Cabana de Ernest Shackleton, lenda viva na história da Antártica
A Antártica procura preservar várias relíquias dos primeiros exploradores da região. Um deles é o refúgio de Shackleton, na viagem do Nimrod, em 1908, a primeira das três épicas viagens do explorador à região. No interior da cabana de Ernest Shackleton, situada no Cabo Royds, Antártica, ainda estão pendurados os retratos do rei Eduardo VII e da rainha Alexandra.

Depois do término da corrida ao Polo Sul, em dezembro de 1911, com a conquista de Roald Amundsen, Shackleton virou a sua atenção para aquele que ele considerava ser o grande objetivo da exploração antárctica: atravessar o continente a pé, passando pelo polo.
Para levar esse projeto adiante, Shackleton organizou a Expedição Transantártica Imperial, de 1914 a 1917. Esta foi sua segunda viagem ao polo. A expedição ficou mais conhecida como a viagem do Endurance, depois que o gelo prendeu e esmagou o navio.
Finalmente, a derradeira viagem de Shackleton foi a Expedição Shackleton-Rowett, ou a expedição do Quest, o nome de seu navio na época. Nela, nosso herói morreu a bordo quando o navio estava ancorado na Geórgia do Sul, pondo fim ao que se convencionou chamar de era heroica da exploração antártica.
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‘A Expedição Antárctica Britânica de 1907–09, conhecida como Expedição Nimrod, foi a primeira de três expedições à Antártica lideradas por Ernest Shackleton.
O seu principal desejo, para além da pesquisa geográfica e científica, era ser o primeiro a chegar ao Polo Sul. O objetivo não foi atingido, mas o grupo atingiu um novo recorde chegando à latitude de 88° 23′ S, a apenas 157 km do polo. Foi a maior expedição ao Polo Sul até à data.
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Nimrod rebocado
O Nimrod era uma escuna com 41 anos, de 334 toneladas, utilizada para a caça de focas e baleias. Shackleton pagou 5.000 libras pelo navio. Ele tinha um motor auxiliar a vapor que lhe dava uma velocidade de apenas seis nós.
O navio estava tão cheio de mantimentos que não havia espaço para o carvão necessário para alcançar a Antártida pela Nova Zelândia, assim Shackleton teve de pedir ajuda para que o navio fosse rebocado.
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A expedição do Endurance de Shackleton, apesar de terminar na perda do navio, alçou o nome do explorador no panteão dos grande heróis mundiais. O navio, Endurance, ficou preso no gelo.
Posteriormente, foi lentamente esmagado. Seguiu-se uma série de explorações. E um salvamento in-extremis sem, no entanto, perdas humanas.
Expedição Shackleton-Rowett (1921-1922)
Finalmente: Em 1921, Shackleton regressou à Antárctida na Expedição Shackleton-Rowett, com a intenção de levar a cabo um programa científico.
Antes mesmo de a expedição ter começado os seus trabalhos de pesquisa, Shackleton morreria de ataque cardíaco enquanto o seu navio, Quest, estava ancorado na Geórgia do Sul depois de fazer uma escala de um mês no Rio de Janeiro para reparos. A pedido da sua esposa, foi enterrado ali.
As suas qualidades de liderança chamaram a atenção no início do século XXI, principalmente devido ao sucesso obtido nas operações de salvamento da Expedição Transantárctica Imperial, mais conhecida como expedição do Endurance.
Contudo, segundo a biografia escrita por Ranulph Fiennes — Shackleton: O Homem que Liderou o Endurance na Arriscada Expedição à Antártica, da Companhia das Letras — revela um personagem bem menos admirável. Shackleton planejava mal, comprava embarcações inadequadas, acumulava dívidas, bebia em excesso — o autor o descreve como alcoólatra — e passava longos períodos longe da mulher e dos filhos, sempre movido pela obsessão de alcançar fama e glória. Em outras palavras, errou quase tudo o que podia na vida.
Conheça a cabana de Ernest Shackleton
Instituições de preservação conservam construções como estas como santuários da Era Heroica da exploração da Antártica. Elas guardam a memória de feitos espetaculares, como a saga de Ernest Shackleton e suas incríveis aventuras. Clique na foto para ver seu interior em 360º.
Como sugestão de leitura fica dica: A Expedição Esquecida de Shackleton: A Viagem do Nimrod, de Beau Riffenburgh, edição Planeta.