Surf e ameaça aos corais do Taiti: polêmica dos Jogos Olímpicos de Paris

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Surf e ameaça aos corais do Taiti: polêmica dos Jogos Olímpicos de Paris

Tony Estanguet, chefe do comitê organizador de Paris-2024, propôs organizar o evento de surf no Taiti, o que gerou polêmica. Em 15 de outubro, centenas de pessoas fizeram uma marcha pacífica perto da aldeia de Teahupo’o, local que sediará as provas de surf durante os próximos Jogos Olímpicos. Associações e moradores protestam contra a construção de uma torre de alumínio para juízes na água. Eles temem que isso prejudique os corais do Taiti. O surfista nativo Matahi Drollet, em vídeo nas redes sociais, disse que, nos eventos anuais da World Surf League em Teahupo’o, usa-se uma torre de madeira desmontável. A nova torre proposta tem 14 metros de altura e requereria 20 fundações sobre os corais.

Torre de surf que ameaça os corais do Taiti.
De acordo com o Basta.Media esta é a ilustração da polêmica torre a ser instalada em águas de Teahupo’o.

As ameaças mundiais aos corais

Os corais são o ecossistema mais ameaçado pelo aquecimento global. Eles são essenciais, abrigando 25% de todas as espécies marinhas. O comitê dos jogos de Paris propôs uma “torre de alumínio”. O custo chega a 4,4 milhões de euros, segundo o site www.leparisien.fr.

Em razão desta ameaça, a World Surf League e a Coral Gardeners juntaram-se justamente para restaurar os recifes de coral de Teahupo’o. A pequena aldeia na ilha do Tahiti, dizem os organizadores, ‘é protegida por uma barreira de corais que não só cria ondas de surf e ondas de classe mundial, mas também fornece à comunidade local comida e um modo de vida, no entanto, este ecossistema de recife está agora ameaçado pelas mudanças climáticas e requer ação imediata’.

A permanência da torre após os jogos

Porém, o problema maior do que o custo é a permanência da torre após os jogos, preocupando os moradores. O projeto prevê uma torre de 14 metros de altura, com três andares. Ela incluirá uma sala técnica com ar condicionado para servidores de Internet, alimentados por um cabo submarino, e banheiros ligados a um sistema de evacuação.

O vídeo do surfista Matahi Drollet está causando sensação no Instagram. Nele, Drollet sugere que os contrários assinem um abaixo-assinado que já tem 170 mil assinaturas. “Nós, abaixo assinados, residentes e visitantes de Teahupo’o e Māòhi nui, pedimos ao Governo do País que renuncie à nova Torre de Arbitragem das Olimpíadas de 2024, à perfuração da plataforma, e propomos a utilização da habitual torre de madeira para o competição de surf das Olimpíadas de 2024.”

Matahi Drollet alerta que “Só porque querem ar condicionado, banheiros, esta nova construção está prestes a destruir boa parte do recife. Os riscos são simples e graves: a destruição do recife e um impacto negativo no ecossistema que pode perturbar toda a vida marinha e espalhar o que chamamos de ciguatera (uma doença que contamina os peixes)”.

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O que dizem as autoridades

O site www.leparisien.fr informa que a comissão organizadora dos Jogos defende a necessidade da nova torre por motivos de segurança. A instalação será no mesmo local da anterior, com altura similar (13,98 m contra 13,51 m).

Surf em Teahupo'o, Taiti
Surfando em Teahupo’o. Imagem, wikipedia.

Além disso, a fonte indica que Paris 2024 conduziu um estudo de impacto ambiental. Eles enviaram um resumo e recomendações do estudo para as associações envolvidas.

‘A torre da discórdia’

O Le Monde destacou a polêmica, chamando-a de “torre da discórdia”. Uma torre de alumínio para juízes olímpicos e câmeras, com alicerces no coral, enfrenta oposição no Taiti. Ambientalistas, surfistas e pescadores são contrários à torre para os Jogos Olímpicos de Paris 2024.

Até o mês passado (outubro), os opositores estavam calados. Moradores de Teahupo’o, no sul de Taiarapu, se preocuparam quando Paris 2024 escolheu sua onda famosa.

Em 8 de novembro, o www.huffingtonpost.fr  reportou que a instalação controversa da torre para juízes de surf pode ser cancelada. O governo do Taiti sugere outro local, menos afetado pela infraestrutura.

Protestos na mídia internacional

Os protestos dos nativos de Teahupo’o tiveram adesão internacional. Uma das mais respeitadas publicações sobre o surf, a Surfer Magazine, diz que ‘A torre de julgamento olímpica proposta no recife em Teahupo’o continua a atrair protestos muito merecidos de surfistas nativos, preocupados que a estrutura afete negativamente o recife intocado que há no local. Isso significa que o tomador de decisão olímpico precisa ouvir o apelo, ouça as pessoas, e não faça isso.”

O Guardian publicou a matéria Towering inferno: Olympics organisers stick to Tahiti site amid coral reef fears destacando que ‘A idílica vila do lado da lagoa há muito tempo organiza alguns dos melhores concursos da turnê do campeonato profissional da World Surf League (WSL), usando uma modesta torre de madeira para juízes no recife que é desmontada após cada evento’.

‘O Paris 2024, que destacou sua ambição de minimizar os impactos ambientais dos Jogos, planeja gastar quase US$ 5 milhões para construir uma torre muito maior com banheiros, ar-condicionado e espaço para 40 pessoas que, segundo a organização, é necessário para atender aos padrões de segurança’.

Assista ao vídeo de Matahi Drollet

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