Elevação do nível do mar pode explicar crise no litoral brasileiro
A elevação do nível do mar, somada à intensificação das tempestades, já ameaça centenas de milhões de pessoas nas zonas costeiras.
Segundo o IPCC, no Relatório de Avaliação AR6, entre 190 e 300 milhões de pessoas poderão viver, até 2050, em áreas sujeitas a inundações costeiras anuais, a depender do cenário de emissões.

O mesmo relatório alerta que, sem cortes profundos nas emissões de gases de efeito estufa, o nível médio do mar poderá subir de 0,6 a 1 metro até 2100. Isso tende a ampliar os danos causados por tempestades, ressacas e ciclones. Em cenários de altas emissões, os prejuízos econômicos nas áreas costeiras poderão crescer várias vezes ao longo do século.

As principais fontes da elevação do nível do mar
Segundo o AR6, do IPCC, três fatores explicam a elevação do nível do mar. O principal é a expansão térmica: o oceano absorve mais de 90% do calor extra do aquecimento global e, ao esquentar, a água se dilata. Entre 1971 e 2018, esse processo respondeu por cerca de metade da alta observada. O derretimento de geleiras de montanha contribuiu com pouco mais de um quinto. A perda de massa das grandes camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica completou o quadro. A Groenlândia já responde por cerca de um quinto da elevação recente, enquanto a Antártica ainda tem peso menor, mas crescente.
Mais lidos
Parque Nacional Marinho do Albardão é criado no litoral do Rio Grande do SulTurismo náutico no Lagamar ameaça o berçário do Atlântico SulBanco de Abrolhos perde até 50% dos corais em 20 anosAgora, um novo estudo publicado na Nature acrescenta outro ponto decisivo a esse debate. Segundo os autores, boa parte das pesquisas pode ter subestimado a elevação relativa do nível do mar nas zonas costeiras ao usar referências inadequadas para comparar a altura do mar com a altitude do terreno. Em outras palavras, o problema pode ser ainda mais grave do que se imaginava, o que ajuda a entender a situação já visível em trechos do litoral brasileiro, sobretudo em Santa Catarina, no Rio Grande do Norte e no Ceará.
Os Estados Unidos fora do Acordo de Paris e o enfraquecimento da ciência climática
Os Estados Unidos deixaram o Acordo de Paris e enfraqueceram órgãos-chave da ciência climática, como NOAA e NASA. Isso reduziu a capacidade global de enfrentar a crise. Hoje, China, Estados Unidos, Índia e União Europeia lideram as emissões. Incluindo mudança de uso da terra, especialmente o desmatamento, o Brasil ocupa a quinta posição entre os maiores emissores globais de gases de efeito estufa.
PUBLICIDADE
Onde haverá os maiores danos?
Os maiores danos atingem países insulares muito baixos e áreas costeiras densamente povoadas do Sudeste Asiático. Nesses lugares, o problema piora quando o solo afunda e os grandes deltas facilitam o avanço do mar.
Entre os casos mais graves estão Tuvalu, Kiribati e Ilhas Marshall, formados por atóis de baixa altitude. Tuvalu chegou a firmar acordo com a Austrália para receber migrantes climáticos. Em Fiji e nas Ilhas Salomão, vilas inteiras já se mudaram para áreas mais altas. E há exemplos emblemáticos, como Barbados, e Singapura, que mostram como a elevação do nível do mar já pressiona até países muito diferentes entre si.
Leia também
Algas escuras aceleram derretimento da calota da GroenlândiaDanos aos oceanos duplicam custo do carbonoOceano supera recorde de calor e amplia riscos globaisO novo estudo e o caso do litoral brasileiro
O estudo publicado em março de 2026 na Nature acrescentou um dado preocupante ao debate. Segundo os autores, muitos trabalhos podem ter subestimado a elevação relativa do nível do mar nas zonas costeiras ao usar referências inadequadas para comparar a altura do mar com a altitude do terreno. Em resumo: em várias regiões, o mar pode estar, na prática, mais alto do que se imaginava em relação à terra.
Isso ajuda a entender a crise que já atinge o litoral brasileiro, como avaliou o oceanógrafo Paulo Horta, da UFSC, em conversa com o Mar Sem Fim. Segundo ele, “essa subestimativa ajuda a explicar, em certa medida, os processos erosivos na costa de Santa Catarina, por exemplo”.
Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, cada novo evento extremo devora trechos da costa e escancara uma ocupação desordenada, feita perto demais do mar. No Nordeste, o quadro também preocupa, sobretudo na Paraíba, em Sergipe e no Ceará, entre outros pontos onde a erosão avança.
O Brasil segue ocupando mal sua costa
Apesar de décadas de alertas, o Brasil segue ocupando mal sua costa. Cidades, condomínios, avenidas e obras turísticas avançam sobre áreas frágeis, devastadas pela especulação imobiliária, muitas vezes com o aval do poder público. Para abrir espaço, derrubam manguezais, removem restingas e aplainam dunas, justamente os sistemas naturais que protegem as praias contra ressacas, ventos fortes e o avanço do mar. Sem essa defesa, a erosão se agrava e a destruição acelera.
O país ainda não conta com uma política nacional efetiva e consolidada para enfrentar a erosão costeira. Enquanto isso, a destruição se repete ora num ponto, ora noutro do litoral, com frequência cada vez maior, sem que as políticas públicas mudem na mesma velocidade. O governo ainda tenta estruturar sua resposta: publicou, em fevereiro de 2026, os documentos do Plano Clima Adaptação, entre eles o Plano Temático de Oceano e Zona Costeira, sinal de que a engrenagem nacional segue em construção.
Em outras palavras, assim como muitos no Legislativo, o Poder Executivo também não levou a sério, por pelo menos 20 anos, os alertas da academia sobre a destruição provocada por eventos extremos.
Os dados mais recentes do MapBiomas reforçam esse diagnóstico. Entre 1985 e 2024, a ocupação urbana em áreas de alta declividade, mais sujeitas a deslizamentos, cresceu mais de três vezes no Brasil, enquanto a urbanização total aumentou 2,5 vezes. Ou seja: mesmo diante de tragédias cada vez mais frequentes, o país continuou avançando justamente sobre os terrenos mais perigosos, ampliando a exposição da população aos desastres climáticos.
Milhares de brasileiros continuam em áreas de risco
Milhares de brasileiros continuam em áreas de risco, sem proteção adequada e, muitas vezes, sem plano de remoção. Levantamentos atualizados do Serviço Geológico do Brasil mostram que mais de 4,6 milhões de pessoas vivem hoje em áreas de risco no país, distribuídas por 17,7 mil áreas mapeadas em 1.803 municípios.
O mar já começou a cobrar a conta de décadas de omissão. Se o Brasil não mudar já sua política para a costa, pagará com desabrigados, cidades feridas e prejuízos bilionários.










