Mar de Aral: renascimento após um colapso ambiental histórico
Recentemente publicamos um post para relembrar e jogar luz sobre um “mar” pouco conhecido por sul-americanos. Isso se deve à sua localização distante, no Oriente Médio: Mar Morto está secando e pode até desaparecer. O texto teve ótima recepção entre os leitores do Mar Sem Fim. O post mostra como a ação humana acelera a degradação ambiental. Mesmo em um “mar” que, na verdade, é um lago salgado. O Mar Morto tem esse nome desde os tempos bíblicos. Pode desaparecer em 30 ou 40 anos. O tema nos motivou a falar de outro “mar” distante, desta vez na Ásia Central: o mar de Aral.
O colapso: de oceano interior a deserto de sal
Vamos à localização, segundo a Britannica: o Mar de Aral é um lago salgado que já foi gigantesco, na Ásia Central. Fica na fronteira entre o Cazaquistão (ao norte) e Uzbequistão (ao sul).

Era raso, mas extenso. Já ocupou o posto de quarto maior corpo d’água interior do planeta. Hoje, seus fragmentos resistem no centro climático mais inóspito da Ásia Central, a leste do Mar Cáspio.

Como a irrigação soviética drenou um dos maiores lagos do mundo
A geologia
A Britannica explica que a formação do Mar de Aral começou no período Neogeno, há cerca de 23 milhões de anos, durante a era Cenozoica.
Na fase inicial e intermediária do Pleistoceno (entre 2,6 milhões e 11.700 anos atrás), a região secou. Depois, voltou a ser inundada entre o fim do Pleistoceno e o início do Holoceno, ou seja, há pouco mais de 11.700 anos.
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Prefeitura do Rio decepa mangues por árvore de NatalMarlim azul com pneu no bico, um retrato da nossa açãoBelém faz história: COP30 celebra o oceanoDando um salto no tempo: do Holoceno direto ao século 20. Após esse período de secas e enchentes, os dois grandes rios — Amu Darya e Syr Darya — conseguiram manter o nível do Mar de Aral relativamente alto. Isso durou até a década de 1960.
Agora, no século 21, também chamado de “século da tecnologia”, é hora de ouvir o que dizem outras fontes.
A União Soviética e um enorme projeto de desvio de água
Segundo a NASA, na década de 1960, a União Soviética lançou um enorme projeto de desvio de água. O objetivo era irrigar as planícies áridas do Cazaquistão, Uzbequistão e Turquemenistão.
Os dois principais rios da região, o Syr Darya e o Amu Darya, foram os escolhidos. Eles nascem nas montanhas distantes, alimentados pelo degelo e pela chuva. Antes do projeto, corriam pelo deserto de Kyzylkum até se encontrar na parte mais baixa da bacia, onde formavam o Mar de Aral.
Com o desvio, os rios passaram a abastecer fazendas de algodão e outras culturas. E o deserto virou campo agrícola — às custas do colapso ecológico do Mar de Aral.

As imagens de satélite que revelaram a tragédia
Imagens do espectrorradiômetro MODIS mostram as mudanças com clareza. A série começa em 2000, quando o lago já era apenas uma fração do que foi em 1960 — como indica a linha amarela nas imagens.
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Naquele momento, o Mar de Aral do Norte (ou Mar de Aral Pequeno) já havia se separado do Mar de Aral do Sul (o Grande). Era o início de um colapso visível do espaço.

A foto abaixo mostra a rapidez da secura já em 2007…

E finalmente, em 2018…

Pesca, clima, saúde pública: as consequências do desaparecimento

Água, o ‘ouro azul’, e as guerras do futuro
O objetivo deste post, como tantos outros, é claro: alertar. Nossas ações têm enorme poder de causar danos — hoje e, principalmente, no futuro.
Mesmo assim, os direitos das futuras gerações a um meio ambiente saudável não aparecem entre os direitos garantidos.
Não é curioso? Ou melhor: não é trágico?
Mar de Aral: um dos piores desastres ambientais causados pelo homem
Segundo site do Banco Europeu, o Mar de Aral é um dos piores desastres ambientais causados pelo homem na história do mundo moderno. O desastre afeta diretamente mais de 33 milhões de pessoas que vivem na bacia do Mar de Aral, com um efeito devastador sobre o meio ambiente e a economia locais.
O retorno do Mar de Aral: uma história de recuperação
Segundo o EOS Data Analytics, em 19 de maio de 2021, a Assembleia Geral da ONU designou a região do Mar de Aral como uma “zona de inovações e tecnologias ecológicas”. Tanto os presidentes do Cazaquistão quanto do Uzbequistão se comprometeram a restaurar três milhões de hectares do fundo seco do Mar de Aral através do reflorestamento, com o Cazaquistão prometendo uma floresta de 1,3 milhão de hectares até 2030.
O projeto visa testar métodos de florestamento no fundo seco do Mar de Aral, a cerca de 50 quilômetros da aldeia mais próxima de Karateren. Um componente-chave do projeto é o plantio de saxaul preto, um arbusto resistente endêmico da Ásia Central. Conhecido por suas raízes profundas, o saxaul preto melhora a qualidade do solo, reduzindo a salinidade e aumentando o conteúdo de matéria orgânica.
Ao longo de 2023, a área, situada em um deserto com precipitação mínima, mostra um progresso lento, mas constante, no crescimento dos saxauls. Assim, a restauração do Mar de Aral é um farol de esperança e um símbolo de resiliência. Os projetos ERAS-I e ERAS-II, em colaboração com os governos uzbeque e cazaque, é um compromisso global com a sustentabilidade ambiental.
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Imagem de abertura: britânica.com










O grande problema da humanidade são os humanos
Parabens, excelente reportagem, concordo com tudo e apoio integralmente a postura da coluna, ressalto que a massa do Everest pode ser estimada em muitos trilhões de kg.
Acredito que a primeira linha de transporte Terra-Lua não será turística, mas de cargueiros de lixo. Sob a capa de !terraformação” da lua. Na verdade para que mandemos o lixo para longe, sem mexer no consumismo. E a lua que já foi dos namorados será das usinas de lixo.
Os problemas da época em que vivemos é o egoísmo, a pena de si mesmo e a fixação nas genitálias. Parece que problemas graves como sumiço dos nossos recursos naturais não importam.
Concordo plenamente. Há mais de trinta anos tento alertar às pessoas a não terem filhos – em vão. Não tenho filhos, meus irmãos tb não porque sabemos que não basta termos consciência ambiental – reciclar tudo que for possível, não ter carro próprio, não ficar praticando esportes que devastam o meio ambiente – turismo ecológico NÃO EXISTE, etc, etc – se o principal ninguém parece pensar em fazer: parar de procriar. O ser humano vai se auto destruir não por uma guerra nuclear como a maioria imagina – e teme -, mas por não raciocinar, não ter compaixão pelas demais criaturas e pelo seu narcisismo.
Parabéns pela reportagem, muito boa. Somente a correção de um detalhe. Na época bíblica o Mar Morto era conhecido como Mar Salgado. O nome Mar Morto é posterior, inclusive, ao novo testamento. O mar Mediterrâneo era conhecido com Mar Grande. Os nomes são diferentes dos atuais.