Buraco na camada de ozônio do Ártico, novo recorde

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Buraco na camada de ozônio do Ártico, novo recorde

O Ártico, que há muitos anos sofre as consequências devastadoras do aquecimento global, foi palco de mais um evento extremo no começo de 2020. No final de março, foi observado o surgimento de um enorme buraco na camada de ozônio do Ártico. Fenômeno que se expandiu até alcançar mais de um milhão de quilômetros quadrados. É o maior buraco já registrado na região. O tamanho supera em algumas vezes o da área da Groenlândia. A boa notícia é que ele se fechou no final de abril, segundo o Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, da União Europeia.

infográfico mostra Buraco na camada de ozônio do Ártico

O ozônio é um gás presente na atmosfera. Protege os seres vivos da radiação ultravioleta solar, nociva à saúde. A exposição a essa radiação pode causar câncer de pele. Além de outras doenças e males à vida na Terra. A camada de ozônio está situada entre 10 quilômetros e 50 quilômetros acima do nível do solo. E esse buraco no Ártico, formado distante cerca de 18 quilômetros da superfície terrestre, quer dizer que a camada de ozônio nessa região foi destruída.

Buraco na camada de ozônio do Ártico rivaliza com o da Antártica

Revelado pela revista científica Nature, o tamanho do buraco na camada de ozônio no Ártico é comparado apenas ao da Antártica. Mas, no Ártico, foi considerado um fenômeno raro e menos preocupante do que o buraco no ozônio na Antártica. “Do meu ponto de vista, é a primeira vez que se pode falar de um verdadeiro buraco no ozônio no Ártico”, disse Martin Dameris à Nature. Ele é cientista atmosférico do Centro Aeroespacial Alemão em Oberpfaffenhofen.

Segundo os pesquisadores, o buraco no Ártico não foi causado por gases refrigerantes – esses utilizados em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e aerossóis, os responsáveis pela destruição do ozônio na Antártica. Nem por outras fontes de poluição terrestre. Os responsáveis foram ventos fortes que fluíram do oeste para o Polo Norte. E prenderam “o ar frio dentro de um vórtice polar” – ou seja, um ciclone.

“Havia mais ar frio acima do Ártico do que em qualquer inverno registrado desde 1979.” A afirmação é de Markus Rex, cientista atmosférico do Alfred Wegener Institute em Potsdam, Alemanha. “Nas temperaturas frias, as nuvens de alta altitude se formaram e as reações de destruição do ozônio começaram.”

Na Antártica buraco é mais preocupante

A Nature explica que no rigoroso inverno Antártico, a cada ano, temperaturas geladas permitem que nuvens de alta altitude se formem no Polo Sul. “Produtos químicos, incluindo cloro e bromo, que provêm de (gases) refrigerantes e outras fontes industriais (de poluição), desencadeiam reações nas superfícies das nuvens.” O que faz com que a camada de ozônio seja, literalmente, devorada por essas fontes poluidoras.

Infográfico mostra Buraco na camada de ozônio da antártica
Na Antártica.

“Essas condições são muito mais raras no Ártico, que tem temperaturas mais variáveis”, disse Jens-Uwe Grooß, cientista atmosférico do Centro de Pesquisa Juelich, da Alemanha. Como oscilam muito, tanto para cima como para baixo, as temperaturas acabam protegendo a camada de ozônio no Ártico.

Ozônio no Ártico: perda histórica

Os pesquisadores medem os níveis de ozônio no Ártico com balões meteorológicos, explica a Nature. “No final de março, esses balões mediram uma queda de 90% no ozônio a uma altitude de 18 quilômetros, que fica bem no coração da camada de ozônio. Onde os balões normalmente medem cerca de 3,5 partes por milhão de ozônio, eles registram apenas cerca de 0,3 partes por milhão”, disse Rex. “Isso supera qualquer perda de ozônio que vimos no passado.”

O cientista, contudo, garantiu que o buraco não trouxe danos, uma vez que estava em alta latitude e sobre áreas pouco habitadas. Mas é um fenômeno atmosférico extraordinário que será registrado nos livros de história, segundo a Nature.

A importância do Protocolo de Montreal

“As coisas teriam sido muito piores este ano, se as nações não tivessem se reunido em 1987 para aprovar o Protocolo de Montreal, o tratado internacional que suspende o uso de produtos químicos que destroem a camada de ozônio”, disse Paul Newman à revista. Ele é cientista atmosférico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA (a agência espacial dos Estados Unidos).

“O buraco na camada de ozônio na Antártica está agora a caminho da recuperação – o buraco do ano passado foi o menor já registrado. Mas levará décadas para que os produtos químicos desapareçam completamente da atmosfera.” A expectativa dos especialistas é que a camada de ozônio na Antártica se restabeleça a um padrão anterior ao da década de 1980 apenas por volta de 2050.

Imagem de abertura: https://www.sciencenews.org/

Fontes: https://www.nature.com/articles/d41586-020-00904-w; https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,buraco-recorde-na-camada-de-ozonio-sobre-o-artico-se-fecha,70003287939; https://www.cavasier.com/2020/04/o-maior-buraco-registrado-na-camada-de.html?fbclid=IwAR2Daq6a1WFYfRh7veNX4tAsNLfnncn7_dQWQcqoVqKh7hwCz5Z4odh505Y.

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