Cai o desmatamento mas persiste o abandono do litoral
Apesar de raras, algumas boas notícias surgem no cenário do aquecimento do planeta. Dados de 2025 do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais confirmam a queda do desmatamento na Amazônia Legal e no Cerrado. Um editorial da Folha de S.Paulo chama atenção para um ponto essencial. Os números ainda seguem altos. O país precisa avançar além da fiscalização do corte raso. É urgente conter a degradação florestal. Também é preciso destravar projetos ligados à economia sustentável. Em resumo, caio o desmatamento. O litoral, porém, segue abandonado.

O sistema Deter do Inpe
Segundo o jornal, o sistema Deter identifica áreas desmatadas quase em tempo real. O objetivo é avisar rapidamente órgãos de proteção como o Ibama e os governos estaduais.
Já o Prodes cumpre outro papel. Ele produz a estatística oficial ao medir a área de vegetação efetivamente destruída.

Dados do Deter mostram que, em 2025, a área sob alerta de desmatamento na Amazônia chegou a 3.817 km². No Cerrado, o número foi de 5.369 km². Os índices representam queda de 8,7% e 9%, respectivamente, em relação a 2024.
Trata-se do menor indicador da Amazônia desde 2017. No Cerrado, o patamar mais baixo apareceu em 2021.
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Sim, a queda do desmatamento, ainda que os números não sejam os ideais, é um alento especialmente pelo desmonte praticado no Ministério de Meio Ambiente na desastrada gestão de Ricardo Salles, o primeiro ministro de jamais tinha posto os pés na Amazônia até ser alçado ao cargo.
Marina Silva não é uma novata, ocupa o ministério pela segunda vez e soube superar as adversidade e conseguir avanços. Palmas para ela. Contudo, o litoral ainda parece que não faz parte dos planos da ministra. Este site chama atenção para este fato inconcebível desde o primeiros dias deste segundo mandato, em vão. Nem mesmo a COP30 foi capaz de sacudir a poeira e fazer com que a zona costeira tivesse algum apoio.
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‘Um mês e meio antes do início da COP30 não havia menção aos oceanos’
Conforme comentamos, Alexander Turra deu mais pistas sobre a organização da COP30 ao Jornal da USP, que coincidem com as críticas que vimos fazendo à atual ministra de Meio Ambiente e Mudança do Clima.
Turra contou que “O Brasil fez a primeira carta para a COP 30 há um mês e meio, e nessa carta não existia menção ao oceano. A gente fez uma mobilização grande das instituições que participaram do Oceans 20 […] e isso surtiu efeito.”
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Primeira ressaca de 2026 mostra vulnerabilidade do litoralA era dos Beach Clubs e o ocaso do litoralOcupação de dunas cobra alto preço ao litoral do RSSegundo o Jornal da USP, a pressão da sociedade civil levou à publicação da segunda carta, já com um espaço mais destacado para os oceanos. “Ainda não é o que a gente queria, mas já vemos uma porta para aprofundar a temática.”
Para ver como estávamos afinados com relação à agenda ambiental marinha, o Mar Sem Fim e a academia conforme relato de Turra, ainda em setembro 2025 questionamos mais uma vez: Às vésperas da COP30 Brasil acorda para os manguezais?
É um consolo saber que não estamos sozinhos nesta campanha para fazer Marina se dar conta da importância do litoral assolado pela erosão, eventos extremos, e corte sistemático de mangues, restingas além de nivelamento de dunas.
Agenda ambiental marinha segue parada
Como lembramos anteriormente, a atuação de Marina sobre o litoral se resume à visita ao litoral norte de São Paulo durante a tragédia do carnaval de 2023 e à abertura das consultas públicas para a criação do Parque Nacional Marinho do Albardão— cujo processo, vale lembrar, já estava pronto, restando apenas essa etapa final.
Porém, no Brasil, carregamos velhas pendências, como a total ausência de fiscalização ambiental no litoral. Neste exato momento, alguma praia do país certamente está sendo desfigurada pela especulação imobiliária, e nada, absolutamente nada, é feito a respeito. Pior que isso, esta ausência favorece o crime organizado que cada vez mais toma conta do litoral ocupando o vácuo deixado pelo Estado.
A recategorização da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo está parada
Em 1990, o belo arquipélago do Arvoredo, em frente a Florianópolis, virou Reserva Biológica Marinha federal — uma das categorias mais restritivas de unidade de conservação. De uma hora para outra, a população de Santa Catarina perdeu o acesso às ilhas para mergulho e lazer, uma vez que este tipo de UC impede a visitação e o uso turístico.
Logo depois, iniciou-se uma campanha para transformá-la em parque nacional, categoria que mantém a proteção, mas permite visitação pública. Foram décadas de luta até que, em 2021, após 31 anos de ativismo, a agência de notícias da Câmara anunciou que a Comissão de Meio Ambiente aprovou o Projeto de Lei 4198/12, que propõe a mudança da reserva para Parque Nacional Marinho do Arvoredo.
A despeito disso, a recategorização segue dormindo em berço esplêndido.
Aumento da área do Parna de Abrolhos e inclusão do Banco Royal Charlotte
Em 2012, o então governo Lula com Izabella Teixeira ocupando o cargo hoje de Marina, tornou pública uma proposta para ampliação das Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) da região dos Abrolhos, incluindo na área do parque o Banco Royal Charlotte.
Desde que Marina assumiu não se falou mais no assunto.
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Replantio de mangues e restingas é urgente
Enquanto o Brasil segue destruindo restingas e manguezais — ecossistemas-chave para a proteção da costa, sobretudo diante de eventos extremos —, programas internacionais avançam no replantio desses ambientes na Ásia, África, Oceania e nas Américas do Norte e Latina. Sem os serviços ecológicos que oferecem, não existe litoral sustentável.
Essas iniciativas apostam na restauração de ecossistemas costeiros e marinhos para enfrentar as mudanças climáticas. O financiamento vem de fundos ESG e fiduciários. O trabalho conta com apoio da UNESCO e de grandes ONGs internacionais.
O Brasil, no entanto, segue distante dessas iniciativas.
Criação da APA dos Bancos de Noronha e Ceará
Pesquisadores do Cepene/ICMBio e da Universidade Federal de Pernambuco defendem a criação de uma nova unidade de conservação no litoral Nordeste. A Agência Brasil divulgou a proposta em outubro de 2023. Mesmo assim, o ministério ainda não se manifestou.
A área proposta inclui duas cadeias de montes e bancos submersos, formados por antigas atividades vulcânicas no Atlântico. Elas se estendem por cerca de 1,3 mil quilômetros, paralelas às costas do Ceará e do Rio Grande do Norte.
Apenas dois pontos emergem do mar: Fernando de Noronha e o Atol das Rocas. Esse dado reforça a importância da proteção. Ainda assim, a demanda da academia e de ambientalistas segue parada no ministério comandado por Marina Silva.
Pior: nada no horizonte indica que a pasmaceira vai mudar. Marina continua centrada nos biomas terrestres. Quanto ao site, continuaremos a cobrar até o último dia.









