USP inova na produção de hidrogênio verde a partir do etanol

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USP inova na produção de hidrogênio verde a partir do etanol

Aos 90 anos, a USP se destaca por sua juventude, dinamismo e inovação. Em 2023, anunciou a primeira estação de hidrogênio de etanol do mundo. A planta-piloto, com 425 m², produzirá 4,5 kg de hidrogênio por hora, abastecendo até três ônibus e um veículo, informou o Jornal da USP, em matéria de Erika Yamamoto. A operação começa no segundo semestre de 2024. O hidrogênio, abundante e leve, serve como combustível de foguetes e opção limpa frente ao aquecimento global. O projeto sublinha a posição da USP como líder em educação e pesquisa na América Latina.

ônibus a etanol da USP
Imagem, Reprodução.

O combustível do futuro

O aquecimento global impulsiona a busca por combustíveis limpos e econômicos. O hidrogênio azul, inicialmente favorito, revelou-se inviável devido ao alto custo de produção. Em seguida, o foco se voltou para o hidrogênio verde, considerado a energia limpa do futuro. Nos EUA, bilhões foram investidos no projeto de Joe Biden para apoiá-lo. O Energy Post reportou em dezembro de 2023 que existem cerca de 2.000 projetos de hidrogênio verde, principalmente na Europa e Austrália, com planos de expansão para África, China, Índia, América Latina e EUA.

Enquanto isso, a Iberdrola inaugurou a maior fábrica de hidrogênio verde para uso industrial na Europa, localizada em Puertollano, Espanha. A instalação inclui uma usina solar de 100 MW, armazenamento de bateria de íon de lítio de 20 MWh e um grande sistema de produção de hidrogênio eletrolítico de 20 MW, todos alimentados por energias renováveis. No Brasil, o porto de Pecém no Ceará, o segundo maior do Nordeste, prepara-se desde 2022 para ser um centro de hidrogênio verde, aproveitando o alto potencial eólico e solar da região para desenvolver a produção, armazenamento e transporte do hidrogênio.

Hidrogênio verde a partir do etanol

Segundo o Jornal da USP ‘o hidrogênio produzido na estação vai abastecer os ônibus cedidos pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), que circularão exclusivamente dentro da Cidade Universitária, e também um veículo Mirai, cedido pela Toyota Brasil para testar a performance do hidrogênio’.

Carro a etanol da USP.
Imagem, Reprodução.

O Jornal da USP ouviu o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Marco Antonio Zago. Ele ressaltou que “a ciência tem seu tempo. Esse projeto começou há mais ou menos 10 anos e só agora estão surgindo os primeiros resultados inovadores relevantes. Para dar suporte financeiro a projetos de longo prazo promissores como esse, é fundamental que as agências financiadoras tenham estabilidade ao longo do tempo. Curiosamente, no Brasil, apenas a Fapesp tem essa condição garantida pela legislação e pelo apoio constante do governo do Estado”.

Planta da produção de hidrogênio verde via etanol da USP.
Projeto P&D Ethanol to H2. Ilustração, Jornal da USP.

A estação de abastecimento surge de uma pesquisa do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) da Poli, em colaboração com Shell Brasil, Raízen, Hytron, Senai Cetiqt e Toyota. Julio Cesar, do insideevs.uol.com.br, menciona que esta estação de hidrogênio é fruto de pesquisa, sem fins comerciais, e reúne investimentos acima de R$ 182 milhões.

Como o hidrogênio verde da USP será produzido?

Nossa fonte é novamente o jornal da USP, desta vez em matéria de Sandra Capomaccio. ‘Além de ser economicamente vantajosa, a tecnologia que está em desenvolvimento na USP permite capturar o carbono a partir do etanol, resultando em emissões negativas, principalmente se comparadas com o hidrogênio produzido a partir da energia solar ou a partir da água, como gosta de afirmar Júlio Meneghini, que é diretor do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa aqui na Escola Politécnica da USP’.

Sandra Capomaccio encerra otimista: ‘O projeto tem futuro enorme. Só para dar um exemplo, o carro elétrico da Tesla, que é produzido na Califórnia, carrega cerca de 600 kg de bateria. O equivalente à energia dessas baterias seria apenas 27 kg de etanol. Em outras palavras, se o Brasil conseguir viabilizar esse motor elétrico mais eficiente que o motor de combustão,  sem esse problema do peso,  estaria aberta “uma avenida enorme” para recolocar o País na arena mundial. São conhecidas as rotas que tentam produzir o hidrogênio a partir da água. A Poli quer explorar rotas alternativas a partir do setor sucroalcooleiro brasileiro, que vai levar os veículos a emitirem água’.

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