Controle da natalidade e o meio ambiente

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Controle da natalidade e o meio ambiente, está na hora do assunto ser mais abordado

Taí um assunto delicado, pouco abordado pela mídia nacional, e no entanto, tão importante. O Controle da natalidade e o meio ambiente. Dada a dificuldade de mitigação dos problemas provocados pelo aquecimento global por outros métodos; de orçamentos, às vezes tão caros que inviabilizam iniciativas ‘geniais’ que sequer conseguem sair do papel, chega o momento de abordar com seriedade um assunto que passa pela cabeça da maioria das pessoas engajadas na causa ambiental, o controle de natalidade. O assunto é polêmico, um dos primeiros notáveis a abordá-lo, o inesquecível Jacques Cousteau, provou enorme polêmica ao fazê-lo, muitos anos atrás. De lá para cá, os problemas aumentaram, e o tema passou a ser mais abordado na mídia internacional. O Mar Sem Fim fez uma curadoria do tema na net. Apresentamos, a seguir, as teses e ideias que nos pareceram mais relevantes.

imagem de4 milhas de estudantes fazendo prova
Controle da natalidade e o meio ambiente. O grande desafio é como lidar com a superpopulação mundial. Imagem: China Stringer Network/Reuters

‘Precisamos de controle de natalidade, não de geoengenharia’

O título acima é de artigo de Lisa Hymas.  Ela é diretora do programa de clima e energia da Media Matters for America, e a matéria foi  publicada por The Guardian, em 2010. Segundo a autora, “a pílula, preservativos e DIUs são algumas das armas mais eficazes – e baratas – que o mundo tem para combater a mudança climática.” Para Lisa,  “estima-se que 200 milhões de mulheres em todo o mundo não tenham acesso a ferramentas de planejamento familiar. Se o fizessem, 52 milhões de gravidezes indesejadas poderiam ser evitadas todos os anos, de acordo com o Instituto Guttmacher.

E como proceder?

Para a autora, não se trata de trabalhos de governos, ‘coerção ou táticas pesadas”. Para ela, “essas abordagens não são apenas eticamente duvidosas. Elas são totalmente desnecessárias. Nós só precisamos dar a todas as mulheres, em todos os lugares, opções contraceptivas para que possam ter o controle básico sobre quantos filhos terão, e quão próximos, – algo que nós, no mundo desenvolvido, temos como garantido. Se o fizéssemos, muitas mulheres escolheriam por conta própria ter menos filhos ou espaçá-los ainda mais. Não só haveria menos corpos novos em nosso planeta já lotado, mas a vida das mulheres e das crianças seria melhorada.”

ilustração de medidas contraceptuais e as mulheres americanas
Controle da natalidade e o meio ambiente. Ilustração: bedsider.org

‘Tecnologias para lutar contra o aquecimento global já existem’

“Estas tecnologias são  a pílula, o preservativo, o DIU. Nós só precisamos espalhá-los por toda parte. Fornecer contracepção às mulheres que não o têm é uma das formas mais eficazes em termos de custo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Cada US $ 7 gasto em planejamento familiar básico nas próximas quatro décadas reduziria as emissões globais de CO2 em mais de uma tonelada métrica. Enquanto isso, a mesma redução das tecnologias de baixo carbono custaria um mínimo de US $ 32 (segundo estudo da London School of Economics, encomendado pelo Optimum Population Trust). E se você comparar a contracepção aos custos potenciais da geoengenharia, a economia potencial será ainda mais massiva.”

Objeções morais aos planos de usar contraceptivos

A BBC, ícone do jornalismo mundial, abordou a mesma questão do Guardian. E levantou sérias objeções morais aos planos de usar contraceptivos para controlar a população. Uma delas é que a causa real da pobreza e dos danos ao meio ambiente, é o consumo excessivo de poucos e que, se as nações ricas deixassem de consumir muito mais do que seu quinhão de recursos, não haveria necessidade de aplicar injustamente o controle populacional para as nações pobres.”

A era do politicamente correto e seus impedimentos

A BBC diz que a implementação de qualquer programa de contracepção em massa teria de enfrentar uma série de ameaças. O ‘Imperialismo econômico” seria uma delas. “Políticas de países ricos que financiam programas anticoncepcionais no terceiro mundo, ou países ricos exigindo a implementação de programas de controle de natalidade em troca de ajuda financeira seriam quase impossíveis de vingarem. O ‘Imperialismo cultural‘ é igualmente problemático. “Levar o controle de natalidade a uma comunidade que o evitou anteriormente mudará inevitavelmente as relações e a dinâmica de poder dentro dessa comunidade. É importante tomar as devidas precauções para minimizar o impacto da contracepção nas culturas em que é introduzida.” Para a BBC, os defensores dos direitos humanos também tenderiam a não aceitar a ideia: “O controle de natalidade em massa interfere no direito de uma pessoa ter tantos filhos quantos desejar.”

imagem de prédios sugerindo a superpopulação
Controle da natalidade e o meio ambiente. A superpopulação põe o mundo em cheque. E agora? Imagem: renanrosa.files.wordpress.com

Ambos têm razão?

