Um resort em Ilhabela para chamar de seu na praia da Serraria
Antonio Colucci, prefeito de Ilhabela pela terceira vez, não desiste. Desde a primeira eleição ele ameaça Ilhabela com um resort. No inicio, quando a informação circulou, o local escolhido seria a praia de Castelhanos, semi-intocada, e reduto de um grupo de famílias caiçaras que há gerações ocupam o local. Além disso, a área faz parte da Resex de Castelhanos, criada em 2020 exatamente para trazer mais segurança jurídica aos caiçaras. Mas Colucci, que não conhece o significado da expressão “overtourism”, continua a insistir. Ele quer porque quer. Agora, avança em seu desejo: um resort em Ilhabela para chamar de seu.
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Praia da Serraria
A paisagem dela ainda não foi comprometida pelo concreto armado. Serraria fica do lado de fora da ilha, assim como Castelhanos, praia Mansa, Estácio e praia da Caveira, entre outras. Todas até hoje poupadas do flagelo da especulação. Agora, uma delas está em risco em razão de um prefeito ignorante, com vasta ficha processual, e declarado inimigo do meio ambiente ao ponto de sugerir à população que arranque o jundu (tipo de vegetação de restinga que protege a costa contra erosão) já que ele mesmo não poderia.
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Colucci admitiu que já responde a um processo por ter mandado seus funcionários arrancarem a vegetação de jundu da Praia do Perequê. Então, em evento público e gravado, bradou aos participantes: “Tira lá. Cada um vai lá e puxa um pezinho, puxa um pé, porque eu não posso fazer isso, você acredita que eu não posso?”
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Desapropriação de terreno na praia da Serraria
Avançando em sua obsessão, em 27 de dezembro de 2023, o prefeito desapropriou um imóvel de 898.000 m2 na praia da Serraria, alegando ser aquela área ‘de utilidade pública’. O decreto, de número 10.202, diz que ‘será destinado à Criação de Área de Compensação de Reserva Ambiental’.
Quando aconteceu a desapropriação e a declaração de que a área seria de ‘utilidade pública’ ninguém entendeu. Utilidade pública para quem ou o quê? Pouco depois vieram à tona as informações do resort…Mas um resort em área de utilidade pública, como assim?
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
Colucci não se envergonha, em março de 2023 recebeu denúncia sobre dispensa de licitação para obra de desassoreamento do córrego da Água Branca, com um custo superior a R$ 13 milhões de reais. Há, igualmente, suspeita de superfaturamento.
Ele também já tentou mudar o zoneamento de praias, entre elas as do Bonete, Castelhanos e Jabaquara, todas redutos caiçaras, para transformá-las em zonas urbanas, o que permitiria a construção de casas, hotéis, condomínios e resorts. Não conseguiu, para cada nova tentativa há a repercussão imediata.
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Por ser assim por natureza, ele fez o que fez em 27 de dezembro. Ou seja, ao mesmo tempo em que decreta um imóvel ‘área de utilidade pública’, imediatamente a desapropria. Além disso, o decreto mente ao afirmar que a área seria destinada à ‘Criação de Área de Compensação de Reserva Ambiental’.
Em seguida, o prefeito fez as malas para uma viagem a Lisboa.
Em Lisboa para vender a Serraria
Março de 2024, alguns veículos, como o Mercado de Eventos, publicaram a informação que confirma o que dissemos: ‘Durante a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), o prefeito da cidade, Antônio Luiz Colucci anunciou um projeto de captação de uma bandeira hoteleira internacional, cujo objetivo é implementar um resort ecológico em uma área de 800mil m². O plano está em fase de prospecção da empresa, um dos motivos que justifica a vinda do destino para a feira em Portugal’.

E prossegue a mesma fonte: ‘O prefeito anunciou ainda, que para liberar a área, estabelecida na praia da Serraria, foi necessário o investimento de R$ 7 milhões no processo de desapropriação.
Projeto prevê uma concessão por 30 anos
“O projeto prevê uma concessão por 30 anos. Temos já conversado com o Grupo Pestana e a Rede Vila Galé, aqui na BTL, além de outras empresas estadunidenses e europeias”, afirmou Colucci.
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A área para a implementação do novo hotel já está escolhida: Segundo o Melhores Destinos. “Desapropriamos uma área de 800 mil m² na praia da Serraria e estamos negociando com grupos hoteleiros internacionais”, comentou o prefeito à rádio Ilhabela FM, segundo o site Notícias da Praia. “Para a comunidade da praia da Serraria será uma ótima oportunidade. Vamos fazer o assentamento dos moradores e garantir que o projeto beneficie os moradores do local”, disse.
As cerca de 25 famílias caiçaras que moram em Serraria há gerações que se preparem para a possível nova companhia, caso o Ministério Público não proíba mais este delírio do prefeito. Tudo que Ilhabela não precisa é de mais hotéis. Já há uma infinidade de pousadas e hotéis para todos os gostos. O que falta à ilha é colocar ordem na ocupação desordenada, mais infraestrutura como saneamento e que tais, maior atenção ao ensino público de péssima qualidade, melhorias para o bairro Alto da Barra, o bairro dos mais pobres que os turistas nem sempre veem, mas que estão lá, nos morros apinhados de casas, umas em cima das outras. Infelizmente, melhorar a qualidade de vida da população parece não estar no radar do prefeito.

