Preparação final da viagem do naufrágio do Mar Sem Fim

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Preparação final da viagem do naufrágio do Mar Sem Fim

Compras, compras e mais compras, essa é a preparação final da viagem do naufrágio do Mar Sem Fim. Há dias não faço outra coisa. Apesar de já ter repetido esta faina um milhão de vezes ainda fico assustado com a quantidade de itens que um barco é capaz de abrigar.

imagem do mar sem fim
Preparação final da viagem do naufrágio do Mar Sem Fim

Agora é esperar por uma janela de tempo

Mas acabou. Agora é esperar por uma janela de tempo para atravessarmos o Drake em segurança. A bordo somos nove pessoas: Alonso e Manoel, marinheiros. Pedrão Camargo, skipper, os casais Nick Moraes Barros e Sandra, e Sérgio Moraes Barros e Helô, minha prima Marina Mesquita, e eu.

É com mais uma viagem à Antártica que inicio minha despedida desta temporada de quase três anos nos confins da América do Sul.

O Mar Sem Fim está baseado em Ushuaia desde o final de 2009

O Mar Sem Fim está baseado em Ushuaia desde o final de 2009, quando vim fazer uma série de 5 documentários para a TV Bandeirantes. Depois de terminado o trabalho resolvi explorar a Patagônia com o barco. Estes canais, adjacentes ao Estreito de Magalhães e ao canal de Beagle, povoavam minha imaginação faz tempo.

Ushuaia

Desde criança eu ouvia falar de sua beleza. Cercados pelos picos nevados dos Andes, com pequenas e abrigadas baías, geleiras milenares, e profundos fiordes, eles formam um ecossistema singular. O clima hostil retardou a colonização, que só começou no final do século XIX.  A região toda foi muito pouco modificada pela mão humana. Permanece quase igual ao que Darwin conheceu na famosa viagem a bordo do Beagle nos idos de 1831.

Mais acima de Ushuaia a cidade chilena de Punta Arenas, às margens do Estreito de Magalhães, ainda teve algum movimento de navios até o início do século XX, quando o Canal do Panamá foi aberto. Depois disto voltou a estagnar.

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Aqui a agricultura e a pecuária não prosperaram. O frio é intenso, os ventos fortes, e chove muito pouco. Sem criação de animais, ou plantações, o ser humano não teve como se fixar. Foi a sorte que teve a região. Ela permaneceu autêntica até hoje.

Naveguei por aqui um bom par de milhas durante este período

Naveguei por aqui um bom par de milhas durante este período. Conheci lugares incríveis, passei por diversas situações diferentes, algumas difíceis do ponto de vista náutico, e aprendi um bocado. Agora está na hora de voltar ao Brasil.

Antes queria muito dar outra esticada até a Antártica. Estamos próximos da “última fronteira”. Menos de 600 milhas nos separam… A oportunidade surgiu quando Nick, Sérgio e Marina vieram fazer comigo os canais da Patagônia. Ficaram encantados com a região. Naqueles dias conversamos muito a respeito das peripécias do Mar Sem Fim desde que saí do Brasil, em Outubro de 2009. E o vírus da Antártica parece que contaminou nossos amigos. Daí pra organizar esta derradeira aventura foi um pulo.

No cais do Iate Clube Afasyn

Estamos atracados no cais do Iate Clube Afasyn, em Ushuaia, nos preparativos finais. Mais uma vez contratei a previsão de tempo da empresa americana Commanders Weather, a mesma que nos levou à Antártica no verão 2009/2010. Eles preveem uma “janela de tempo” para sexta, ou sábado, próximos, dias 9 ou 10 de março.

Nosso plano é sair amanhã cedo para Puerto Willians, 30 milhas abaixo de onde estamos, e ainda nas margens do Beagle. Na quinta descemos mais. Vamos dormir em alguma baía próxima do Cabo Horn, à espera da confirmação.

E sexta, ou sábado, iniciamos a travessia.

Vou contando pra vocês.

Até a próxima.

O Mar Sem Fim luta por sua sobrevivência

Comentários

1 COMENTÁRIO

  1. Aos amigos velejadores do Mar Sem Fim, bons, doces e suaves ventos na ida e no retorno. Até qquer hora em IBela. Abraços. Tito

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