O curioso é que, ao Mar Sem Fim parece que ambos têm razão, o Guardian, e a BBC. Como, então, resolver esta grande charada da nossa época? Quem respondeu foi o www.huffpost, com artigo de Jessica Prois,  “Controle de natalidade voluntário é uma solução  para os problemas da mudança climática que ninguém quer falar.”

A superpopulação e seu impacto sobre o meio ambiente

“Na Etiópia, o ativismo ambiental pode parecer um pouco incomum para alguns. Trabalhadores de saúde são vistos indo de porta em porta entregando panfletos sobre a restauração da floresta do país – e eles podem estar distribuindo preservativos enquanto estão lá. O esforço faz parte da iniciativa do Population Health Environment – Ethiopia Consortium (PHE) para mostrar aos moradores a ligação intratável entre a superpopulação e seu impacto sobre o meio ambiente. A nação experimentou o crescimento populacional e o esgotamento da terra causados ​​pela seca. Mas agora está focada nos esforços de reflorestamento, que também inclui o planejamento familiar.”

40% de gravidezes indesejadas por ano

O acesso ao controle de natalidade voluntário – que normalmente significa pílulas, preservativos e DIUs – para reduzir os 40% de gravidezes não intencionais por ano em todo o mundo reduzirá nossa (humana) pegada de carbono. Um número crescente de países está contribuindo com isso para a mudança climática.” Yetnayet Asfaw, vice-presidente de Estratégia e Impacto da EngenderHealth, grupo guarda-chuva da PHE Etiópia declarou ao Huffpost,

Mais pressão populacional está gerando muita carga sobre o meio ambiente – bem como sobre sistemas de saúde, sistemas educacionais e desemprego

De quem é a culpa, afinal?

Se você acha fácil responder a questão, esqueça. “A realidade é que, embora a maior parte do crescimento populacional mundial ocorra em toda a África e na Índia, os níveis de consumo de energia dos países industrializados têm impacto maior sobre o meio ambiente.”

“Um estudo de 2009 do Estado do Oregon descobriu que uma criança nos EUA emite mais de 160 vezes as emissões de carbono do que a de uma criança de Bangladesh. E nos USA, a redução de gravidezes indesejadas pode reduzir as emissões com margens muito maiores do que esforços como a reciclagem, tornando as casas mais eficientes energeticamente e reduzindo as viagens.”

“Então, por que ninguém quer falar sobre o pedágio da população sobre o meio ambiente, pergunta o Huffpost ?

O tema é uma pedreira. Seria dificílimo que um político só, por mais prestígio que tenha, possa abordá-lo sem levar uma chuva de pedras. O site lembra o que rolou com a mulher de Clinton: “Quando políticos e especialistas falam em planejamento familiar voluntário, eles são chamados de “eugenistas” e “nazistas”. Em 2009, a então secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que deveríamos estar ligando a mudança climática à superpopulação. Ela foi rapidamente ‘fritada’ na mídia.”

Comendo pelas bordas

Bem, se não dá pra começar em esquema massivo, que se ‘coma pelas bordas’. “Bradshaw enfatizou o fato de que dar às mulheres escolhas relacionadas à saúde reprodutiva, à educação e à saída da pobreza é fundamental para qualquer solução – a mudança climática ou não.”Dar às mulheres direitos iguais em termos de salário e tratamento geral nos países em desenvolvimento não é algo que já alcançamos. É uma boa maneira de começar.”

E além de dar às mulheres condições de ensino, e saída da pobreza, há outras medidas possíveis: “O foco deve estar em várias estratégias em massa, incluindo soluções de longo prazo, como a remoção de combustíveis fósseis das redes de eletricidade e transporte, e soluções de curto prazo, como a redução do desperdício e do consumo diário.”

Conclusão sobre o controle da natalidade e o meio ambiente

Para o www.huffpostbrasil.com, “Com uma população global atual de cerca de 7,3 bilhões de pessoas, e projeções do fim do século que atingem até 17 bilhões de pessoas, dependendo das taxas de fecundidade, nenhuma solução pode ser rotulada de mágica.”

O Mar Sem Fim em breve voltará ao tema. E para você, qual seria a solução, ou soluções?

Fontes para Controle da natalidade e o meio ambiente: https://www.theguardian.com/environment/2010/apr/06/geoengineering-carbon-emissions; http://www.bbc.co.uk/ethics/contraception/mass_birth_control_1.shtml; https://www.huffpostbrasil.com/entry/birth-control-climate-change_us_565339cde4b0258edb322194.

Ilustração de abertura: berdsider.org.

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29 COMENTÁRIOS

  1. O controle de natalidade poderia ter minimizado os alagamentos em SP e municípios vizinhos. Acho que a região da Capital e municípios devem totalizar algo como 50 milhões de pessoas ou algo próximo 22,5% da população brasileira. Precisam impedir o fato de que nasce uma criança no Brasil e S. Paulo ganha mais um migrante.

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