Explorando Deception na viagem do naufrágio

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Viagem do Naufrágio: Explorando Deception

Explorando Deception. Estas duas últimas noites foram muito agradáveis. Com o barco fundeado em Whalers Bay, pudemos finalmente usar nossos aquecedores. As cabines ficam quentes o suficiente para dormirmos apenas com um cobertor leve apesar do frio de 2ºC lá fora.

Com estas noites “bem dormidas” recuperamos o sono perdido durante a travessia do Drake.

Explorando Deception

Ontem tiramos o dia para explorar as redondezas. Com o bote desembarcamos na praia de seixos, cinza escura, de Deception. A paisagem é exótica. Este é um antigo porto baleeiro. Ruínas das fábricas de beneficiar baleias estão por todos os lados. Enormes tanques para armazenar o óleo ainda resistem na praia. Uns 300 metros para o interior há um memorial em homenagem a marinheiros noruegueses que morreram aqui. Algumas cruzes de madeira, fixadas por montes de pedras, emprestam um ar sinistro ao local. Ao fundo erguem-se os morros, ou encostas do antigo vulcão com cores que vão do negro, passando por diversas tonalidades de cinza, e até veios de um vermelho vivo. Tenho a impressão que desembarquei em outro planeta. Nunca antes vi cenário parecido.

imagem da ilha Deception
Explorando Deception: o memorial aos noroegueses mortos na ilha.

Ruínas de uma antiga estação científica inglesa

Esta parte da ilha ainda guarda ruínas de uma antiga estação científica inglesa destruída por uma erupção nos anos 60. Ao redor dos escombros botes baleeiros encalhados apodrecem na praia. Fico impressionado com a coragem desses marinheiros do século XIX que se aventuravam até aqui em pequenos barcos de madeira, às vezes com apenas 20 metros de comprimento, sem cartas náuticas, radar, ecossondas, previsões de tempo, GPS, etc. Eram aventureiros que tiveram papel relevante, tanto na descoberta das ilhas sub-antárticas, como no próprio continente branco.

imagem da Antiga base inglesa destruída pro uma erupção vulcânica em Deception
Antiga base inglesa destruída pro uma erupção vulcânica.

Na praia…explorando Deception

Na praia, além da tripulação, havia grupos de focas dorminhocas, skuas – um tipo de ave de rapina típica da Antártica, e um único pinguim gentoo, solitário, e atrasado. Em março o ciclo de reprodução dos pinguins já terminou. As aves deixam a terra, onde ficam seus ninhos, e vão para o mar. Com tantas atrações nossa manhã passou rapidamente.

imagem de Tanques para armazenar óleo de baleias quando exploramos Deception
Tanques para armazenar óleo de baleias.

Voltamos ao barco para almoçar mais uma partida de centojas que consegui em Puerto Toro, ao trocar a iguaria por duas garrafas de vinho com um pescador.

Alonso, o mestre-cuca de bordo

Alonso, o mestre-cuca de bordo, vem se aprimorando no preparo das centojas, desde que conseguimos uma armadilha e passamos a pescar  nos canais próximos a Ushuaia. Almoço de lamber os beiços, acompanhado por um belo vinho branco.

Temporada de turismo na Antártica

A temporada de turismo na Antártica está no final. Não fosse isto e teríamos no mínimo um navio de passageiros ao nosso lado. Deception é uma das atrações mais procuradas por sua história, geografia e paisagem peculiares. Entre as atrações há um canto da praia em que a água do mar ferve de tão quente em razão da atividade vulcânica. Quando estivemos aqui, no verão 2009-10, os turistas faziam questão de entrar neste pedaço de mar de calção de banho, ou biquíni, para um mergulho e uma foto.

Foto tirada na viagem do Mar Sem Fim no Verão 2009/2010.

Depois do almoço teve sessão de cinema na sala do barco. Tripulação e passageiros estavam animados pelo descanso em local seguro, relativamente protegido dos ventos e ondas.

Sono gostoso de noite.

Esta manhã acordei sentindo os solavancos do barco…

Esta manhã acordei sentindo os solavancos do barco na corrente da âncora. Quando venta forte o Mar Sem Fim “veleja” de um lado pro outro quando ancorado. Ainda na cama percebi que o pau estava comendo.

Acordei sem pressa sabendo que hoje não poderia desembarcar para mais passeios ou seções de fotografia.

Venta muito forte

Nas rajadas o Noroeste chega aos 35, 38 nós. E chove sem parar. O mar está grosso lá fora. Recebemos nova previsão esta manhã. É preciso ter paciência. Queríamos sair hoje mesmo em direção à Península Antártica, cerca de 60 milhas ao sul de onde estamos. Mas vamos esperar o tempo melhorar. Não vale a pena deixar este abrigo, ao menos por hoje.

Nosso café da manhã teve pão quente feito a bordo, uma delícia. Depois cada um pegou um livro e escolheu um cantinho na sala. O aquecedor está ligado irradiando calor. Nosso programa para hoje não vai muito além da sala de estar do Mar Sem Fim.

Foca Leopardo, um predador antártico

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4 COMENTÁRIOS

  1. Olá João, tudo bem? Só hoje descobri o blog e agora pretendo acompanhar diariamente. Muito bacanas as suas postagens! Essa viagem é realmente um desafio, é para poucos e bons navegadores. Espero que tudo continue correndo bem, peço que mande um beijo meu para todos. Bons ventos! Renata

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