Ponto Nemo, no Pacífico, é cemitério de naves espaciais

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Ponto Nemo, o mais ermo da Terra, torna-se cemitério de naves espaciais

Já escrevemos aqui sobre o ponto mais ermo da Terra, o Ponto Nemo. Localizado a mais de 1.000 milhas (1.600 km) equidistantes das costas de três ilhas longínquas: a Ilha de Ducie (uma das ilhas de Pitcairn), ao norte; Motu Nui (da cadeia da Ilha de Páscoa), ao nordeste; e Ilha de Maher (ao largo da costa da Antártida), ao sul. Nemo, que significa ‘ninguém’ em Latim, foi uma homenagem ao famoso Capitão Nemo, o marinheiro anti-herói de Júlio Verne. O que não sabíamos é que este ponto isolado foi escolhido para ser o cemitério de naves espaciais.

emitério de naves espaciais
Pedaços de uma nave no Ponto Nemo. Imagem, Bezos Expeditions.

Estação espacial MIR

O Ponto Nemo é o lugar perfeito para despejar naves espaciais mortas ou moribundas, e é por isso que abriga o que a NASA chama de “cemitério de naves espaciais”. O nome técnico desse trecho de água é “ponto de inacessibilidade oceânica” porque fica a cerca de 2.700 km de qualquer terra. Mas é mais comumente conhecido como o cemitério espacial, ou Ponto Nemo.

Ponto Nemo
O Ponto Nemo.

Enterrado sob mais de três quilômetros de água está a estação espacial MIR da era soviética, além de mais de 140 veículos de reabastecimento russos, várias naves de carga da Agência Espacial Europeia e até um foguete SpaceX, de acordo com Smithsonian.com.

Segundo Bill Ailor, engenheiro aeroespacial e especialista em reentrada atmosférica, “É um ótimo lugar onde você pode colocar coisas no chão sem bater em nada.”

Para “enterrar” algo no cemitério, as agências espaciais precisam cronometrar um acidente naquele local. Satélites menores geralmente não terminam no Ponto Nemo, já que, como explica a NASA, “o calor da fricção do ar queima o satélite quando ele cai em direção à Terra a milhares de quilômetros por hora.

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satélite no espaço
Um satélite à solta no espaço. Imagem, www.thevintagenews.com.

A zona de despejo de naves espaciais mortas

Os astronautas que passeiam a bordo da Estação Espacial Internacional vivem mais perto do cemitério de naves espaciais do que qualquer outra pessoa.

Isso ocorre porque a ISS orbita cerca de 360 ​​km acima da Terra – e o Ponto Nemo, quando o laboratório orbital o sobrevoa fica mais perto que as ilhas, muito mais distantes.

Entre 1971 e meados de 2016, agências espaciais de todo o mundo despejaram pelo menos 260 naves espaciais na região, segundo a Popular Science. Essa contagem aumentou significativamente desde o ano de 2015, quando o total era de apenas 161.

Entretanto, essas espaçonaves mortas estão aos pedaços. Ailor explicou que um objeto grande como o Tiangong-1 pode se separar em uma chuva oval de detritos que se estende por 1.600 km (995 milhas) de comprimento e dezenas de milhas de largura.

Milhares de corpos de foguetes descontrolados orbitam a Terra

Segundo os especialistas, existem milhares de corpos de foguetes descontrolados orbitando a Terra, juntamente com mais de 12.000 objetos artificiais maiores que um punho. Para não falar nos inúmeros parafusos, cavilhas, manchas de tinta e pedaços de metal.

“Os países aprenderam ao longo dos anos que, quando criam detritos, apresentam um risco para seus próprios sistemas, assim como para todos os outros”, disse Ailor.

O pior tipo de risco, de acordo com a Agência Espacial Europeia, é quando um pedaço de lixo espacial acidentalmente atinge outro, especialmente se os objetos forem grandes.

Por isso é possível que o cemitério do Ponto Nemo não cresça tanto assim. Os cientistas pressionam para que sejam desenvolvidas novas tecnologias e métodos que possam laçar, ensacar, rebocar e remover o material antigo e descontrolado que já existe e continua a representar uma ameaça.

O problema mundial do lixo

Este é mais um aspecto da superpopulação mundial e o desenvolvimento de tecnologia. O lixo humano já começa a invadir o espaço. Você já parou para pensar quanto lixo cada ser humano produz em media por dia? Vejamos o caso de um país em desenvolvimento, o Brasil, por exemplo.

Segundo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2020, a geração saiu de 66,7 milhões de toneladas em 2010 para 79,1 milhões em 2019, uma diferença de 12,4 milhões de toneladas. O mesmo estudo diz ainda que cada brasileiro produz, em média, 379,2 kg de lixo por ano, o que corresponde a mais de 1 kg por dia.

Imagine, então, a quantidade produzida pelos cidadãos dos países ricos. Isto explica a quantidade de plástico nos oceanos. E, por falar em plásticos, até no Ponto Nemo foram encontrados resíduos do material.

Assista ao vídeo e saiba mais sobre o Ponto Nemo e as naves espaciais

SPACECRAFT CEMETERY || Where The International Space Station Will Die

Imagem de abertura: Bezos Expeditions.

Fontes: https://www.theguardian.com/science/2021/sep/04/thousands-of-kilometres-from-anywhere-lies-point-nemo-a-watery-grave-where-space-stations-go-to-die; https://www.sciencealert.com/spacecraft-graveyard-point-nemo-tiangong-1-ocean-satellites-space-stations-junk-2018; https://www.thevintagenews.com/2021/01/06/point-nemo/?firefox=1.

Porta-helicópteros Atlântico, nau capitânia da Marinha

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