Sons de recifes saudáveis ajudam a recuperar corais degradados

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Sons de recifes saudáveis ajudam a recuperar corais degradados

Sons de recifes saudáveis podem trazer vida de volta a áreas degradadas. A ideia parece estranha à primeira vista. No entanto, já tem base científica e agora inspira um projeto em recifes da Jamaica.

Instalando caixas de som próximas a corais para torná-los saudáveis
O enriquecimento acústico pode ajudar recifes em perigo. Com alto-falantes subaquáticos, pesquisadores transmitiram sons de um recife saudável em uma área degradada. O resultado chamou atenção: as larvas de coral se fixaram no local em taxas muito mais altas. Imagem: Dan Mele, Woods Hole Oceanographic Institution.

Segundo o Guardian, mergulhadores instalaram alto-falantes à prova d’água no fundo do mar para tocar sons gravados em recifes saudáveis. O objetivo é atrair peixes e outros organismos para áreas empobrecidas, onde o silêncio passou a denunciar a morte do ecossistema.

Um recife saudável não é silencioso. Ele produz uma mistura de sons de camarões, peixes e correntes. Já um recife degradado perde parte dessa paisagem sonora. E isso importa, porque peixes jovens usam sinais sonoros para encontrar um lugar onde viver. Em outras palavras, os sons de um recife saudável podem ser usados para incentivar larvas de corais a recolonizar recifes danificados ou degradados.

No estudo citado pela reportagem, pesquisadores testaram o chamado enriquecimento acústico na Grande Barreira de Corais. Durante seis semanas, tocaram sons de recifes saudáveis em áreas degradadas. O resultado impressionou: os recifes com som tiveram o dobro de peixes e 50% mais riqueza de espécies.

Desde 1950, o mundo perdeu metade dos recifes de coral

Os recifes cobrem apenas 1% do fundo do oceano. Mesmo assim, sustentam cerca de 25% da vida marinha. Também ajudam a garantir alimento para milhões de pessoas e funcionam como barreiras naturais contra tempestades. Mas, devido ao aquecimento dos oceanos, o processo de branqueamento está degradados os corais mundo afora, inclusive no Brasil.

Pesquisadores mergulham em corais da Jamaica.
Pesquisadores trabalhando em corais da Jamaica. Imagem, Dan Mele, Woods Hole Oceanographic Institution.

Segundo a ABC News, pesquisadores da Woods Hole Oceanographic Institution gravam sons submarinos em recifes de coral do Caribe há quase dez anos. Segundo Nadège Aoki, bióloga marinha da instituição e autora do estudo, os recifes mais saudáveis têm comunidades de peixes mais diversas. Além disso, apresentam paisagens sonoras mais complexas.

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Em seus primeiros dias de vida, as larvas de coral tomam uma decisão permanente de onde se estabelecerão e se metamorfosearão em adultos – nadando ou à deriva com as correntes em um esforço para buscar as condições certas para se estabelecer. Os sons do recife são importantes pistas de assentamento.

As larvas de coral têm formato oval e tamanho parecido ao de um grão de arroz. Elas também têm cílios, pequenos pelos que ajudam no deslocamento. Segundo Aoki, os cientistas acreditam que essas estruturas podem captar vibrações sonoras pela epiderme.

Ainda assim, o mecanismo exato permanece desconhecido. Ou seja, os pesquisadores já observaram a resposta das larvas ao som. Mas ainda não sabem como os corais “ouvem” essas paisagens submarinas.

Declínio alarmante dos recifes de coral

Segundo Aoki, os pesquisadores iniciaram o estudo diante do declínio alarmante dos recifes de coral. Os resultados indicam que o enriquecimento acústico pode virar uma nova ferramenta de restauração.

A técnica também pode funcionar em viveiros de corais em terra e em áreas costeiras. Além disso, os alto-falantes subaquáticos conseguem transmitir sons por grandes distâncias. Isso aumenta o potencial de uso em projetos de recuperação de recifes degradados.

Sons de recifes saudáveis, uma nova ferramenta

O enriquecimento acústico através de gravações de sons de recifes saudáveis abre uma possibilidade promissora para recifes degradados. A técnica pode atrair peixes, estimular larvas de coral e acelerar parte da recuperação. Além disso, tem baixo impacto quando comparada a obras caras e invasivas.

Mas ela não resolve a crise. Sem reduzir o aquecimento do mar, a poluição, a pesca excessiva e a destruição costeira, os recifes continuarão em risco. O som pode ajudar a trazer vida de volta. Porém, não substitui a proteção do ecossistema.

A novidade, portanto, merece atenção. Pela primeira vez, cientistas mostram que a paisagem sonora de um recife saudável pode servir como aliada na restauração. Em um oceano cada vez mais quente e silencioso, ouvir o mar talvez ajude a reconstruir parte do que perdemos.

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