Caça comercial de baleias: Islândia pode proibir atividade em 2027
A caça comercial de baleias ainda resiste em poucos países. Noruega, Japão e Islândia continuam permitindo a atividade, embora a Comissão Internacional da Baleia mantenha uma moratória desde 1986. Agora, porém, a Islândia discute uma mudança histórica: proibir definitivamente a caça comercial a partir de 2027.

De acordo com a International Whaling Commission, esses três países matam juntos algo entre 800 e 1.000 animais por ano. Em 2022 foram 999; em 2023, 825. A Noruega respondeu por mais da metade desse total.

A carne tem como principal destino o consumo humano. No Japão, abastece o mercado interno. Na Islândia, boa parte segue para exportação ao Japão. Na Noruega, a demanda caiu tanto que parte da carne já foi destinada a ração para cães, como mostramos neste post.
Enquanto isso, as Ilhas Faroe, território autônomo dinamarquês, mantêm o grindadráp, um “costume tradicional” de caça a baleias-piloto e outros pequenos cetáceos. Em 2025, 868 baleias-piloto e 53 golfinhos-de-laterais-brancas entraram nas estatísticas da caça. Moradores recebem a carne e a gordura, portanto a atividade não integra a caça comercial de grandes baleias discutida pela CIB — Comissão Internacional da Baleia, organismo que regula a caça e promove a conservação desses animais.
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A discussão ganhou força em 2023, depois que um relatório encomendado pelo governo mostrou que algumas baleias-fin levaram até duas horas para morrer depois de arpoadas mesmo aquelas que são atingidas mais de uma vez. O estudo colocou o bem-estar animal no centro do debate e levou o governo a suspender temporariamente a caça naquele ano.

Na época, Svandís Svavarsdóttir, então ministro da Alimentação, Agricultura e Pescas da Islândia, afirmou que “o alarmante relatório ressalta a necessidade de uma discussão na Islândia sobre os valores pelos quais queremos ser conhecidos. Acredito que as indústrias incapazes de garantir o bem-estar animal devem ser consideradas parte do nosso passado e não do nosso futuro. Este relatório, juntamente com o conselho de especialistas sobre as descobertas do bem-estar animal, servirá como material de fundo essencial para tomar decisões sobre o futuro da caça à baleia em 2023.”
A baleia-fin é o segundo maior animal do planeta, atrás apenas da baleia-azul. Pode ultrapassar 20 metros de comprimento e pesar dezenas de toneladas. A IUCN classifica a espécie como Vulnerável. É essa baleia que concentra boa parte da caça comercial islandesa.
A decisão pode sair em 2027
A dolorosa e demorada morte das baleias não sensibilizou o suficiente em 2023. Mas parece que a tortura sofrida pelos animais germinou na mente da população. Tanto é assim que uma pesquisa divulgada em junho de 2026 mostrou 41% contra a caça de baleias-fin, 33% a favor e 26% neutros. A rejeição é maior entre jovens e mulheres, sinal de que o apoio à atividade pode estar perdendo força entre as novas gerações.
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Antes disso, porém, o tema ganha visibilidade internacional na 70ª reunião da Comissão Internacional da Baleia, marcada para 27 de setembro a 2 de outubro de 2026, em Hobart, na Austrália. A pauta inclui formalmente uma proposta para criar o Santuário de Baleias do Atlântico Sul, apresentada como emenda ao regulamento da CIB.
A proposta, defendida por Brasil, Argentina, África do Sul, Uruguai e Gabão, já foi discutida outras vezes e precisa de 75% dos votos para ser aprovada. Até hoje, não alcançou essa maioria.
Não há anúncio islandês programado sobre o fim da caça comercial, mas a reunião coloca novamente em evidência o confronto entre países que defendem maior proteção às baleias e os poucos que ainda mantêm a caça comercial.
Se a Islândia abandonar a caça comercial, Noruega e Japão restarão como os únicos países que ainda mantêm a atividade. O possível isolamento ganha ainda mais peso às vésperas da IWC70, que discutirá o Santuário de Baleias do Atlântico Sul, métodos de abate, bem-estar animal e o futuro do uso comercial desses cetáceos.
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Boas novas, tomara que a caça às baleias seja ao menos controlada. Pelo que depreendo, a gordura das baleias é de muita utilidade nos países nórdicos onde impera o frio e a ingestão de gordura ajuda a manter as calorias do corpo reduzindo os efeitos do frio. Tomara que cheguem à um acordo para controle da pesca que garanta a reposição dos cardumes e sua sustentação.