Naufrágios da Segunda Guerra Mundial: maior assalto a túmulos do mundo
Dezenas de naufrágios da Segunda Guerra Mundial, que ainda guardam os restos de milhares de militares britânicos, americanos, australianos, holandeses e japoneses, sofreram saques e mutilações. A denúncia veio do jornal inglês The Guardian.
Segundo o jornal, mergulhadores e equipes de salvamento destruíram partes de até 40 navios. Esses cascos podem conter os restos de cerca de 4.500 tripulantes.


Mais túmulos correm o risco
Governos temem que outros túmulos de guerra tenham o mesmo destino. Centenas de navios, sobretudo japoneses, permanecem no fundo do mar e podem guardar os restos de milhares de tripulantes.
Além disso, os cascos contêm metais valiosos, como cobre e bronze. Os saqueadores também procuram aço fabricado antes dos testes nucleares atmosféricos. Como esse material apresenta níveis muito baixos de contaminação radioativa, fabricantes já o utilizaram em alguns equipamentos científicos e médicos.
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Em 2016, o Guardian revelou o saque de alguns dos mais célebres navios de guerra britânicos. A denúncia provocou revolta entre veteranos e arqueólogos, que cobraram mais ação do governo do Reino Unido.
No mar de Java, saqueadores atingiram os destroços do HMS Exeter, HMS Encounter e HMS Electra. Os três navios afundaram em 1942 e guardavam os restos de mais de 150 marinheiros.
Além disso, em 2014, mergulhadores encontraram sinais de retirada de partes dos naufrágios do HMS Repulse e do HMS Prince of Wales. Juntos, os dois navios se tornaram túmulos de guerra para mais de 800 marinheiros da Royal Navy.
Reino Unido cobra proteção dos naufrágios
O Ministério da Defesa do Reino Unido exigiu que a Indonésia protegesse os navios. Um porta-voz afirmou que os naufrágios militares devem permanecer intactos. Segundo ele, os mortos também precisam descansar em paz.
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Além disso, saqueadores também atingiram o cruzador leve australiano HMAS Perth. Diante disso, Dan Tehan, então ministro australiano para assuntos de veteranos, declarou:
O HMAS Perth é o lugar de descanso final para mais de 350 australianos que perderam a vida defendendo os valores e as liberdades da Austrália, então os relatórios sobre os destroços são profundamente perturbadores e de grande preocupação.
Milhares de marinheiros ainda descansam no fundo do mar. Por isso, veteranos exigem, com razão, que os governos preservem esses naufrágios como sepulturas de guerra.
No Brasil, a Marinha adotou procedimento semelhante após localizar o naufrágio do U-513, submarino alemão, ao largo de Santa Catarina.
Naufrágios da Segunda Guerra Mundial retalhados por ladrões
Grandes guindastes apareceram sobre alguns locais de naufrágio. No fundo do mar, mergulhadores encontraram cascos cortados ao meio. Em alguns casos, os saqueadores removeram quase todo o navio e deixaram apenas a marca do casco no leito marinho.

Uma barcaça para em cima do naufrágio. Mergulhadores descem…
Eles colocam explosivos que destroem os navios, ícones do maior conflito mundial…

E os ladrões recolhem o que resta, sem qualquer respeito pelos mortos. Enquanto cientistas usam a tecnologia para estudar descobertas como navios de Vasco da Gama ou o Palácio de Cleópatra, outros a usam para saquear sítios históricos.
Quase uma década depois das primeiras denúncias, o problema continua. Em 2025, o governo britânico informou ao Parlamento que a Malásia ainda investigava o saque ilegal do HMS Prince of Wales e do HMS Repulse. Além disso, autoridades malaias mantinham sob investigação metais retirados dos naufrágios.
A situação do HMS Prince of Wales tornou-se ainda mais dramática. Segundo o jornal malaio The Star, mergulhadores que acompanham o local afirmaram, em agosto de 2025, que praticamente todo o naufrágio desapareceu do fundo do mar. Já o HMS Repulse ainda conserva parte de sua estrutura.











Ingleses reclamando de profanação? Que tal fazer a parte deles e devolver o que saquearam das colônias em todos os continentes para colocar em um museu e cobrar ingressos. Arrogantes.
Creio que a questão do circo para magnata tem uma vantagem: aumenta a visibilidade do local e com isso cria uma fiscalização mesmo que informal. Os bandidos agem livremente porque provavelmente não estão vendo ou quem deveria ver está sendo pago para não ver.
Sou pragmático, acho um desperdicio nao recuperar materiais valiosos com base apenas em valores meramente religiosos… Quem morreu ja está morto mesmo, nao vai fazer mais nenhuma diferenca. E quem fala em moral, aqui, deve ser entao uma pessoa produndamente contrario aa cremacao, quando o corpo é totalmente destruido e as cinzas, normalmente, dispersas em algum lugar. (Eu, pessoalmente, pretendo ser cremado — as cinzas pode jogar em qualquer lugar –, nao quero ninguem chorando em tumulos ou sendo obrigado a fazer visitas a cemiterios em feriados, so por convencao social…)
É só torpedear uma ou duas barcaças dessas e deixar os F/D.P virarem comida de tubarão que a farra acaba.
Favor corrigir a expressão bronze FOSFORESCENTE para bronze FOSFOROSO no segundo parágrafo.
Não é bem assim, desculpe. Estive em vários naufrágios da 2a. Guerra e ainda há ossos, sim. Além de objetos pessoais. Em muitos destes navios, houve um esforço dos governos para retirar as ossadas e levá-las de volta ao país de origem, mas alguns ficaram. Muitos dos operadores de mergulho entendem os locais como túmulo simbólico, mas nem sempre há o respeito que se esperaria. Outra questão a se considerar é o carater histórico / arqueológico, que se perde neste tipo de exploração descrita na matéria. É um erro irreparável tratar esses naufrágios como lixo, mesmo que fosse uma suposta reciclagem.
Felix tem PhD em oceanologia, sabe do que fala, podem acreditar.