Espécies invasoras: coral sol no litoral do País

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Espécies invasoras: coral sol no litoral do País

O coral-sol, originário dos oceanos Índico e Pacífico, continua avançando pela costa brasileira. A espécie invasora já ocupa ilhas, costões rochosos, portos e estruturas marítimas do Sul ao Nordeste, onde disputa espaço com organismos nativos e altera os ecossistemas marinhos.

O Brasil registrou o coral-sol pela primeira vez na década de 1980, incrustado em plataformas de petróleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. No entanto, pesquisadores só reconheceram o primeiro foco em ambiente natural em 1998, num costão rochoso de Arraial do Cabo.

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Um projeto desenvolvido no Litoral de Santa Catarina estuda o impacto do coral-sol, natural dos Oceanos Índico e Pacífico, que se alastra no litoral do Sul, Sudeste e Nordeste.

Depois disso, novos focos surgiram no Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia e outros pontos do litoral. Levantamentos oficiais também registram a espécie em áreas do Ceará e de Sergipe, o que confirma sua expansão por boa parte da costa brasileira.

Monitoramento e controle em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a UFSC e o ICMBio desenvolvem desde 2022 um plano de prevenção e controle do coral-sol na Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e áreas próximas. A iniciativa nasceu como medida de mitigação ligada ao licenciamento da exploração de petróleo no Campo de Baúna, na Bacia de Santos.

Até 2026, as equipes haviam realizado 114 mergulhos e percorrido cerca de 65 quilômetros de costões rochosos. O levantamento orientou as ações de manejo nas áreas mais afetadas.

Além da retirada manual, o projeto desenvolveu um martelete pneumático para remover as colônias e uma escova elétrica para limpar os restos presos às rochas. Os pesquisadores também testaram dispositivos com luz ultravioleta.

Saiba mais sobre o coral-sol

O coral-sol pertence ao grupo dos cnidários, o mesmo das águas-vivas e anêmonas. Ele pode reproduzir-se tanto de forma sexuada como assexuada. Também regenera fragmentos deixados nas rochas, característica que favorece sua rápida expansão e dificulta o controle.

Ao ocupar os costões, o invasor disputa espaço com corais, esponjas e outros organismos nativos. Estudos e órgãos ambientais também apontam alterações nas comunidades marinhas e risco de perda de biodiversidade nas áreas infestadas. Portanto, a invasão pode afetar habitats importantes para diversas espécies.

As duas espécies de coral-sol encontradas no Brasil são Tubastraea coccinea e Tubastraea tagusensis.

Capacidade de reprodução impressionante

O coral-sol combina reprodução sexuada e assexuada. Suas larvas conseguem fixar-se em rochas, cascos, plataformas e outras estruturas submersas. Além disso, fragmentos deixados durante uma retirada malfeita podem regenerar-se e formar novas colônias. Essa capacidade ajuda a explicar sua rápida expansão e dificulta o controle.

O Brasil registrou o gênero pela primeira vez na década de 1980, em uma plataforma de petróleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Já o primeiro registro conhecido num costão natural ocorreu em 1998, em Arraial do Cabo. O naufrágio Cavo Artemidi, em Salvador, tornou-se depois um dos locais ocupados pelo invasor, mas não representa sua primeira ocorrência no País.

Presença do coral-sol no Brasil

O coral-sol já se espalhou por ambientes naturais e estruturas artificiais de diferentes regiões da costa brasileira. Há registros em ilhas e costões de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, além de ocorrências ligadas a plataformas de petróleo em Sergipe e a estruturas marítimas no Ceará.

Entre as áreas mais conhecidas estão a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, o Arquipélago de Alcatrazes, Ilhabela, a Laje de Santos, Arraial do Cabo, as Ilhas Cagarras e a Baía de Todos-os-Santos. Em alguns locais, aparecem focos isolados. Em outros, o invasor já ocupa extensos trechos dos costões.

Diante desse avanço, pesquisadores buscam métodos mais eficientes de controle. O Mar Sem Fim já mostrou a pasta desenvolvida por estudantes de São Sebastião para eliminar as colônias sem arrancá-las das rochas. Mais recentemente, uma nova técnica passou a usar jatos de ar comprimido para destruir o tecido vivo do coral-sol no próprio local.

Espécies invasoras mais nocivas no mar brasileiro

Um dos casos mais emblemáticos no Brasil aconteceu no Rio Grande do Sul com a invasão do mexilhão-dourado que entrou na bacia do Prata via água de lastro em 1988.

Hoje o mexilhão já infesta rios no Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. Em 2014, ele chegou aos rios de São Paulo e Minas Gerais e causou novos prejuízos à Usina do Rio Grande. Mais recentemente, apareceu no rio São Francisco, onde já se instalou.

Além do coral-sol, o mexilhão-verde e o peixe-leão, todos estão se proliferando em detrimento da fauna nativa. também avançam pelo litoral brasileiro, ocupam o espaço de espécies nativas e desequilibram os ecossistemas marinhos.

Você sabia que aos poucos o crime organizado se infiltra e toma conta de grande parte de nosso litoral?

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