Nova estação científica no arquipélago de São Pedro e São Paulo
No meio do Atlântico Equatorial, a mais de mil quilômetros do litoral brasileiro, São Pedro e São Paulo emergem do mar devido ao afastamento das placas tectônicas ligado à Cadeia Mesoatlântica, ocorrido há milhões de anos. Durante décadas, muitos os chamaram de penedos, ou rochedos, de São Pedro e São Paulo. A geopolítica mudou essa leitura e consolidou o reconhecimento como arquipélago já que, ao fazê-lo, garante ao Brasil a extensão de sua Zona Econômica Exclusiva ou a “Amazônia Azul”. Trata-se da única localidade oceânica conhecida onde o manto abissal aparece in situ acima do nível do mar. As rochas, intensamente fraturadas, indicam forte atividade tectônica que segue ativa até hoje. Por esses motivos, o Brasil mantém ali uma base de estudos desde 1998. Em breve, o país vai instalar uma nova estação científica no arquipélago. E esta é uma boa notícia!

Por que arquipélago e não mais Penedos São Pedro e São Paulo?
A mudança de “penedos” ou “rochedos” para Arquipélago de São Pedro e São Paulo teve objetivo claro. O Brasil buscou fortalecer sua soberania no Atlântico Equatorial.

A nova denominação também garantiu direitos econômicos sobre a Zona Econômica Exclusiva de cerca de 450 mil km² ao redor das ilhas. Esses direitos seguem a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar.

O termo “arquipélago” valoriza a área do ponto de vista científico e estratégico. Ele comprova ocupação humana contínua por meio da estação científica inaugurada em 1998. Esse fator diferencia o local de simples rochedos inabitáveis.
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Grilagem avança no entorno da APA Baleia-SahyGrupo pede apoio para salvar arquivo caiçara de IlhabelaIndígenas do Brasil, pioneiros, já caçavam baleias há 5.000 anosAinda no início de 2025, o Brasil alcançou novo avanço ligado à exploração de petróleo. Desde 2017, o país, ciente das riquezas do subsolo marinho, pediu a ampliação da plataforma continental da costa norte e obteve aprovação. Com isso, o poço A-84 da Margem Equatorial passou a integrar a Zona Econômica Exclusiva brasileira. Com estes avanços o País tem hoje a décima segunda maior ZEE do mundo.
Obra terá recursos de compensação ambiental
Em 08 de dezembro, o navio patrulha oceânico Araguari chegou ao arquipélago de São Pedro e São Paulo com a tripulação responsável pela primeira etapa de montagem de uma nova estação científica no local.
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O local abriga pesquisadores brasileiros e estrangeiros para estudos. Ainda em 2018 uma expedição patrocinada pelo Woods Hole Oceanographic Institution explorou as águas profundas ao largo. Entre os pesquisadores estava Diva Amon, bióloga do Museu de História Natural de Londres, interessada em saber se ambientes quimiossintéticos da região poderiam sustentar formas de vida maiores, como caranguejos ou camarões.
Segundo informa a Marinha do Brasil, esta será a terceira estação instalada no arquipélago de São Pedro e São Paulo. O ICMBio coordena o projeto em parceria com a Marinha do Brasil, por meio da Secirm. Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo desenvolvem os estudos. A Fundação Espírito-santense de Tecnologia apoia a iniciativa.
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Com um investimento superior a R$ 7 milhões, a nova estrutura foi projetada pela UFES com materiais de alta resistência à corrosão e sistema de encaixe, visando suportar as condições extremas de mar revolto, ventos fortes e abalos sísmicos da região.
O Laboratório de Planejamento de Projetos da Universidade Federal do Espírito Santo desenvolveu o projeto da nova estação.
A professora doutora Cristina Engel coordenou o trabalho. Ela também liderou os projetos das estações implantadas em 1998 e 2008.
A equipe técnica dedicou mais de um ano a estudos específicos. O grupo adaptou a estrutura às condições ambientais extremas do arquipélago.
O novo projeto traz mudanças relevantes.Os projetistas substituíram a madeira por materiais mais leves e altamente resistentes à corrosão. Essa escolha vale tanto para as paredes da estação quanto para a passarela de acesso ao farol.
Há tempos este site cobra de Marina Silva a ampliação das eareas protegidas no litoral e mar brasileiros, em vão. Ao menos o ICMBio tem mantido e modernizado as que temos. Já é alguma coisa.