Prezado Lara. Vamos nesse conceito. Se puder de uma olhada no vídeo Dr. Amazonas, a chave para o novo mundo de Carlos Iglesias. Agora, estou modernizando a Fazenda Rubaiyat, na integração lavoura e pecuária com baixa emissão de carbonos. Nossas reservas legais tem que ser preservaras.
Sou natural de Caraguatatuba, na década de 90 teve uma ressacada que derrubou 90% dos kiosks de alvenaria, lembro que até freezer foi parar no mar.. depois disso o mar avançou cerca de 15 a 20 metros adentro da praia, muitos kiosks foram obrigados a serem refletos e uma nova faixa de areia, até o dia de hoje o mar não recuou. Pode ser sim que isso aconteça novamente…
Uma especie sem predador desequilibra qualquer ambiente, quem sabe quando o meio ambiente fizer baixas severas na quantidade populacional a níveis em que exista um equilíbrio tudo volte a normal. Não viveremos para ver portanto fico na torcida.
César que Deus seja Grande como dizem os muçulmanos e que sua saúde o permita viver por muitos anos e quiçá, o experimento será um ótimo professor,
Ouço essa estória desde a década de 80. A primeira vez estava em ubatuba. Olhando triste pras minhas praias preferidas quase chorei. Depois disto repetiram.a catastrofe dezenas de vezes sempre empurrando a data mais pra frente contando com a amnésia do povão.
Hoje ñ consigo mais acreditar nesse papo. Quando e se acontecer de verdade ninguém vai acreditar
Só porque vc não vê, não significa que não acontece.
Eh verdade, e voce chegou a está conclusao com os seus muitos anos de pesquisa científica, teses e estudos…no YouTube?
Espero que ocorram com grande brevidade, pois no passado em BH tivemos um candidato a reles prefeito, que afirmou se eleito, traria o mar para a cidade e quem sabe como diz o lema da bandeira tenhamos AEQUOR QUAE TAMEM.
Eu não boto nenhuma fé na espécie humana então quero quanto pior o melhor e quem sabe a dor e soifrimento ensine a espécie, que dizem nas fantasias religiosas ter sido criados à imagem e semelhança de Deus a respeitarem mais a natureza.