Ilha de Pohnpei e Nan Madol, um mistério do Pacífico
Uma cidade construída sobre o mar, sem água potável, metal, rodas ou escrita. Parece ficção, mas Nan Madol existe há mais de 800 anos na costa sudeste da ilha de Pohnpei, nos Estados Federados da Micronésia. A cidade reúne mais de 92 ilhas artificiais interligadas por canais de maré, erguidas com colunas de basalto vulcânico diretamente sobre recifes de coral. Ao longo de quatro séculos, seus construtores transportaram cerca de 750 mil toneladas de basalto — uma média de 1.850 toneladas por ano — sem argamassa, cimento ou máquinas.

O primeiro enigma de Nan Madol está na base da cidade. Seus construtores ergueram as ilhas artificiais diretamente sobre recifes de coral, o que exigiu conhecimento das marés, da estabilidade do terreno marinho e da distribuição do enorme peso das estruturas. Para levantar as paredes, empilharam horizontalmente colunas de basalto e aproveitaram a geometria natural dessa rocha vulcânica, conhecida como basalto colunar. Assim, criaram estruturas estáveis sem argamassa, cimento ou qualquer outro tipo de ligante. Séculos depois, o princípio de ampliar formações existentes reapareceria em escala monumental nas ilhas artificiais do Mar do Sul da China.
Um mistério da Micronésia
Segundo consta, os europeus ficaram estupefatos depois da descoberta da América quando veio à tona outra ‘descoberta’, a do oceano Pacífico. Naquela imensidão de 180 milhões de km², equivalente a um terço da superfície do planeta, europeus incrédulos descobriram que havia milhares de pequenas ilhas, muitas delas habitadas. De onde teriam vindo? Da Ásia, da América do Sul, de onde, enfim? Até hoje se discute a colonização das ilhas do Pacífico.
Já, sobre a ilha de Pohnpei, diz o site Travel and Leisure, imagens de satélite agora estão lançando uma nova luz sobre uma misteriosa cidade construída em uma ilha no meio do Oceano Pacífico. Seus habitantes dizem ser assombrada.
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Até hoje ninguém conseguiu explicar como seus construtores transportaram blocos de até 50 toneladas por mais de 40 quilômetros, desde o lado oposto da ilha até os recifes.
A dinastia Saudeleur, que governou Pohnpei aproximadamente entre 1100 e 1600 d.C., coordenou esse esforço monumental durante cerca de quatro séculos. Nan Madol tornou-se o centro político, religioso e administrativo da região.
Contudo, o que se conseguiu descobrir sobre é que Nan Madol é prosperou de 1200 a 1700. A princípio, serviu como importante cidade política e religiosa na Polinésia. Alguns habitantes chamam as ruínas de “Soun Nan-leng”, que significa “Recife do Céu”, de acordo com o Bureau de Visitantes de Pohnpei. As ruínas incluem tumbas, banhos e templos.
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Entretanto, os pesquisadores não encontraram indícios de roldanas ou outras ferramentas. Isso reforçou o caráter misterioso destas ruínas. “Não sabemos como trouxeram as colunas para cá. Muito menos sabemos como as ergueram para construir as paredes. A maioria dos pohnpeians se contenta em acreditar que usaram magia para montá-los”, disse um arqueólogo de Pohnpei ao Smithsonian.
A Ilha de Pohnpei
Hoje, a ilha de Pohnpei é a capital da Micronésia ou, dos Estados Federados da Micronésia, uma federação insular composta por quatro estados, Chuuk, Kosrae, Pohnpei, e Yap, e 607 ilhas que se estendem pelo arquipélago das Carolinas. A população é formada por uma mistura de melanésios, polinésios e filipinos, e é considerada, sobretudo, uma das últimas culturas nativas da Oceania a se desenvolver.
Entretanto, o atual território fazia parte do protetorado das Ilhas do Pacífico, das Nações Unidas, sob administração tutelar dos Estados Unidos. Mas, em 1986 o país alcançou sua independência. Desde então, mantém um Tratado de Livre Associação com os Estados Unidos.
Diego da Rocha o primeiro europeu a chegar
O primeiro europeu a chegar às Carolinas foi o nauta português Diego da Rocha, em 1527. O nome ‘Carolinas’ foi dado pelo almirante espanhol Francisco Lazeano, em 1686. Até o século 19, entretanto, alemães e espanhóis disputaram a posse que acabou em mãos da coroa espanhola. O Protetorado das Ilhas do Pacífico, das Nações Unidas, é reflexo da mudança geopolítica depois da Segunda Grande Guerra.
O clima é tropical e a ilha de Pohnpei é considerada um dos lugares mais úmidos do planeta. A população é de 74.685 habitantes (2018), a base da economia é a pesca e, principalmente, o turismo.
A história da Nan Madol, ou o que se sabe dela
Os primeiros exploradores europeus chegaram a descrever Nan Madol como a “Oitava Maravilha do Mundo”. O complexo reúne 97 ilhotas artificiais de formato geométrico, separadas por estreitos canais de água.
As ruínas, descobertas no início do século 20, desde sempre foram consideradas um mistério. O arqueólogo Patrick Hunt sintetizou o espanto: “Por que alguém construiria uma cidade no meio do oceano, e por que aqui, tão longe, de qualquer outra civilização conhecida?”
A construção de ilhotas artificiais começou por volta dos séculos VIII e IX
Segundo o Atlas Obscura, a construção das ilhotas artificiais provavelmente começou entre os séculos VIII e IX. Já as estruturas megalíticas surgiram entre os séculos XII e XIII, quase na mesma época da Catedral de Notre-Dame, em Paris, e de Angkor Wat, no Camboja.
Mais tarde, invasores estrangeiros estabeleceram a dinastia Saudeleur, que dominou Pohnpei por cerca de 500 anos. Por volta de 1600, os Isokelekel derrubaram essa dinastia e assumiram o controle da ilha.
A princípio, ‘Nan Madol parece ter abrigado a casta de elite governante da dinastia Saudeleur. Era uma sede de poder político e cerimonial. Como meio de controle de seus súditos, a dinastia Saudeleur conseguiu unir os clãs de Pohnpei’.
‘A maior parte das ilhotas servia como área residencial. Porém, algumas serviam para fins especiais como preparação de alimentos, produção de óleo de coco ou construção de canoas’.
Necrotério real na ilhota de Nandauwas
A peça central de todo o complexo, aparentemente, é o necrotério real na ilhota de Nandauwas, com suas paredes de 7,5 m de altura em torno do recinto central do túmulo.
A população de Nan Madol era provavelmente superior a 1.000 numa época em que toda a população de Pohnpei mal chegava a 25.000. Não há fontes de água doce ou possibilidades de cultivar alimentos. Por isso, os suprimentos vinham do continente.
Segundo a lenda, a magia negra teria levado as pedras até Nan Madol. Arqueólogos já localizaram possíveis pedreiras na ilha principal, mas ainda não conseguiram explicar com precisão como os construtores transportaram os enormes blocos até o local.
Em 2016, a UNESCO reconheceu o sítio como Patrimônio Mundial e, no mesmo ano, incluiu-o na lista de patrimônios em perigo.
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Imagem de abertura: https://tomtill.com