1106167/desempenho-e-emissao-de-metano-enterico-de-bovinos-em-sistemas-integrados-de-producao

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