Professor passa 100 dias pesquisando debaixo d’água

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Professor passa 100 dias pesquisando debaixo d’água, e ainda quebra um recorde

O engenheiro biomédico e professor da Universidade do Sul da Flórida, Joseph Dituri, 55 anos e apelidado “Dr. Deep Sea” iniciou sua temporada subaquática em 1º de março, quando entrou no Jules Undersea Lodge. Trata-se de um hotel submarino de aço e vidro construído 10 metros abaixo da superfície, na lagoa  de Key Largo. O site do projeto explicou os motivos: O Projeto NEPTUNE combinou um estudo de longo prazo dos efeitos fisiológicos e psicológicos da compressão no corpo humano e utilizou a singularidade da missão e localização para trazer mais consciência sobre a investigação marinha atual e a importância da conservação dos recursos e processos dos oceanos. Antes de mais nada, Dituri já está acostumado. Ele quebrou seu próprio recorde, 74 dias, com direito a menção no Guinness World Records.

Ilustração do Jules Undersea Lodge
Imagem, Jules Undersea Lodge.

“Aumento da pressão ajuda seres humanos a viverem mais”

Em comunicado de imprensa, a Universidade do Sul da Flórida disse que a hipótese que levou Dituri a embarcar neste projeto foi que o aumento da pressão tem o potencial de ajudar os seres humanos a viverem mais e prevenir doenças relacionadas ao envelhecimento.

Depois de chegar à superfície, Dituri cumprimentou a multidão com um  sorriso. Ele completou uma rápida bateria de testes pelos médicos antes de tomar banho. Em seguida juntou-se com todos para compartilhar suas experiências nos últimos 100 dias.

Sala do Jules Undersea Lodge
A sala de estar.

“O corpo humano nunca esteve debaixo d’água por tanto tempo”, disse. “Essa experiência me mudou de uma maneira importante. A maior esperança é que eu possa inspirar uma nova geração de exploradores e pesquisadores para ultrapassar todas as fronteiras”.

Joseph Dituri,
O autor da façanha, o professor Joseph Dituri. Imagem, Instagram/@drdeepsea.

E é bom que outras pessoas se acostumem com o ambiente. Para algumas empresas e pesquisadores, cedo ou tarde o ser humano tende a se mudar para o fundo do mar. Jacques Cousteau trabalhou para isso. O gênio de Júlio Verne continua a inspirar a humanidade, já lá se vão 154 anos (Vinte Mil Léguas Submarinas foi publicado em 1870)! Para encerrar, está em construção um laboratório submarino em 3D.

Ele monitorou como seu corpo reagiria à pressão extrema

No entanto, não foi apenas uma diversão para o Dr. Dituri. Ele monitorou como seu corpo reagiria à pressão extrema de longo prazo e até descobriu uma “espécie de novidade” ao fazê-lo.

Durante esse período, o cientista e ex-oficial da Marinha ficou em uma pequena sala de 9m x 9m, onde teve que mergulhar para chegar.

Joseph Dituri descansando
Joseph Dituri descansando em seu casulo. Instagram/@drdeepsea.

O objetivo do Dr. Dituri era pesquisar um tipo de medicamento que pudesse ajudar a fornecer oxigênio ao corpo humano sob altas pressões, ajudando-o a desenvolver novos vasos sanguíneos. Quando ele não estava monitorando o próprio corpo, dava aulas aos seus alunos usando um laptop.

Segundo o site Uniled, durante o período debaixo d’água sua saúde melhorou de várias maneiras significativas. Testes feitos em seu corpo enquanto ele estava lá descobriram que seus telômeros, compostos nas extremidades de seus cromossomos que encurtam com a idade, são agora 20% mais longos do que costumavam ser.

Joseph Dituri fazendo testes medicinais
Os primeiros testes foram feitos tão logo ele chegou à superfície.

Mais mais células-tronco e sonos mais profundos

Além disso, ele tem mais células-tronco, está tendo sonos mais profundos e seu colesterol caiu significativamente, o que parece uma boa notícia. Isso ocorre em parte porque o casulo em que o homem  viveu no fundo do mar é como uma câmara hiperbárica com os níveis de pressão.

um quarto no Jules Undersea Lodge
O quarto, de 9m por 9m, onde dormia.

Os cientistas já testaram o tempo gasto em câmaras hiperbáricas e o que isso faz ao corpo, descobrindo que pode alongar os telômeros de uma pessoa e, teoricamente, expandir sua expectativa de vida, à medida que retarda o processo de envelhecimento.

Câmaras pressurizadas como a que a Dituri ficou são vistas como um componente-chave em testes antienvelhecimento, para avaliar se a expectativa de vida humana poderia ser aumentada ou o processo de envelhecimento adiado.

“Envie as pessoas aqui para umas férias de duas semanas, onde elas têm os pés esfregados, relaxam e podem experimentar o benefício da medicina hiperbárica”, disse Dituri.

O Conselho Internacional de Medicina Submarina foi um dos principais patrocinadores da missão do Projeto NEPTUNE 100.

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