Como 53.945 espécies levaram à estimativa de 20 milhões?
Os pesquisadores identificaram 53.945 espécies de insetos nas amostras coletadas na Área de Conservação Guanacaste, na Costa Rica. Em seguida, aplicaram modelos estatísticos para estimar quantas espécies poderiam existir na própria região e, por fim, extrapolaram os resultados para os ecossistemas tropicais do planeta. Com premissas conservadoras, chegaram a um total entre 14 milhões e 20 milhões de espécies. Ou seja, duas a três vezes mais do que a estimativa atualmente aceita pela ciência.
O que muda com essa descoberta?
Ela não significa que surgiram milhões de novas espécies de insetos de uma hora para outra. Elas sempre estiveram aqui. O que mudou foi a percepção da ciência sobre a dimensão da biodiversidade terrestre. Se a estimativa estiver correta, conhecemos uma parcela muito menor da vida no planeta do que imaginávamos.
Além disso, a descoberta reforça um alerta. A destruição de florestas, savanas e outros ecossistemas pode estar eliminando milhares de espécies antes mesmo que alguém as encontre, descreva ou compreenda seu papel na natureza. Em outras palavras, talvez estejamos perdendo uma parte importante do patrimônio biológico da Terra sem sequer saber que ela existe.
Não se protege o que não se conhece
Dobrar ou triplicar a estimativa de espécies de insetos muda nossa visão da biodiversidade. Muitas dessas espécies ainda são desconhecidas e podem desaparecer com o desmatamento, os agrotóxicos e as mudanças climáticas.
A pesquisadora Laura Melissa Guzman resumiu o problema: não podemos proteger espécies cuja existência ignoramos. Assim, estimar quantas existem ajuda a medir o tamanho do patrimônio ameaçado. Também mostra quanto ainda precisamos pesquisar antes que uma parte dessa biodiversidade desapareça para sempre.
Por que os insetos são indispensáveis?
Os insetos sustentam o funcionamento dos ecossistemas. Eles polinizam a maior parte das plantas com flores, reciclam matéria orgânica, dispersam sementes, controlam pragas e servem de alimento para aves, anfíbios, répteis, peixes e mamíferos. Sem eles, cadeias alimentares inteiras entrariam em colapso, afetando também a agricultura e a produção de alimentos.
Milhões podem desaparecer antes de receber um nome
Desmatamento, agrotóxicos, poluição e mudanças climáticas reduzem populações de insetos em várias regiões. Assim, muitas espécies podem desaparecer antes que a ciência as descubra.
A pesquisadora Laura Melissa Guzman resumiu o desafio: não podemos proteger espécies cuja existência desconhecemos. Portanto, a nova estimativa também revela a urgência de ampliar pesquisas e conservar os habitats naturais.
Uma lição de humildade
A descoberta também deixa um recado para todos nós. Vivemos cercados por tecnologia mas, ainda assim, desconhecemos boa parte da vida que existe na Terra.
Talvez essa seja a maior lição do estudo. Antes de derrubar uma floresta, ocupar uma restinga, construir à beira-mar ou consumir sem pensar nas consequências, convém lembrar o quanto ainda ignoramos sobre os ecossistemas que nos sustentam. A natureza continua muito mais complexa do que nossa capacidade de compreendê-la. Por isso, a prudência e a humildade talvez sejam as atitudes mais inteligentes diante de um planeta que ainda estamos longe de conhecer.
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