Ártico e Antártica atingidos por ondas de calor simultâneas
‘Ambas as regiões polares da Terra experimentaram recentemente ondas de calor simultâneas sem precedentes que fizeram com que as temperaturas disparassem brevemente para alturas nunca antes vistas em algumas áreas. Embora os especialistas digam que temperaturas tão extremas não podem ser atribuídas apenas às mudanças climáticas, o fenômeno incomum é, no entanto, dramático e alarmante’. Este é o primeiro parágrafo de matéria da Live Science de março de 2022. Enquanto a mídia mundial repercute o fenômeno, a mídia tupiniquim parece habitar outro planeta. Quase nenhum dos grandes jornais ou TVs mencionaram o fato. Não à toa, o Brasil e suas cidades estão totalmente despreparados, à mercê deste novo normal. Ártico e Antártica atingidos por ondas de calor simultâneas.

Ambos os polos são atingidos por ondas de calor simultâneas
O físico, chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP, e membro do IPCC, Paulo Artaxo se manifestou nas redes sociais: “Clima doido demais: ondas de calor simultâneas no Ártico e Antártica, colocando o sistema climático em alarme… temperaturas de 30 graus celsius acima da média nos dois polos no nosso planeta: Sinal de alarme, para quem quiser escutar…”

Mas nossos gestores políticos, prefeitos e governadores, embalados na alienação da mídia, não querem escutar. Assim, temos encontro marcado com a tragédia em todos os verões, como aconteceu agora e mais uma vez, com Petrópolis, devastada por novo evento extremo.
A alienação dos gestores políticos custou a vida de mais 233 pessoas. Até quando?
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Marcelo Vianna: icônica Baía de GuanabaraDNA ambiental revela vida marinha no sul da BahiaEstadão e engorda de praia: apologia da especulação imobiliáriaDe acordo com a Associated Press, AP, na Antártica, a temperatura média foi 4,8 graus Celsius mais quente que a média. Já no Ártico, a temperatura média no mesmo dia foi de 3,3º C acima do normal, e em certas áreas perto do Polo Norte as temperaturas subiram 30º C acima do normal.
Já se sabe até mesmo que o degelo do permafrost do Ártico está contaminando rios! Portanto, trata-se de uma situação crítica.
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Muito incomum
É muito incomum ver altas temperaturas em ambas as regiões polares ao mesmo tempo porque elas têm estações contrastantes. À medida que a primavera chega ao Hemisfério Norte, o Ártico está apenas começando a derreter, enquanto a Antártida está começando a congelar após meses de derretimento do verão.
“Você não vê os polos norte e sul derretendo ao mesmo tempo”, disse Walt Meier, pesquisador sênior do National Snow and Ice Data Center em Boulder, Colorado, à AP. “É definitivamente uma ocorrência incomum.”
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Gráfico e ártico e as explicações do National Snow and Ice Data Center em Boulder
Em 25 de fevereiro de 2022, o gelo marinho do Ártico provavelmente atingiu sua extensão máxima para o ano, em 14,88 milhões de quilômetros quadrados (5,75 milhões de milhas quadradas), a décima menor extensão no registro de satélite.
Ondas de calor surpreendentes
O jornal inglês The Guardian também repercutiu o fenômeno: ‘Ondas de calor surpreendentes em ambos os polos da Terra estão causando alarme entre os cientistas do clima, que alertaram que os eventos “sem precedentes” podem sinalizar um colapso climático mais rápido e abrupto’.
E prosseguiu: ‘As temperaturas na Antártida atingiram níveis recordes no fim de semana, surpreendentes 40°C acima do normal em alguns lugares’.
Sinais de derretimento no polo Norte
‘Ao mesmo tempo, estações meteorológicas próximas ao polo norte também mostraram sinais de derretimento, com algumas temperaturas 30°C acima do normal, atingindo níveis normalmente alcançados muito mais tarde no ano’.
O rápido aumento das temperaturas nos polos é um aviso de perturbação nos sistemas climáticos da Terra. No ano passado, no primeiro capítulo de uma revisão abrangente da ciência climática, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas alertou para sinais de aquecimento sem precedentes que já estão ocorrendo, resultando em algumas mudanças – como o derretimento polar – que podem se tornar rapidamente irreversíveis.

Para o Guardian, ‘O perigo é duplo: as ondas de calor nos polos são um forte sinal dos danos que a humanidade está causando ao clima; e o derretimento também pode desencadear mais mudanças em cascata que acelerarão o colapso climático’.
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Michael Mann, diretor do Centro de Ciências do Sistema Terrestre da Universidade Estadual da Pensilvânia, disse que o clima extremo registrado estava excedendo as previsões de forma preocupante.
“O aquecimento do Ártico e da Antártida é motivo de preocupação, e o aumento de eventos climáticos extremos – dos quais estes são um exemplo – também é motivo de preocupação”, disse ele. “Os modelos fizeram um bom trabalho projetando o aquecimento geral, mas argumentamos que eventos extremos estão excedendo as projeções dos modelos. Esses eventos mostram a urgência da ação.”
Recorde histórico na Antártica
A Associated Press informou que uma estação meteorológica na Antártida bateu seu recorde histórico em 15°C.
Outra estação costeira, acostumada a congelamentos profundos nesta época do ano, ficou 7°C acima do ponto de congelamento.
No Ártico, a situação também assustou. Algumas regiões registraram temperaturas 30°C acima da média.
James Hansen, ex-cientista-chefe da NASA, falou ao Guardian. Ele foi um dos primeiros cientistas a alertar governos sobre o aquecimento global, há mais de três décadas.
Segundo Hansen, o aquecimento dos polos é preocupante. Ele disse que o gelo marinho do Ártico poderia encolher o bastante para quebrar o recorde de menor extensão em uma década.
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“A espessura média do gelo marinho está diminuindo. Por isso, o Ártico está pronto para uma grande perda de gelo”, alertou.
Hansen explicou o efeito em cadeia. A perda de gelo marinho amplia o desequilíbrio energético da Terra. Os gases de efeito estufa reduzem a saída de calor para o espaço. Com isso, o planeta retém mais energia e aquece.
O Guardian fechou com o ponto central: a redução do gelo marinho piora o desequilíbrio energético do planeta. Isso acontece porque o oceano escuro reflete menos luz solar que o gelo.

Gráfico Antártica e as explicações do National Snow and Ice Data Center em Boulder
Conforme observado em nosso post anterior, no Hemisfério Sul, o gelo marinho atingiu sua extensão mínima recorde para o ano no mesmo dia, 25 de fevereiro. Pela primeira vez no registro de satélite, que começou em 1979, a extensão caiu abaixo de 2 milhões de quilômetros quadrados para 1,92 milhões de quilômetros quadrados.
Entenda o aquecimento do planeta, assista ao vídeo da National Geographic
Imagem de abertura: archipeldessciences.files.wordpress.com.
Fontes: https://www.livescience.com/arctic-and-antarctica-simultaneous-heatwaves; https://www.theguardian.com/environment/2022/mar/20/heatwaves-at-both-of-earth-poles-alarm-climate-scientists; https://nsidc.org/arcticseaicenews/2022/03/arctic-sea-ice-max-tenth-lowest/.









