A Saga do Mar Sem Fim, de João Lara Mesquita, diário de bordo

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A Saga do Mar Sem Fim, de João Lara Mesquita

Em A Saga do Mar Sem Fim, João Lara Mesquita descreve a Antártica como um território múltiplo. “Assusta, impõe barreiras e é hostil. Cobra um preço alto de quem a desafia. Mas também pode ser o lugar mais espetacular da Terra. Seu espectro de cores não tem rival. E seus contornos dramáticos, exagerados em perfeição, nos transformam em espectadores apalermados, sem saber escolher palavras para descrever a paisagem. Nada se compara a ela”, escreve o jornalista.

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A Saga do Mar Sem Fim, de João Lara Mesquita

 A bordo do Mar Sem Fim

João Lara Mesquita viu essa beleza sem igual a bordo do Mar Sem Fim, enquanto produzia uma série de reportagens ambientais. Depois, voltaria à Antártica. Desta vez, em março de 2011, acompanhado por um grupo de turistas.

A viagem, no entanto, logo mudaria de tom. O barco começou a apresentar problemas ao mesmo tempo em que a natureza mostrava sua força. “Passei por um fenômeno climático muito raro, o jato frio inercial, que pode durar uma semana ou mais. Fui pego no meio dele. Ele acirra as condições da Antártica. Faz os ventos ficarem mais fortes e o frio, mais frio. Cheguei a pegar -14ºC dentro do barco. Fora, a sensação térmica chegava a -30ºC, -40ºC”, relembra o jornalista.

O mesmo voo que levou os turistas embora trouxe Plínio Romeiro Jr. à Antártica. Amigo de João e conhecedor de náutica, ele chegou a um cenário congelante.

Com a tripulação, passou a enfrentar o mau tempo e a falta de visibilidade. Quase nada se via. Por isso, todos dependiam dos sons e dos sinais do radar. Sem plena consciência do risco, lutavam pela própria vida. Além disso, tentavam manter o Mar Sem Fim flutuando.

A Saga do Mar Sem Fim: medo da morte

“Não tive medo de morrer. Durante todo o sufoco, estávamos a 400, 500 metros de uma base. Claro que havia risco de vida, mas não dava tempo de pensar. A ideia era não perder o barco. E, se tivéssemos de perdê-lo, que o naufrágio não causasse nenhum prejuízo ambiental”, diz João.

A tripulação não conseguiu evitar o naufrágio. Ainda assim, todos saíram com vida. Além disso, o acidente não provocou dano ambiental.

A saga em livro

A história aparece em detalhes no livro A Saga do Mar Sem Fim. A obra reúne imagens da Antártica, do barco antes do acidente e do resgate, depois de quase um ano em águas congeladas.

Além disso, João Lara Mesquita relembra outras viagens do Mar Sem Fim e fala da “solidariedade antártica”. “Antes de você pedir ajuda, já tem fila de gente se oferecendo. Todos se ajudam porque sabem que um depende do outro. As condições de sobrevivência lá são dificílimas”, explica.

Memórias de família

A narrativa também traz memórias de infância. Entre elas, está a caravela que o irmão Fernão construiu com um grosso gomo de bambu. Com ela, os dois brincavam na fazenda. Também aparecem os passeios de barco com o pai.

A paixão pelo mar, no entanto, não nasceu pronta. Por muito tempo, João Lara Mesquita viveu uma relação de amor e ódio com ele. “Eu era um garoto de uns 11, 12 anos, e era uma grande aventura sair num barco que era do tamanho de uma casinha. Mas, ao mesmo tempo, eu botava a cara no mar e começava a enjoar. É o pior sentimento que o ser humano pode ter.”

Isso durou dez anos. Ainda assim, ele insistia. “Eu achava fascinante aquele mundo de aventura. E, quando o barco parava à noite para dormirmos e não balançava, eu me sentia um pirata ali dentro.”

Rádio Eldorado

Em 1982, João Lara Mesquita assumiu a direção da Rádio Eldorado. A partir daí, sua relação com o mar também se tornou profissional. Para se diferenciar das concorrentes, a emissora passou a debater questões ambientais.

Logo, João percebeu uma lacuna. O mar e a zona costeira quase não apareciam entre as prioridades dos ambientalistas. Por isso, passou a se dedicar ao tema.

Desde 2003, quando deixou a emissora, ele percorre o litoral brasileiro. Faz reportagens e documentários para alertar a população sobre os problemas da costa. A nova temporada de Mar Sem Fim, seu programa na TV Cultura, está no ar há dois meses. A ideia é mostrar as unidades de conservação federais da zona costeira do País.

Hoje, ele já não tem pesadelos com o acidente, mas sabe que será assombrado para sempre pela lembrança. Entre as lições aprendidas, a de nunca medir forças com a natureza. E a vontade de voltar persiste. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Hoje, João já não tem pesadelos com o acidente. Ainda assim, sabe que a lembrança o acompanhará para sempre. Entre as lições que tirou da experiência, uma se impõe: nunca medir forças com a natureza.

Mesmo depois do naufrágio, a vontade de voltar à Antártica persiste.

Eldorado – a Rádio Cidadã

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