Danos aos oceanos duplicam custo do carbono

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Danos aos oceanos duplicam custo do carbono

Após décadas de foco nos impactos em terra, cientistas do Instituto Scripps de Oceanografia, da Universidade da Califórnia em San Diego, chegaram a um novo número. Eles incluíram os danos aos oceanos no de carbono. O resultado surpreende. O custo real das emissões de dióxido de carbono para a sociedade quase dobrou. Pela primeira vez, a conta incorporou os danos climáticos aos oceanos. O custo social do carbono, métrica-chave para medir prejuízos das emissões, muda de patamar. As implicações econômicas e políticas são profundas.

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Muitas das pressões enfrentadas pelo oceano permaneceram  invisíveis nos modelos econômicos

Segundo a Oceanographic Magazine, os modelos econômicos ignoraram o oceano por décadas. As evidências do colapso dos recifes de coral crescem. A pesca entra em declínio. Os danos à infraestrutura costeira se acumulam. Mesmo assim, muitos desses impactos ficaram fora das contas.

Isso começa a mudar agora. A nova estrutura atribui valores monetários a esses prejuízos pela primeira vez. O método revela a real dimensão das perdas. Os ecossistemas marinhos sofrem. As populações que dependem do oceano também pagam a conta.

Carbono azul

De acordo com o economista ambiental Bernardo Bastien-Olvera, líder do estudo, o problema sempre foi o mesmo. Muitas variáveis do oceano não têm preço de mercado. Por isso, os cálculos as ignoraram por décadas.

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O novo trabalho muda esse cenário. O estudo atribui valores monetários equivalentes a impactos oceânicos antes negligenciados. Pela primeira vez, o custo social do carbono passa a refletir os danos reais ao oceano.

Os resultados saíram em 15 de janeiro na Nature Climate Change. O estudo chega em hora decisiva. Governos e indústrias reavaliam o custo real da poluição por carbono.

O custo social do carbono já orienta políticas públicas. Agências como a Agência de Proteção Ambiental dos EUA e o Departamento de Energia dos EUA usam essa métrica para avaliar ações climáticas. A inclusão dos danos aos oceanos muda o jogo. Ela amplia o custo social do carbono. E expõe perdas antes ignoradas.

O custo social do carbono

O site do Scripps Institution of Oceanography revela que o custo social do carbono oferece uma contabilidade mais precisa dos danos climáticos. Ele supera os cálculos usados em créditos de carbono e em compensações oferecidas a viajantes. Esses modelos simplificados subestimam perdas reais.

Governos estaduais usam o custo social do carbono como referência. Agências como a Agência de Proteção Ambiental dos EUA e o Departamento de Energia dos EUA também adotam essa métrica. Elas avaliam políticas para reduzir emissões de gases de efeito estufa com base no custo social do carbono.

As emissões humanas de dióxido de carbono aquecem os oceanos. Elas alteram a química marinha, reduzindo o oxigênio disponível para a vida. E, de maneira idêntica, intensificam eventos extremos, porque o calor extra alimenta tempestades mais fortes. Esses efeitos elevam o custo social do carbono.

As mudanças já deslocam espécies. Elas degradam ecossistemas-chave. Recifes de coral sofrem branqueamento. Manguezais perdem resiliência. Leitos de gramas marinhas encolhem. Florestas de algas recuam. O custo social do carbono cresce com essas perdas.

A infraestrutura costeira também paga a conta. Portos enfrentam mais inundações. Tempestades mais intensas causam danos recorrentes. O custo social do carbono passa a refletir esses impactos oceânicos antes ignorados.

No Brasil os danos ao litoral são visíveis. Especialmente, mas não apenas, em Santa Catarina que perde praias a cada nova ressaca, enquanto a infraestrutura colocada pelo Estado próxima à costa se desfaz. São estradas, ruas e avenidas, sem falar em cidades como Atafona, tragada pelo mar, ou o arquipélago de Bailique, na foz do Amazonas, que está ameaçado e causa problemas sociais além de vasto prejuízo.

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O que foi analisado no estudo?

Segundo o Scripps Institution of Oceanography, o estudo criou uma nova contabilidade para o custo social do carbono. Ele somou perdas de mercado, como queda da pesca e do comércio. Também incluiu valores fora do mercado. Entram aí impactos na saúde, na nutrição e no lazer no oceano. Os autores ainda contabilizaram valores intangíveis. Eles medem o valor de existência dos ecossistemas e da biodiversidade.

Os pesquisadores ligaram esses dados a cenários de emissões. Sem o oceano, o custo social do carbono fica em US$ 51 por tonelada de CO₂. Com os danos oceânicos, ele sobe US$ 46,2. O total chega a US$ 97,2 por tonelada. O aumento alcança 91%.

Em 2024, o mundo emitiu cerca de 41,6 bilhões de toneladas de CO₂. Isso implica quase US$ 2 trilhões em danos oceânicos por ano fora das contas atuais. No longo prazo, as maiores perdas vêm do mercado. Elas podem chegar a US$ 1,66 trilhão por ano em 2100. Os valores de existência somam US$ 224 bilhões. As perdas não comerciais, como a redução da nutrição pela pesca, alcançam US$ 182 bilhões anuais.

Será possível que, mesmo com esta enxurrada de informações, o Ministério de Meio Ambiente continuará apático quanto ao litoral?

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