Ushuaia – São Paulo – Ushuaia.

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Ushuaia – São Paulo – Ushuaia

Esta estranha ponte aérea tem sido minha rotina no atual verão. Levei diversos grupos para cruzeiros de uma semana pelos espetaculares canais da Patagônia.

Mas não quero falar a sobre isto agora. Prometo para breve um relato sobre estas viagens. Hoje quero dividir impressões sobre São Paulo, a cidade onde nasci e cresci.

A última vez que voltei pra São Paulo foi em 25 de fevereiro. Cinco dias depois retornei para minha base desde 2009: Ushuaia, última cidade do finalzinho da América do Sul.

Apenas cinco dias. Era tudo que eu tinha para estar com meu filho José, e minha mãe, antes de partir para mais uma viagem, desta vez mais longa, para a Antártica.

Cinco dias em São Paulo

Cinco dias seriam suficientes se São Paulo não fosse  uma cidade caótica, sem planejamento ou transporte público, com uma rede viária patética pra necessidade da gigantesca frota. Mas como a cidade é o que é…

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Fiz a conta: nestes cinco dias dormi cerca de 40% do tempo. Outros 40% fiquei preso no trânsito. Nos 20% restantes curti a família, minha casa e meu minúsculo jardim transbordando Mata Atlântica. Ele tem orquidário e um comedor para passarinhos, bem no meio, onde se alimentam beija- flores, sabiás, maitacas, sanhaços azuis, bem-te-vis. Uma porção de tipos. Até um tiê-sangue já apareceu na minha janela.

Destaques da mídia

Esparramado num cadeirão, estrategicamente colocado sob aquele verde que ameniza o calor (mais de 30ºC esta semana), xeretei a mídia nos poucos minutos livres que tinha, seco por novidades.

Estupros, assaltos e arrastões se banalizam entre notas que descrevem bestas- feras, incentivadas pela impunidade, “se divertindo”  ateando fogo em moradores de rua.

Mudo. Escolho outro caderno e descubro a Base Ferraz destruída. Justamente ela, orgulho e prova do esforço dos cientistas brasileiros que fazem bonito sem dinheiro ou apoio. O País oficial não dá pelota à pesquisa. Não investe senão migalhas. Ferraz vivia de esmolas. E com pouco fazia muito.

Fazia.

Chateado sapeio outro tema.

“Bispo Marcelo Crivela Ministro da Pesca”, leio nos jornais. Baita susto. Ressaca do Carnaval  ou realidade? Não pode ser. Só se houve um golpe de estado, na minha ausência, com o Tiririca assumindo o poder.

O Ministério da Pesca

“O Brasil não é pra amadores”, já foi dito.

E se supera, acrescento. Inventou até um Ministério da Pesca.

Aleluia, irmão, a Dilmirica botou lá o bispo cupincha do Edir Macedo. Além de reza ele entende de pesca, é isto?

Desta vez sai a reforma aquária do Lula. É só o bispo-ministro repetir o milagre da mutiplicação dos peixes. Alguém avise os caiçaras pra prepararem as redes. (E os dízimos também. Só ganha peixe quem pagar dízimo). Amém.

Brasília me enjoa. É muito cinismo.

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Política em São Paulo

Vamos pra São Paulo, meu estado. Pesquei uma declaração do marido da dona Lu. Esta é a grande obra do governador de São Paulo: ser marido da dona Lu. O homem disse que metrô não é prioritário.

Segurança, tá provado no dia a dia, também não é. Educação nunca foi. Agora o marido da Lu arrota que transporte público também não está na lista. Como se o trânsito em São Paulo, aperitivo do inferno, não fosse o azougue, o desperdício e o transtorno que é.

Só mesmo no país do Macunaíma!

Mudo de novo. Procuro coisa miúda.  O noticiário da cidade traria algum alívio? Uma nova obra, quem sabe, ou algum estudo planejando o futuro.  O que estarão fazendo aqueles glúteos enormes, e moles, que não desgrudam do Kassab?

Não custo a descobrir: arquitetando política partidária em causa própria, como sempre. A cidade? Ora, a cidade…

E a gente ainda paga o salário destes caras. E impostos escorchantes pra morar no local que eles (des)governam. Pobre São Paulo e pobres paulistas.

A impressão, quando volto e revejo a cidade em que cresci, provinciana mas acolhedora, forjada pelo que de melhor deu o Brasil, os Bandeirantes, sendo apequenada por políticos incapazes de administrar, é dolorosa.

São Paulo não merecia esta decadência.

Pior é notar que parte dos paulistas se habituaram a esta nulidade. Ocupados em cumprir suas rotinas, apressados ou focados em suas obrigações, são poucos os que reclamam, exigem, praticando cidadania e defendendo seus direitos.

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O perigo maior é este: se deixar entorpecer pelos exemplos dos homens públicos medíocres que temos, a ponto de não distinguir mais o certo do errado.

Honesto e coerente, na atual fornada de políticos, só Tiririca. Ele nunca escondeu o que é.

Antártica, próxima parada do Mar Sem Fim

Mudando de assunto. A Antártica é a próxima parada do Mar Sem Fim. A partir do dia 6/3 iniciamos esta nova jornada.

Há muito o que fazer nos dias que precedem a partida. Mas fique frio. Eu vou relatar a viagem. A partir do dia 6 de março tudo que acontecer com a gente será destaque neste espaço.

Fique ligado. A Antártica é outro universo. Vamos visitar “a última fronteira”, um continente gigante tomado por gelo, e dedicado integralmente à pesquisa e ao estudo.

O Nirvana existe. Mas tem segredos. Impõe barreiras tão hostis e severas que tipos como o nosso só lá chegaram no século XIX. Até então o continente esteve livre “desta praga” conhecida como ser humano.

O clima é tão hostil que ninguém ousou colonizar. Por isto a Antártica acabou sendo consagrada à ciência.

E é para lá que o Mar Sem Fim vai navegar. Você é nosso convidado.

A partir de 6 de março acompanhe relatos diários da nossa expedição.

Até lá.

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