Viagem do naufrágio: Tudo azul

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Viagem do naufrágio: Tudo azul – 12/3/2012

Hoje o dia amanheceu bonito, aberto, com muito sol, quase sem nuvens no céu. Azul.

De manhã a temperatura subiu um pouco. Chegou próximo aos 6º C. Agora (19hs) já voltou a cair. Está fazendo 2º C. O mar continua um pouco agitado o que  impede o uso dos aquecedores.

A bordo temos de dois tipos. Para as cabines são aquecedores elétricos, destes com serpentina e água na tubulação. Na sala usamos um aquecedor a gás. Os dois funcionam bem, mas só podem ser usados com boas condições de mar, sem balanços, ou quando estamos ancorados numa baía para passar a noite.

Não é o caso desta travessia que começou na manhã do dia 10, sábado passado. Por causa do jogo do barco estes equipamentos, essenciais para o conforto numa viagem para a Antártica, estão desligados desde a saída.

Mesmo assim passageiros e tripulantes não se deixam abater. Depois de um primeiro dia com algum enjoo, hoje estão todos bem. Os homens se concentram na navegação, fazendo turnos a cada duas horas. As mulheres leem, conversam ou assistem  filmes na sala do barco. Todo mundo encapotado, com gorro e luvas, e super curiosos com a proximidade do continente que logo logo vão descobrir.

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O Mar Sem Fim já cumpriu mais de dois terços da travessia. Do total de 520 milhas até a ilha Melchior, na Península Antártica, 370 ficaram para trás. Faltam 150 milhas, ou cerca de 24 horas se continuarmos a navegar com uma média de seis nós, que é o que fazemos agora.

Lá fora o sudoeste continua na faixa dos 16 nós. As ondas, que vêm da mesma direção, têm entre 2 e 3 metros de altura. Esta força em sentido contrário ao nosso avanço tira velocidade fazendo com que a travessia dure mais tempo.

Não é fácil chegar na Antártica. Se fosse, o lugar já estaria descaracterizado. O prêmio é explorar um continente uma vez e meia o tamanho do Brasil, sem fronteiras, sem poluição, com uma fauna espetacular, selvagem e acessível ao mesmo tempo. E uma geografia de tirar o fôlego. O único continente totalmente dedicado à pesquisa e ao estudo,onde a humanidade consegue conviver em paz apesar das diferenças. Um laboratório vivo espera por nós.

Ao iniciarmos a navegação tínhamos duas opções: chegar via a ilha Deception, uma cratera de vulcão que emerge no meio do mar, ou atravessar direto até a Península Antártica, fundeando em Melchior.

Somos obrigados a escolher a segunda opção. A meteorologia indica que haverá vento forte na área de Deception amanhã, no horário previsto de nossa chegada. Vamos desviar do mau tempo e seguir navegando .

Hoje mais uma vez não tivemos a companhia dos albatrozes, a ave símbolo do Drake, com uma envergadura que supera os 3 metros. Uma pena. Em compensação, quando dormimos atrás do Cabo Horn, antes de iniciarmos a travessia, cruzamos com dezenas delas. Tirei carradas de fotos, algumas sensacionais. Infelizmente não posso mandá-las agora. Do barco só temos condição de passar texto para o site. O telefone satelital utilizado não comporta arquivos pesados, como os que têm fotos atachadas. Elas ficam pra depois da viagem.

É isto por hoje. Amanhã tem mais. Até lá.

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