Água contaminada no mar, Japão insiste na estratégia

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Água contaminada no mar, Japão insiste na estratégia

O dia 11 de março de 2011 não será esquecido tão cedo no Japão e no mundo. Depois de um terremoto de grande magnitude, 9 graus na escala Richter, parte do litoral do país foi  alagado por um tsunami com ondas de mais de dez metros de altura. Várias cidades costeiras da região nordeste foram inundadas, incluindo Fukushima local escolhido para a construção da Central Nuclear Fukushima Daiichi, operada pela Tepco, subsidiária da General Electric. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, esse foi o pior terremoto do Japão. E o quarto pior já registrado no mundo. Os acidentes deixaram mais de 15,8 mil mortos, 2,5 mil pessoas desaparecidas e mais de 6 mil feridos. Água contaminada no mar, Japão insiste na estratégia.

imagem de Taques de magia contimandê da usina nuclear de Fukushima
Os tanques estarão cheios em 2022. E agora?

Água contaminada no mar, Japão insiste na estratégia

O poder avassalador do tsunami derreteu três dos seis reatores da Central Nuclear Fukushima Daiichi. Passado o caos, a contagem de mortos, e o inicio da reconstrução de Fukushima, começaram as especulações. O que fazer com a água contaminada por radiação?

infográfico mostra efeitos do tsunami no Japão
Os efeitos no Japão. Ilustração, www.bbc.com.

A discussão prossegue até hoje, e assusta a comunidade científica, ambientalistas, e especialmente os pescadores locais. Desde o início o país considerou que a forma mais barata de se livrar do entulho seria despejando-o no mar. Passados nove anos do acidente, o assunto volta à tona quando ‘o Japão decidiu liberar no mar mais de 1 milhão de toneladas de água contaminada da usina nuclear’, segundo matéria do jornal The Guardian.

Segundo o Guardian, ‘pescadores locais afirmam que a mudança destruirá sua indústria da pesca’.

Água armazenada em mais de 1.000 tanques

‘A água, que está armazenada em mais de 1.000 tanques, começará a ser liberada em 2022’. O jornal explica que entre as possibilidades foram consideradas a evaporação ou a construção de mais tanques em outros locais. ‘O governo, no entanto, há muito indica que prefere a opção de liberá-la no Pacífico’.

Uma decisão final deve sair nas próximas semanas. A preocupação não é apenas dos pescadores nativos, mas dos países próximos. ‘A vizinha Coreia do Sul, que ainda proíbe as importações de frutos do mar da região, expressou preocupação repetidamente, alegando que o despejo da água representava uma “grave ameaça” para o meio ambiente marinho.’

Relembre como foi o desastre de Fukushima.

170 toneladas de água contaminada por dia

‘Em setembro, 1,23 milhão de toneladas de água, que fica contaminada ao se misturar com a água usada para evitar o derretimento dos três núcleos danificados do reator, estavam  armazenadas em 1.044 tanques, com a quantidade de água residual aumentando em 170 toneladas por dia’, informa o Guardian.

‘O Advanced Liquid Processing System da Tepco remove substâncias altamente radioativas da água, mas o sistema é incapaz de filtrar o trítio, um isótopo radioativo de hidrogênio que as usinas nucleares diluem e despejam rotineiramente junto com a água no oceano’.

‘Os especialistas dizem que o trítio, um isótopo radioativo do hidrogênio, só é prejudicial aos humanos em doses muito grandes, enquanto a Agência Internacional de Energia Atômica afirma que é possível diluir a água residual filtrada com a água do mar antes de ser lançada no oceano’.

Mas segundo o jornal Yomiuri Shimbun, ‘A água de Fukushima Daiichi será diluída dentro da planta antes de ser liberada para ficar 40 vezes menos concentrada, com todo o processo demorando 30 anos’.

O assunto tomou as manchetes da mídia mundial. BBC, Reuters, Financial Times, e outros gigantes abordaram o assunto.

Tokyo Electric se desculpou

A agência de notícias Reuters disse que ‘Em 2018, a Tokyo Electric se desculpou depois de admitir que seus sistemas de filtragem não haviam removido todo o material perigoso da água.  E informou que planeja remover todas as partículas radioativas da água. Exceto o trítio, um isótopo de hidrogênio que é difícil de separar e considerado relativamente inofensivo’.

‘Em abril, uma equipe enviada pela Agência Internacional de Energia Atômica para revisar os problemas de contaminação disse que as opções para descarte delineadas por um comitê consultivo no Japão – liberação de vapor e descargas no mar – eram ambas tecnicamente viáveis. A AIEA disse que ambas foram usadas para operar usinas nucleares’.

BBC diz que trítio representa risco baixo para a saúde humana e animal

A rede inglesa diz que ‘alguns cientistas dizem que a água se diluiria rapidamente na vastidão do Oceano Pacífico, e que o trítio representa um risco baixo para a saúde humana e animal’.

Mas a pressão interna e externa é grande. Talvez por isso o governo japonês esteja testando a opinião púbica antes de uma decisão definitiva. Segundo a BBC, ‘o ministro da indústria do Japão, Hiroshi Kajiyama, disse que ainda não havia decisão sobre o descarte da água, mas que o governo planejava tomar uma em breve’.

Imagem de abertura: Reuters

Fontes: https://www.theguardian.com/world/2020/oct/16/japan-to-release-1m-tonnes-of-contaminated-fukushima-water-into-the-sea?fbclid=IwAR1xzkLMsFB8bklAlg-GkSCdcj8Ox1B_hmMJbc-QpVo3jVYvKbkHajUgIBQ; https://www.bbc.com/news/world-asia-54566978; https://www.reuters.com/article/us-japan-disaster-water-idUSKBN27037O.

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