Matança do boto cor-de-rosa: animal em situação crítica

12
5071
views

Matança do boto cor-de-rosa: animal está em situação crítica

Apesar de esforços de pesquisadores e ambientalistas, as duas espécies de golfinho de água doce da Amazônia, o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis) podem estar em risco de extinção. A matança do boto cor-de-rosa é consequência da pesca de outro peixe.

 imagem de Boto cor-de-rosa

Matança do boto cor-de-rosa:  perda na população de botos já a chega a 50%

Em algumas regiões a perda na população de botos já chega a 50%. De alguns anos para cá, o mamífero tem sido usado como isca na pesca de pequenos peixes. Especialmente a pesca de piracatinga, um peixe carnívoro, tipo de bagre, também conhecido como urubu  d´água.

A pesca da piracatinga

A pesca da piracatinga é realizada na época do defeso, quando a captura de outras espécies é proibida.  Mesmo com o salário-defeso, valor de um salário mínimo que o pescador recebe durante o período, eles mantém a pesca da piracatinga.

imagem do peixe piratinga
A piracatinga. Foto: Divulgação/Ampa

A carne de um boto pode render a captura de uma tonelada de piracatinga, vendida por R$ 1,00  o quilo para os frigoríficos, sendo a maioria do pescado contrabandeado para a Colômbia.

Depois de muitas tentativas, pesquisadores conseguiram provar que restos de carne de boto foram encontrados no estômago das piracatingas vendidas. A situação dos botos de água doce é crítica no mundo inteiro. O golfinho indo- pacífico é um deles.

Moratória para proibir a pesca da piracatinga

Com as provas reunidas, os ministros do meio ambiente e da pesca assinaram uma moratória para proibir a pesca da piracatinga nos próximos cinco anos, até que se ache uma alternativa à isca. Mas, num último momento, o documento parou na gaveta do ministro da pesca, Eduardo Benedito Lopes,  que ficou na dúvida por não querer prejudicar o rendimento dos pescadores envolvidos. Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, contradisse o da pesca e insistiu na publicação da proibição.

Finalmente, depois de tantas discussões, no dia 18 de julho de 2014 a proibição foi publicada. A partir de 01 de janeiro de 2015, a pesca e a comercialização de piracatinga ficam proibidas no território brasileiro.

Diante disso, a Ampa-Associação de Amparo ao Peixe- Boi, lançou uma campanha para intensificar a fiscalização.

Mesmo com moratória decretada, situação é crítica

Apesar das cabeçadas entre ministérios, o da Pesca e o do Meio Ambiente, e de campanhas para intensificar a fiscalização, as últimas notícias são tristes. O site da FAPESP publicou matéria em junho de 2018 alertando ‘que os animais podem estar em situação crítica’. Você pode dizer que ‘podem estar em situação crítica’ é algo vago. Ou eles estão, ou não estão. Acontece que a FAPESP ressalta em sua matéria que o estudo em referência, feito na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a 500 quilômetros de Manaus, entre 1994 e 2017, “indica que a população dessas duas espécies se reduz à metade a cada 10 anos, apesar de a captura ser proibida.” A despeito da longa pesquisa, não há levantamentos semelhantes em outras áreas da Amazônia, razão pela qual os pesquisadores escolheram a forma verbal “podem estar em situação crítica”, se os resultados da pesquisa em Mamirauá forem aplicados para toda a Amazônia.

Onde é praticada a matança do boto cor-de-rosa

Os autores do estudo, coordenado pela bióloga Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), atribuem a redução dos botos à captura ilegal fora da reserva, uma vez que em Mamirauá a ação humana é controlada e outras espécies de predadores aquáticos continuam abundantes.

Colômbia proíbe venda da piracatinga, mas situação de botos é crítica

Sensibilizado pelo problema, a Colômbia proibiu a venda de piratinga em 2017 por dois motivos. Um é a situação crítica do mamífero, e outro pelos altos índices de mercúrio encontrados na carne do peixe. Mesmo assim, por vias tortas, a pesca continua no Brasil, e a venda na Colômbia, ainda que em ambos a intensidade tenha diminuído. Resta saber até quando os estoques conseguirão se manter.

Assista ao vídeo da matança do boto cor-de-rosa pelo ribeirinhos da Amazônia.

Fontes: http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/06/18/a-critica-situacao-dos-golfinhos-na-amazonia/?utm_source=facebookposts&utm_medium=social&utm_campaign=Ed268; https://www.worldanimalprotection.org.br/not%C3%ADcia/vitoria-colombia-finalmente-proibe-venda-de-piracatinga;

Esturjão, história, caviar e extinção

Repórteres do Mar

O Mar Sem Fim quer a sua colaboração. Não é possível estar em todos os lugares ao mesmo tempo e, com a sua ajuda, podemos melhorar ainda mais o nosso conteúdo. Saiba como colaborar com o Mar Sem Fim.

Comentários Comentários do Facebook

12 COMENTÁRIOS

  1. Enquanto não destruirem tudo não sossegam, alguns dizem que os pescadores podem sofrer sem esta atividade, mas e quando não existirem mais botos? Vão morrer de fome? Ou vão procurar outra atividade para ganhar dinheiro? Claro que vão procurar outra coisa, então não passam de destruidores da natureza, não quero uma taiji brasileira, uma taiji já é vergonhoso demais para o mundo

  2. Enquanto o homem não acabar com todo o ecossistema e os animais em extinção, não sossegará ! Infelizmente num mundo onde o dinheiro, a ganância imperam, jamais resultará em salvar os animais quase extintos ! É molecada, vai chegar um dia que animais somente através de documentários antigos…não sobrará um ser vivo ! Noé….voce pecou…salvou o homem em sua arca…..devia ter salvado apenas os animais e nada mais !

  3. Muito triste, e me sinto impotente pois esses bárbaros do Norte vivem em terra sem lei, destruindo um patrimônio ambiental que os povos de regiões distantes sequer tem chance de proteger. O governo deveria triplicar o efetivo de agentes públicos postos na fiscalização, ou, o mais adequado, desocupar a Amazônia, proibindo a entrada e estabelecimento de humanos nessa região.

  4. Ainda bem que já sou septuagenário e os estragos feitos continuadamente no Brasil e no mundo não me atingirão ou atingirão quase nada. Egoísta eu???? Não e como dizem um única andorinha não faz verão. Querem reclamar??? Dirijam-se para seus país, tios, políticos asnos no saber mas loucos por propinas fáceis. para igrejas, párocos, pastores de lobos e coiotes evangélicos…..

  5. Também se a matéria falasse em homossexualidade dos golfinhos brasileiros estaria cheia de comentários pois atualmente só existem dois temas que atraem visibilidade – pets e homossexualidade!

  6. Se a matéria tivesse tido as divulgações no porte das matanças de golfinhos no Japão o Estadão não estaria mais permitindo comentário de leitores dado o alto volume, mas como são golfinhos brasileiros subdesenvolvidos apenas um comentário. Bem que Einstein falou que tudo é relativo e santo de casa não vale nada mesmo, né não???

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here