Expedição Vitória-Trindade revela recifes e peixes raros

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Expedição Vitória-Trindade revela recifes e peixes raros

O Mar Sem Fim já mostrou que o arquipélago de Trindade e Martim Vaz é a grande joia do litoral brasileiro. Ainda assim, esta joia segue pouco estudada. Para começar a tirar esse atraso, o ICMBio promoveu uma nova expedição Vitória-Trindade. Nós contamos  o início da missão e destacamos o uso, pela primeira vez, de ROVs, veículos operados remotamente, além de outros equipamentos de mergulho profundo. Agora surgem os primeiros resultados preliminares. E eles indicam que esta porção remota do Atlântico Sul talvez seja ainda mais rica do que se supunha.

Imagem submarina da Expedição Vitória-Trindade
Imagem, Carmina Renones.

Saiba o que a expedição já trouxe à superfície

Os primeiros resultados da expedição Vitória-Trindade já chamam atenção. Ao todo, os pesquisadores recolheram mais de 200 amostras biológicas. Entre elas, 155 amostras de corais, de 12 espécies, e 67 amostras de peixes, de 29 espécies. Além disso, as imagens feitas com ROV registraram 62 espécies. Para uma área tão remota e pouco estudada, o resultado inicial já mostra a riqueza extraordinária desta joia do mar brasileiro.

Navio DRS DeepSea
O DRS DeepSea.

Em 20 dias de trabalho, a 2.ª Expedição Científica à Cadeia Submarina Vitória-Trindade avançou sobre uma das áreas menos conhecidas do mar brasileiro. A missão foi feita a bordo do navio DRS DeepSea, embarcação de apoio usada nas operações no mar profundo e cedida para a pesquisa. Além disso, as coletas ocorreram tanto em recifes rasos quanto em áreas profundas, de até 200 metros. Assim, a missão alcançou faixas do oceano ainda pouco exploradas pela ciência.

Os achados mais importantes da expedição Vitória-Trindade

As descobertas mais interessantes vieram das áreas mais profundas. Segundo o ICMBio, a expedição Vitória-Trindade registrou ambientes recifais de alta diversidade no Monte Columbia e documentou a biodiversidade recifal em profundidades de até 200 metros. Além disso, os pesquisadores apontaram três possíveis novas espécies de peixes. Por enquanto, porém, o mais correto é tratar esses exemplares como material ainda em análise.

Referência gráfica do Monte Columbia, na Cadeia Vitória-Trindade
Esta é uma referência gráfica do Monte Columbia, feita por IA.

Segundo os especialistas, Marina Corrêa, Mauro Maida e Leonardo Tortoriello Messias, montes submarinos podem concentrar até 41 vezes mais tubarões do que áreas oceânicas abertas e abrigam uma diversidade extraordinária de espécies, muitas delas ameaçadas de extinção. Ainda assim, menos de 1% desses ecossistemas conta com proteção efetiva. Em outras palavras, a maior parte segue sem proteção, sobretudo em águas internacionais (O ECO).

Pesquisadores da Expedição Vitória-Trindade.
Pesquisadores da Expedição Vitória-Trindade. Imagem, Carmina Renones.

Ainda segundo os especialistas, esse quadro pode começar a mudar. Durante a Plenária de Negociação da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP 15 da CMS), o governo brasileiro reconheceu a importância ecológica dos montes submarinos como habitats críticos para espécies migratórias e peças-chave da conectividade entre oceanos.

Como a expedição Vitória-Trindade trabalhou

Para alcançar essas áreas remotas, a equipe combinou mergulhos técnicos, censos visuais e o uso dos veículos operados remotamente. Assim, os pesquisadores puderam observar e registrar tanto recifes rasos quanto áreas mais profundas, ampliando o alcance da pesquisa numa faixa do oceano ainda pouco estudada.

Ilha da Trindade e navio da Expedição Vitória-Trindade.
Ilha da Trindade e o navio da expedição, quase sumido na imensidão. Imagem, Carmina Renones.

Segundo Hudson Pinheiro, do CEBIMar-USP e coordenador científico da expedição, os resultados mais notáveis incluem o registro inédito de ambientes recifais de alta diversidade no Monte Columbia, a documentação da biodiversidade recifal até 200 metros de profundidade e o achado de três possíveis novas espécies de peixes.

Por enquanto, não há notícia de uma nova expedição já marcada. O passo seguinte deve ser o trabalho em laboratório, com a análise das mais de 200 amostras recolhidas e a verificação dos exemplares que podem representar novas espécies. Em outras palavras, a viagem terminou, mas a pesquisa propriamente dita está apenas começando.

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