A evolução da bioluminescência nas criaturas marinhas

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A evolução da bioluminescência nas criaturas marinhas

Ao que tudo indica, gregos e romanos fizeram as primeiras observações sistemáticas do fenômeno da bioluminescência. Trata-se de um tipo de quimioluminescência. Ou seja, a produção de luz visível por meio de uma reação química. Os cientistas usam o termo bioluminescência quando essa reação ocorre em organismos vivos.

Fenômeno observado através dos tempos

Aristóteles (384–322 a.C.) fez uma observação decisiva da bioluminescência. Ele percebeu que a luz emitida por certos organismos não produzia calor. Chamou-a de luz “fria”. Comparou esse brilho ao calor da chama de uma vela. A diferença o intrigou.

Também notou que a luminosidade surgia em partes de peixes mortos, como cabeças, escamas e olhos. Ou seja, aparecia em materiais que já não estavam vivos. Essa constatação ampliou o mistério do fenômeno e marcou um passo importante na história do estudo da bioluminescência.

Ele também registrou o brilho da água do mar. Descreveu o fenômeno como “exalações de fogo do mar” quando alguém a perturbava, por exemplo, ao bater com uma vara na superfície.

Hoje sabemos o que realmente acontecia. Quando a água do mar se agita, milhões de micro-organismos chamados dinoflagelados reagem e emitem luz.

Muito depois, Plínio, o Velho, polímata, naturalista, historiador e oficial romano do século I (23–79 d.C.) reuniu o conhecimento de sua época na obra Naturalis Historia. Nela, descreveu seres que produzem luz própria, como vagalumes e águas-vivas. Esses registros atravessaram a Idade Média e ajudaram a manter vivo o interesse pelo fenômeno da bioluminescência.

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imagem de peixe capaz da bioluminescência
O anglerfish é mais um que brilha. Imagem, Creative Commons.

A evolução da bioluminescência nas criaturas marinhas

O site da NOAA explica que a bioluminescência é rara em terra, mas comum no mar. Muitas formas de vida marinha produzem luz. Isso inclui bactérias, lulas e peixes. Os cientistas já encontraram organismos bioluminescentes desde a superfície do oceano até as maiores profundidades.

Até pouco tempo, muita gente acreditava que os mares profundos, onde a luz do Sol não chega, quase não tinham vida. Hoje sabemos que isso não é verdade. Na chamada zona hadal dos oceanos – entre 6 e 11 mil metros de profundidade – muitos animais produzem sua própria luz.

A bioluminescência cumpre três funções

Biólogos explicam que a bioluminescência cumpre três funções principais na vida marinha:

Defesa
O animal usa a luz para assustar predadores. Às vezes, produz um clarão repentino que confunde o agressor. Em outros casos, age um “alarme luminoso”, atraindo um predador maior para atacar quem o ameaçou.
Existe ainda a chamada contra-iluminação. O animal emite luz na parte de baixo do corpo para apagar sua silhueta contra a claridade que vem da superfície. Assim, fica invisível para quem olha de baixo.

Ataque
Alguns usam a luz como isca. É o caso do peixe-pescador, que atrai a presa com um “anzol” brilhante. Outros iluminam o ambiente para enxergar presas que seriam invisíveis na escuridão.

anglerfish
O anglerfish, ou peixe angler. Imagem, www.evolutionofplanetearth.com.

Comunicação
A luz também serve para atrair parceiros na época do acasalamento. Em certas espécies, ajuda a manter o grupo unido e a coordenar o movimento dos cardumes.

Imagem de água-viva
A água-viva Aequorea victoria. Imagem, Creative Commons.

O oceano ainda guarda mais mistérios do que a superfície da Lua. A cada expedição, cientistas encontram criaturas marinhas que parecem ter saído da ficção científica. As novas descobertas não param.

Pesquisadores estimam que o oceano abrigue entre 700 mil e 2,2 milhões de espécies. No entanto, cientistas descreveram formalmente apenas 240 mil a 260 mil até agora.

Como funciona o fenômeno?

A bioluminescência evoluiu independentemente muitas vezes durante a história da vida na Terra, o que significa que muitas espécies diferentes desenvolveram a capacidade de produzir luz separadamente.

A luz que as criaturas vivas podem produzir é criada por uma reação química. Para que essa reação aconteça, uma planta ou animal deve carregar uma molécula chamada luciferina, mais uma das duas enzimas chamadas luciferase e fotoproteína.

Imagem de tunicado
Um tunicado.Imagem, Creative Commons.

Quando a luciferina reage quimicamente com o oxigênio, ela libera energia na forma de luz. Diferentes animais e plantas contêm diferentes tipos de luciferina.

Entre outras muitas espécies marinhas, há alguns tipos de tunicados, e até tubarões bioluminescentes  recém-descobertos.

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Verde e azul, as cores mais comuns nos oceanos

A luz mais comum produzida no oceano é verde e azul, e esses comprimentos de onda viajam mais na água. Alguns peixes também podem criar luz vermelha, embora seja muito mais rara.

Os dinoflagelados

São micróbios unicelulares. Minúsculos organismos que obtêm sua energia da luz do sol quando estão na superfície, como as plantas. Perturbados, esses grupos de micróbios criam belos padrões de luz nos oceanos de todo o mundo.

iMagem de água viva bioluminescente
A beleza da água-viva bioluminescente. Imagem, David Fleetham/Corbis.

Assista ao vídeo da BBC, Plâncton bioluminescente cria espetáculo de luz no mar

Fontes: https://www.nhm.ac.uk/discover/what-is-bioluminescence.html; ttps://www.goldbio.com/articles/article/The-History-of-Luciferin-and-Luciferase-discovery-timeline.

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