Baleias azuis retornam à costa da Espanha depois de 40 anos
Uma boa notícia de vez em quando é um alívio. E esta merece comemoração: as baleias-azuis voltaram a aparecer na costa da Galícia, no noroeste da Espanha, depois de décadas de ausência. A espécie continua ameaçada de extinção, e a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza a classifica como “Em Perigo”. Sua população ainda está muito abaixo dos níveis anteriores à caça industrial, que dizimou baleias-azuis durante boa parte do século 20. A Comissão Baleeira Internacional proibiu a caça comercial da espécie em 1966. Por isso, cada retorno a áreas onde elas haviam desaparecido representa um sinal importante de recuperação.

Baleias azuis na costa da Galiza depois de 40 anos
Em 2017 houve a primeira aparição de um indivíduo na costa da Galiza, no noroeste da Espanha. No ano seguinte, novo registro. E, em 2020, os dois indivíduos voltaram. E agora, em agosto de 2021, houve novo registro.

O curioso é que elas voltaram à mesma costa atlântica espanhola onde foram dizimadas. Bruno Diaz, biólogo marinho, diretor do Instituto de Pesquisa dos Golfinhos-nariz-de-garrafa, declarou ao jornal The Guardian:
Acredito que a moratória da caça às baleias foi um fator chave. Na década de 1970, pouco antes de a proibição ser introduzida, uma geração inteira de baleias azuis desapareceu. Agora, mais de 40 anos depois, estamos vendo o retorno dos descendentes das poucas que sobreviveram.
Segundo o Guardian, a Galícia teve durante séculos uma importante indústria baleeira, com cerca de uma dúzia de portos dedicados à caça. A Comissão Baleeira Internacional proibiu a caça comercial da baleia azul em 1966. Como a Espanha só entrou para a organização em 1979, baleeiros espanhóis ainda mataram 15 exemplares da espécie em águas ibéricas entre 1966 e 1978.
O fenômeno é mundial. No Brasil, por exemplo, houve um crescimento enorme no número das jubarte e das baleias francas. Hoje o turismo de observação de baleias é uma realidade no país.
O ciclo de vida da baleia Azul
Elas são os maiores animais do planeta, e estão em todos os oceanos exceto o Ártico. Segundo a NOAA, existem cinco subespécies atualmente reconhecidas como baleias azuis.
Sua alimentação é o krill, também ameaçado, filtrando volumes enormes de água. Alguns dos maiores indivíduos podem comer até 6 toneladas de krill por dia.
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Segundo a NOAA, elas nadam a cerca de 8 km/h, mas podem acelerar a mais de 32 km/h em curtas distâncias. E estão entre os animais mais barulhentos do planeta, emitindo uma série de pulsos e gemidos (você pode ouví-los neste link).
Acredita-se que nas condições adequadas os sons emitidos por baleias azuis podem ser ouvidos até 1.600 quilômetros de distância.
Não há certeza sobre sua rota de migração
Em geral a distribuição é impulsionada pela disponibilidade de alimentos. Elas ocorrem em águas com concentração de krill.
No Atlântico Norte seu alcance se estende desde as regiões subtropicais até o Mar da Groenlândia. Baleias azuis foram avistadas nas águas do leste do Canadá e nas plataformas do leste dos Estados Unidos.
No hemisfério sul, as baleias azuis da Antártica escolhem principalmente as águas de latitudes relativamente altas ao sul da “Convergência Antártica” e perto da borda do gelo no verão. Elas geralmente migram para latitudes médias e baixas no inverno, embora nem todas as baleias migrem a cada ano.
O tempo de vida varia entre 80 a 90 anos. A melhor ciência disponível sugere que o período de gestação é de aproximadamente 10 a 12 meses. A idade de maturidade sexual acontece entre 5 a 15 anos. O intervalo médio de partos é provavelmente de 2 a 3 anos.
Entre as maiores ameaças estão os atropelamentos por navios, e a morte por artes de pesca como redes nas quais as baleias costumam ficar presas, morrendo por asfixia.
Baleias azuis na Antártica
Em 2016 tivemos outra boa notícia sobre estes gigantes dos oceanos. Especialistas australianos analisaram o DNA de baleias azuis da região.
Ficou claro que existem três grupos distintos. As baleias azuis se juntam para se alimentarem na Antártica durante os verões, mas são geneticamente distintas, o que significa que se reproduzem em locais diferentes. Possivelmente até em oceanos diferentes.
Hoje, as estimativas globais apontam para cerca de 10 mil a 25 mil baleias-azuis. A espécie continua ameaçada e muito abaixo dos níveis anteriores à caça industrial, mas algumas populações mostram sinais de recuperação.
É por este motivo que mesmo quando três ou quatro indivíduos aparecem em algum lugar já é motivo para ao menos um alento.
Assista ao vídeo e saiba mais
Imagem de abertura: Instituto de Pesquisa do Golfinho-nariz-de-garrafa
Fontes: https://www.theguardian.com/environment/2021/aug/24/blue-whales-returning-to-spains-atlantic-coast-after-40-year-absence; https://www.fisheries.noaa.gov/species/blue-whale.










Ótimas noticias sobre estes animais espetaculares que são as baleias.