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Dois mil peixes-boi morrem na Flórida

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Dois mil peixes-boi morrem de fome na Flórida em dois anos

Depois de quase 2.000 mortes de peixes-boi nas águas costeiras e interiores da Flórida nos últimos dois anos, uma coalizão de organizações ambientais pediu que a espécie seja reclassificada com urgência como ameaçada de extinção. Segundo o floridainsider.com, o US Fish and Wildlife Service (FWS) cometeu um grave erro em 2017 quando rebaixou o status destes mamíferos.  Os ativistas são liderados pelo Centro sem fins lucrativos para a Diversidade Biológica. Mas, pior é o motivo das mortes: fome. Acontece que o crescimento das cidades, e consequente poluição, se dá no habitat do animal. Na verdade, o que aconteceu na Flórida está acontecendo em todo o mundo.

Peixes-boi.
Imagem, Youtube.

Conheça o manatee ou peixe-boi

Seu habitat preferido são rios rasos e lentos, estuários, baías de água salgada, canais e áreas costeiras. Particularmente onde florescem leitos de gramas marinhas ou vegetação de água doce.

Nos Estados Unidos, eles se concentram na Flórida, no inverno. Nos meses de verão, podem ser vistos no oeste do Texas e no norte de Massachusetts.  Contudo, avistamentos de verão no Alabama, Geórgia e Carolina do Sul são mais comuns.

Também chamados de peixes-boi das Índias Ocidentais, habitam as vias navegáveis ​​costeiras e interiores da América Central, assim como ao longo da costa norte da América do Sul, embora a distribuição nessas áreas possa ser descontínua.

Os sirênios

Os peixes-bois, vacas-marinhas, manatins ou lamantins, constituem uma espécie de mamíferos aquáticos, os sirênios. Têm um grande corpo arredondado, são imensos, mansos, e além disso têm uma cauda peculiar. Navegadores antigos, ao cruzarem com o animal achavam-no tão estranho e fora dos padrões que nasceu o mito da sereia. Daí o nome da espécie, ‘sirênios’.

Um dos problemas para a sua manutenção é a baixa taxa reprodutiva. Em geral, a fêmea tem apenas um filhote, raras vezes, dois, depois de  treze meses de gestação. Apesar de terem poucos predadores, entre eles tubarões, orcas, jacarés e crocodilos, as três espécies são listadas como vulneráveis à extinção.

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No Brasil há duas espécies, os peixes-boi marinhos (Trichechus manatus manatus), e o Trichechus inunguis que vive nos rios da Amazônia. O primeiro é classificado como criticamente ameaçado de extinção, calcula-se que haja menos de 500 na costa brasileira. Já o segundo, aparece como vulnerável à extinção.

As mortes na Flórida

No início de 2022 publicamos o post Peixes-boi da Flórida: mais de mil morrem de fome, quando comentamos o início deste flagelo em 2021, que agora se repete.
Das mil mortes de animais que ocorreram em 2021, 103  estavam relacionadas a colisões com embarcações.
Em 2022 mais 745 mortes foram registradas até 18 de novembro, uma queda de dois anos em números que representam 19% da população do Atlântico e 13% de todos os peixes-boi da Flórida, afirma a aliança.

“Com os peixes-boi da Flórida morrendo às centenas, é dolorosamente claro que a decisão federal de 2017 de reduzir a lista das espécies ameaçadas foi cientificamente infundada”, disse Ragan Whitlock, advogado do Centro de Diversidade Biológica da Flórida.

Agora, diz o floridainsider.com, o FWS tem 90 dias para decidir se é necessário atualizar o status do peixe-boi para ameaçadoSe assim for, tem mais nove meses para concluir uma avaliação da situação dos peixes-boi nos EUA.

Particularmente afetada é a Indian River Lagoon, diz o Guardian, onde a aliança diz que mais da metade dos peixes-boi da Flórida amostrados estão cronicamente expostos ao glifosato, um herbicida potente aplicado à cana-de-açúcar além de ervas daninhas aquáticas.

Dando de comer aos peixes-boi

Segundo o GuardianA escassez de vegetação é tão crítica que as autoridades estão relançando um programa de alimentação introduzido em 2021 que fornece alface em áreas onde os peixes-boi se reúnem. Quando o programa terminou em abril, mais de 91 mil quilos de alface, financiados principalmente por doações públicas, foram distribuídos, com os funcionários da agência dizendo que “funcionou muito bem”.

Com isso  pode-se ver a dificuldade da conservação marinha num mundo cuja população não para de crescer. Não por outro motivo, o site da ONU diz que,  ‘Há cerca de um milhão de espécies em risco de extinção em todo o mundo e esta crise de extinção tem implicações críticas para a humanidade.’

A boa notícia é que 196 países se comprometeram na COP 15 a proteger 30% de todos os ambientes do planeta até 2030.

Assista ao vídeo e conheça mais sobre este simpático e dócil animal

As ilhas e sua importância para a biodiversidade

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