Conservação do Cerrado, edital tem inscrições prorrogadas
A Conservação da Natureza no Nordeste Goiano é uma parceria da Fundação Grupo Boticário e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) em busca de propostas de soluções para o desenvolvimento socioeconômico do Cerrado, com base na proteção da biodiversidade. Se você tem algo a oferecer, não perca a oportunidade. A iniciativa destinará soma de até R$ 1 milhão para as melhores propostas. As inscrições seguem até 12 de novembro. Conservação do Cerrado é o tema de hoje.

O bioma Cerrado, algumas informações
A conservação do Cerrado é essencial para proteger o segundo maior bioma da América do Sul. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, ele ocupa 2.036.448 km², cerca de 22% do território nacional. Sua área contínua abrange Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e o Distrito Federal. Além disso, o bioma apresenta encraves no Amapá, em Roraima e no Amazonas.
Virtudes e problemas
A conservação do Cerrado exige urgência. O bioma figura entre os hotspots mundiais de biodiversidade: concentra muitas espécies exclusivas de seu território, mas sofre intensa perda de habitat.
O Cerrado brasileiro se destaca como a savana mais rica do mundo. Abriga 11.627 espécies de plantas nativas que os pesquisadores já catalogaram. Além disso, reúne cerca de 199 espécies de mamíferos e 837 espécies de aves.
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A conservação do Cerrado também tem grande importância social. Povos indígenas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos, babaçueiras e vazanteiros dependem de seus recursos naturais. Além disso, essas populações integram o patrimônio histórico e cultural brasileiro e guardam conhecimentos tradicionais sobre a biodiversidade do bioma
Alteração humana
Ainda segundo o MMA, ‘Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ocupação humana’.
Cerrado abriga nascentes de seis bacias hidrográficas
Uma das mais importantes características do bioma, como lembrou o ex-ministro do Meio Ambiente, Zequinha Sarney, em recente artigo para a Folha de S. Paulo, é o fato de que ‘o Cerrado abriga as nascentes que abastecem seis de nossas oito principais bacias hidrográficas’.
No momento em que o mundo começa a enfrentar cada vez mais secas intensas e prolongadas, fruto dos eventos extremos desencadeados pelo aquecimento global, isso já seria mais que suficiente para preservá-lo com todo o cuidado.
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Segundo o WWF, os garimpos provocaram alguns dos impactos ambientais mais graves da região. Contaminaram rios com mercúrio e causaram o assoreamento dos cursos d’água, com o acúmulo de terra e sedimentos.
A mineração também intensificou a erosão a ponto de, em alguns casos, inviabilizar a própria extração de ouro rio abaixo. Nos últimos anos, porém, a expansão da agricultura e da pecuária passou a representar a maior ameaça à conservação do Cerrado.
E prossegue o WWF: ‘As duas principais ameaças à biodiversidade do Cerrado estão relacionadas a duas atividades econômicas: a monocultura intensiva de grãos e a pecuária extensiva de baixa tecnologia’.
Desmatamento no Cerrado
Segundo a Deutsche Welle, ‘Depois de uma leve queda em 2019, o desmatamento no Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, segue a tendência da Floresta Amazônica e registrou aumento em 2020’.
‘Segundo o monitoramento anual feito pelo sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre agosto de 2019 e julho de 2020 a destruição foi de cerca de 7,3 mil km², um aumento de 12,3% em relação ao mesmo período do ano anterior’.
Entre 1985 e 2020 o Cerrado perdeu 20% da vegetação nativa
Segundo o Poder360, o Cerrado perdeu 26,5 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2020, uma redução de 20%. A agropecuária ocupou 99% dessa área, ampliando a pressão sobre a conservação do Cerrado. Os dados vêm do MapBiomas, que divulgou o levantamento em setembro de 2021.
Conservação do Cerrado: reação da Fundação Grupo Boticário e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG)
Entre as ações para reverter esse quadro, a Fundação Grupo Boticário e a FAPEG uniram forças pela conservação do Cerrado. Não nos cansamos de elogiar a Fundação, que consideramos a mais importante iniciativa empresarial voltada à proteção do meio ambiente.
Para onde mandar sua proposta
Os interessados devem submeter suas propostas para a Fundação Grupo Boticário ou FAPEG, sendo vedada a submissão da mesma solução para ambas as instituições. A participação é gratuita e a inscrição deve ser feita em formulários específicos, disponíveis neste link.
Confira o regulamento completo
Ao final do processo, que seguirá até os primeiros meses de 2022, as melhores soluções poderão receber apoios financeiros para serem alavancadas. Ao todo, serão destinados R$ 1 milhão. Confira o regulamento completo aqui.
A união de forças entre diferentes atores, única solução
Para o presidente da FAPEG, Robson Domingos Vieira, a união entre diferentes atores é essencial à conservação do Cerrado. Por isso, a Fundação Grupo Boticário e a FAPEG buscam projetos que conciliem a proteção da biodiversidade e o desenvolvimento socioeconômico sustentável. Vieira também ressalta que o desmatamento e os grandes incêndios ameaçam constantemente a savana mais rica do planeta.
O Mar Sem Fim aplaude mais esta ação e deseja sorte a você que pretende inscrever sua sugestão!
Imagem de abertura: Fundação Grupo Boticário
Fontes: https://antigo.mma.gov.br/biomas/cerrado.html; https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/biomas/bioma_cerrado/bioma_cerrado_ameacas/; https://www.dw.com/pt-br/desmatamento-no-cerrado-volta-a-crescer-em-2020/a-56016083.