Caiçara do Norte, RN, mais um município tragado pelo mar
Caiçara do Norte, no Rio Grande do Norte, já sente o avanço do mar. A cidade entrou para a lista de municípios costeiros ameaçados pela erosão.
O aquecimento global intensifica o problema. O nível do mar sobe. Eventos extremos ganham força e frequência.

Enquanto isso, o Brasil segue sem um plano nacional para enfrentar a erosão costeira. E, segundo levantamento recente, apenas sete estados firmaram um acordo de cooperação com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) para usar seus dados na elaboração de políticas climáticas e metas de redução de emissões. A omissão cobra seu preço — e Caiçara do Norte virou mais um exemplo.

Mais um município tragado pelo mar
Caiçara do Norte fica no litoral norte do Estado, com uma população estimada em 6.2 mil habitantes (IBGE, 2022).A principal atividade econômica é a pesca, com destaque mundial para a captura do peixe-voador, espécie tão abundante que é comercializada por “milheiro”. O turismo começa a crescer com a inclusão do município no Polo Costa Branca, região estratégica para o turismo potiguar.
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Canoa de tolda Luzitânia: naufrágio, abandono e resgateCriaturas marinhas bizarras: espécies que desafiam a ciênciaFungos marinhos podem originar novo antibióticoCaiçara do Norte faz parte de uma área que concentra grande parte da produção de petróleo e gás natural do estado. Além dos royalties, o setor impulsiona o desenvolvimento de pequenas e microempresas fornecedoras de serviços.
Finamente, as “famigeradas” fazendas de camarão são uma realidade crescente em toda a costa potiguar, inclusive em Caiçara do Norte.
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Há mais de 20 anos a academia alertou sobre a erosão
Não é de hoje que o município sofre os efeitos das ressacas cada vez mais potentes e frequentes. Estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, de 2002, já alertava que ‘este trecho da costa norte-riograndense é fortemente vulnerável a processos erosivos’.
Como quase sempre acontece, o estudo não serviu para muito mais que a construção de alguns gabiões, espécie de muro de contenção, feito com pedras e arame. Nada mais quem uma gambiarra. Ainda são raras no litoral as soluções baseadas na natureza, normalmente, mais eficientes.
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Decisões cruciais sobre o litoral acabam nas mãos de prefeitos que ignoram o que ocorre no mundo. Muitos não se preparam para enfrentar um fenômeno que veio para ficar: o aquecimento global.
Sem planejamento e base técnica, recorrem a soluções improvisadas. Apostam em gambiarras emergenciais ou, muito pior, investem em engordas de praias caras e ineficazes.
O resultado quase sempre se repete. O mar avança. O dinheiro público desaparece. E o problema permanece.
Ventos e correntes na região de Caiçara do Norte

Durante o verão, a intensificação desses ventos provoca a “invasão” de areia nas áreas urbanas, transportando sedimentos das dunas móveis para dentro da cidade.
Além disso, a ocupação desordenada transformou as dunas de Caiçara do Norte. A ação humana alterou de forma significativa esse sistema natural, como quase sempre acontece quando falta planejamento.
A combinação de ventos fortes (que geram ondas maiores e mais energéticas) com as correntes de deriva explica por que o mar avança de forma tão agressiva no município.
Os ventos não apenas movem a água, mas também as dunas. Historicamente, a antiga vila de pescadores de Caiçara foi soterrada por dunas móveis no início do século XX, forçando a população a se mudar para o sítio atual, que hoje enfrenta a ameaça oposta: o avanço do mar
Em 2018 invasão do mar