As ‘obras’ de Antonio Colucci
Ele já fez coisas piores, por exemplo, doou um milhão para uma escola de samba quando a cidade não tinha sequer saneamento. Ou ameaçou a beleza natural da ilha com obras faraônicas e de mau gosto, como um mirante previsto para um dos lugares mais bonitos da região. Entretanto, a ‘excentricidade’ que queria construir como mirante foi suspensa pela Justiça.
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Num de seus mandatos, cismou de construir um teatro. Feita a licitação, começaram as obras. Acontece que para sobrar algum tutu do investimento, usaram um cimento tão vagabundo, que a obra foi embargada, está condenada. Mas seu esqueleto continua lá, na única avenida, ou estrada, que liga o norte ao sul da ilha principal.
Ele faz coisas estranhas com o dinheiro de nossos impostos e royalties do petróleo. Pagar obras que não foram feitas é uma delas, como conta o ex-secretário de Meio Ambiente, Xico Graziano, cujo depoimento você pode ouvir aqui (no final do post).
Em 2020, de acordo com o g1,”Toninho Colucci e a esposa Lúcia Colucci foram sentenciados a cumprir penas em regime semiaberto, a perda de cargos públicos e ressarcimento de R$ 156 mil aos cofres públicos’.
Prefeito quer entupir Ilhabela de gente
O superadensamento já existe em Ilhabela a ponto de, em férias ou feriados, você não conseguir se locomover. Se estiver no sul e precisar ir para o norte, parare-se para congestionamentos monstruosos. A especulação não poupa os morros da ilha, na parte que está fora do parque. Aos poucos cada centímetro vai sendo ocupado sem que a infraestrutura cresça apesar de Ilhabela ser a mais rica estância balneária da costa paulista.
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Ao mesmo tempo que cativa mais pessoas a investirem num turismo que já deixa sua marca descaracterizando a paisagem, permitindo o superadensamento e a falta de ordenamento, Colucci não deixa de investir contra os mais fracos.
Resex de Castalhanos, a proteção que faltava contra um resort
De tantas ameaças sobre um resort nos Castelhanos, na gestão anterior à de Colucci, a então prefeita criou por decreto a Resex de Castelhanos, para dar um pouco mais de segurança jurídica para os caiçaras ameaçados de despejo. Assim que assumiu, Colucci tentou revogar o decreto da criação na surdina. Ele enviou projeto de lei em regime de urgência à Câmara extinguindo a RESEX de Castelhanos.
Foi preciso que o Ministério Público Federal/SP, comprasse a briga e entrasse na polêmica. Assim, O MP-SP emitiu um documento assinado pelo Promotor de Justiça Marcelo Oliveira Dos Santos Neve; pela Procuradora da República, Maria Rezende Capucci; pelo Promotor de Justiça, Cauã Nogueira de Araújo e, finalmente, pelo Promotor de Justiça do GAEMA/LN, Tadeu Salgado Yvahy Junior, ‘em 16 de agosto de 2022, às 16h27, o Chefe do Poder Executivo Municipal apresentou à Câmara legislativa projeto de lei para revogar a criação da RESEX solicitando tramitação em regime de urgência.’
Os que assinaram a peça endereçada ao Procurador-Geral de Justiça do Ministério Público, Dr. Mário Luiz Sarrubbo, disseram ainda que o projeto de lei foi enviado ‘sem qualquer procedimento administrativo, estudo técnico, discussão pública ou parecer das procuradorias…’
Ao fim e ao cabo, a Resex dos Castelhanos acabou por ser confirmada. Assim, sem a possibilidade de erguer um resort onde sempre quis, Colucci comete outra afronta ao desapropriar uma área que não era de ‘utilidade pública’, e a oferece para megas-empresas de turismo em seguida.
Aguardamos que o MP-SP entre em mais esta disputa, e impeça mais um disparate de Antônio Colucci (PL).
Atualização em 23 de março
Segundo o Metrópoles, ‘O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a possível instalação de um empreendimento hoteleiro na praia da Serraria, em Ilhabela, no litoral paulista.
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O Inquérito começa desse modo: ‘O Ministério Público Federal (MPF) cobrou esclarecimentos do prefeito de Ilhabela (SP), Antônio Luiz Colucci, sobre a possível instalação de um empreendimento hoteleiro na praia da Serraria, onde existe uma comunidade caiçara. Surpresos com a notícia do projeto, moradores locais protocolaram uma representação no MPF, que instaurou um inquérito civil para investigar o assunto’. O Ofício é assinado pela Procuradora da República, Walquiria Imamura Picoli.
Ficamos felizes pela rapidez do MPF, e já nos tranquilizamos quanto ao novo delírio do alcaide. o mesmo tempo, a sociedade agiu rápido. Já temos até um abaixo-assinado rodando nas redes sociais contra a maracutaia de Colucci: Resort em Território Tradicional NÃO!!! A SERRARIA é Território Caiçara! (Caso queira assinar, clique no link).
Não temos dúvida que esta pendenga vai assinalar mais uma derrota na contestada vida política de Antônio Colucci.