Famílias de pescadores, que historicamente viviam da proximidade com o mar, perderam não apenas o teto, mas o seu local de trabalho. O custo social é imenso, com o surgimento de áreas de risco onde antes havia o coração da economia local.
Um ano depois, em julho de 2019, o Ministério Público do Rio Grande do Norte, MPRN recomendou ao prefeito de Caiçara do Norte que adotasse providências para garantir o adequado ordenamento territorial.
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O motivo principal do MPRN não foi a erosão, mas a falta absoluta de saneamento básico que gerou a abertura de fossas sépticas no passeio público. Seja como for, o ordenamento territorial contempla igualmente as construções irregulares próximas ao mar.
Situação de calamidade em fevereiro de 2021
Nesse mês houve ressaca, e com ela, a destruição que obrigou a prefeitura a declarar estado de calamidade. A Defesa Civil teve que interditar prédios da orla em razão de risco de desabamento.
Assista ao vídeo e veja o que aconteceu em fevereiro de 2021
Setembro de 2021, a ameaça se concretiza
Diante da urgência, foram feitos enrocamentos (paredões de pedra) sem o devido estudo de impacto ambiental completo. Resultado: a proteção de um trecho acelerou a erosão no trecho seguinte, “empurrando” o problema para as áreas vizinhas.

A Situação em 2025/2026


O cenário atual é de emergência permanente, onde a prefeitura e o IDEMA discutem se a solução virá por obras de engenharia pesada , as famigeradas engordas que nada resolvem, ou pelo recuo planejado da população para áreas mais altas.

Fontes: https://core.ac.uk/download/pdf/71373789.pdf; http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/mara-alta-invade-ruas-e-ima-veis-no-munica-pio-de-caia-ara-do-norte/406541; http://simariomorais.blogspot.com/; https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2021/09/09/mar-avanca-e-atinge-dez-imoveis-em-caicara-do-norte-no-rn-veja-video.ghtml.










A fotografia é muito clara: a cidade avançou sobre a costa e foi invadida pela maré. E não o contrário.
Em mais uma ou duas décadas quem vive na orla de Copacabana na Avenida Atlântica terá o privilégio de não somente da avenida mas o Oceano Atlântico a invadindo uns 500 ou mais centenas de metros e o sertão vai virar mar. Imaginem aqueles que acham que vivem na Veneza brasileira…..
O escritório de Natal da Secretaria do Patrimônio da União tem informação relevante sobre as dificuldades políticas e operacionais para coibir invasão de áreas conhecidas como “Terras da Marinha”… Basta ligar e perguntar sobre essas dificuldades.
Uma música simples que contém verdade, a muito tempo é ignorada desde os tempos em que não se falava dos problemas climáticos.
Independente do que se diga, é fato que construir ao longo da costa e nas margens do rio só trarão malefícios futuros. Não tem opção? Tem sim! Mas é mais cômodo ficar pertinho do mar.
Não! Não construa sua casa na areia!
Não! Não construa na beira do mar!
Mesmo que pareça chique é impossível que ela fique. A tempestade a vai derrubar!
O relato demonstra que a doença mais grave que corrói a mente social atual é a ignorância. O mais inacreditável é o ato de se tentar alterar o fluxo das dunas ! Só isso já é suficiente para ver que nem adianta enveredar pelas outras barbaridades recorrentes.
Parece uma coletividades com indivíduos de aparência moderna e mente dos tempos da barbárie.
E Com a leniência, incompetência e incredulidade daqueles que fazem gestão pública mirando apenas e tão somente nas taxas, laudo, IPTU, e tantas outras. Perfil moderno, exatamente, cabeça do tempo dos egipcios…
Todas cidades litorâneas do Brasil, foram erguidas à beira do mar. Portanto, nao acredito ser somento isso, o motivo do avanço do mar tragando parte das cidades.
O processo de erosão da costa ocorre há muito tempo, tenho observado o “fenômeno” durante cinquenta anos. É fácil culpar os outros, como as fazendas de camarão, a inação no combate aos gases estufa, etc.
A verdadeira culpa cabe a todos, principalmente à população local, ignorância, inação frente a um problema visível e os políticos locais que em nome do “social”(popularidade, compra de votos) absteram-se de tomar medidas necessárias e impopulares há décadas. As soluções possíveis e mitigadoras, quebra-mar e retentores de areia entre outras, não implementa-se pois a legislação não permite, são ditas pelos políticos como caras e consideradas por muitos auto-intitulados “ecologistas” e ministério público como danosas ao meio ambiente. Ou seja continuar-se-a a tapar o sol com peneira.