Década do Oceano, saiba o que está sendo feito

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Década do Oceano, saiba o que está sendo feito

O Mar Sem Fim compartilhou com você que em 2017 a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2021 até 2030 a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, ou popularmente denominada “Década do Oceano”. Hoje iremos apresentar um pouco do que já está sendo feito. Década do Oceano, saiba o que esta sendo feito, por Bruno Gurgatz e Camila Domit, da UFPR, Universidade Federal do Paraná.

cartaz alusivo à Decada dos Oceanos, da ONU

Década do Oceano, saiba o que está sendo feito

O oceano precisa da atenção e ação de todos: as ameaças que recaem sobre este imenso ecossistema provêm  de atividades que acontecem na água, mas massivamente nos continentes, sendo estas de responsabilidade de toda a sociedade.

A exploração de recursos minerais

A exploração de recursos minerais e combustíveis fósseis que garantem o funcionamento de cidades, indústrias, movimentação de  veículos e transporte marítimo  geram  alterações no ambiente natural.

Estas alterações produzem resíduos e influenciam em contínuas  mudanças climáticas, contaminação de corpos d’água por dejetos urbanos, industriais ou agrícolas, perda de biodiversidade, fatores que culminam na degradação da capacidade de funcionamento, provisão e mesmo na saúde do oceano.

O desconhecimento sobre os oceanos

A degradação é evidente, no entanto, sabemos pouco sobre esse ambiente que recobre mais de 70% do planeta Terra. Segundo a Agência de Administração Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos (NOAA), mais de oitenta por cento do oceano nunca foi mapeado, observado ou explorado.

Estas são as principais razões para que a década decretada tenha um olhar para o desenvolvimento da ciência oceânica. E, como desafio, fortalecer a integração e comunicação entre pesquisas científicas, sociedade e governantes.

A década em ação

Os anos de 2018 a 2020 foram definidos como um período preparatório para a década. A primeira grande reunião foi realizada em maio de 2019, no Museu Nacional da Dinamarca.

Ilustração mostra a Terra e os oceanos
Ilustração, https://rederi.no/.

Além das recomendações de prioridades para investigação científica específicas dos seis  grupos de trabalho estabelecidos, o documento gerado ao final dos três dias de discussões aponta a preocupação em que a década não seja restrita apenas ao desenvolvimento da ciência oceânica. Mas que desenvolva e fortaleça integração entre academia e sociedade.

Um destaque foi feito para esforços a serem realizados em  países insulares e nos  menos desenvolvidos, que muitas vezes apresentam cenários de governança frágeis e pouco resilientes.

Pandemia impõe restrições

O período final do planejamento da década foi afetado pela pandemia da  COVID-19. A segunda reunião dos representantes dos países signatários ocorreria na França, em março de 2020. Mas foi cancelada devido ao alto número de contaminados e riscos de transmissão do vírus.

A continuidade das ações prossegue por meio digital, através de workshops regionais e outras atividades que podem ser encontradas no site oficial. O importante é não perder o tempo de engajamento e preparação para a década que inicia no próximo ano.

Desigualdade de conhecimento

O comitê científico da Década do Oceano sugere, dentre outras ações, que haja investimento em países menos desenvolvidos. Este direcionamento nos remete ao questionamento: “Mas porque isso é importante, visto que o oceano não possui fronteiras, como nossos continentes?”.

A falta de pesquisas

Um exemplo de como a falta de pesquisas em determinadas regiões pode levar a grandes equívocos em conhecimento e processos de gestão está em relação à nossa compreensão da biodiversidade mundial.

Biodiversidade nos trópicos

Um artigo publicado por dois pesquisadores brasileiros, André Menegotto e Thiago F. Rangel na revista Nature mostrou que a ideia de que temos uma menor biodiversidade oceânica na região dos trópicos (o que é o inverso do que acontece nos continentes) pode estar equivocada, e existe  simplesmente pelo fato de que nestas regiões a ciência ainda não conhece boa parte da vida que habita água.

Supõe-se que os países desta região, em geral menos desenvolvidos economicamente, não possuem investimento suficiente em ciência e tecnologia,  restringindo a investigação oceânica regional, a qual demanda de infraestrutura, recursos financeiros e recursos humanos capacitados.

A ausência de investimento restringe o conhecimento global sobre a biodiversidade na área mais ao centro do globo. Informações sobre biodiversidade marinha são essenciais para que iniciativas de conservação sejam eficientes, com resultados na manutenção da dinâmica e serviços ecossistêmicos.

Importante destacar que a biodiversidade, além de seu valor intrínseco, ainda pode prover futuras fontes medicinais e de recursos alimentares e minerais. Afinal, como proteger as espécies se nem ao menos temos ideia de sua existência, ou da área que ocorrem?

E o Brasil?

No Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação está coordenando a iniciativa nacional e desenvolvendo o Plano Nacional para a Década do Oceano.

A construção é colaborativa com diversos atores da sociedade, incluindo empresas, instituições de pesquisa, movimentos sociais e organizações não governamentais.

Tudo começou em dezembro de 2019 em uma reunião maior (Oficina Regional de Planejamento do Atlântico Sul).  Ao longo de 2020 ela foi estruturada por meio de  webinários, regionais e um chamado para envio de contribuições técnicas.

Participe

As oficinas regionais visam estruturar redes colaborativas para vencer os desafios trazidos pela Década do Oceano. No site oficial da Década no Brasil, você pode se inscrever para colaborar neste processo em sua região.

Webinário nacional

Para o final do ano, está agendado um webinário nacional que reunirá os produtos gerados pelas oficinas regionais e alinhamento das ações do Plano Nacional. Com o planejamento feito, o objetivo é entrarmos na década com muito engajamento, comunicação e desenvolvimento de ciência de qualidade para o oceano que precisamos para o futuro que queremos.

Fase preparatória

A fase preparatória também vem sendo estruturada por outras iniciativas regionais. Por exemplo, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) organizou   a “Coalizão UFPR pela Década dos Oceanos”.

cartaz alusivo à fase preparatória da década dos oceanos

Esta coalização busca integrar todos os pesquisadores e projetos que tenham conexão com o ambiente marinho, para trabalhar em rede através de diversas iniciativas.

A busca por projetos

A coalizão ainda está em fase de estruturação. Estamos em busca de pesquisadores, professores, estudantes, que tenham projetos, ações ou interesse em realizar ações voltadas à conservação, gestão, comunicação, desenvolvimento de tecnologias e práticas para o uso sustentável e garantia da saúde dos oceanos.

Você, pesquisador na UFPR ou com ações no Estado do Paraná, que tem algum projeto relacionado à saúde e sustentabilidade oceânica, ou tem interesse em integrar alguma iniciativa da área, cadastre-se neste formulário.

Estamos motivados pelo trabalho em cooperação para vencermos os desafios desta Década.

O Mar nem Sempre é Azul

Entre as ações  da Coalizão está justamente este texto apresentado para sua leitura: a coluna “O Mar nem Sempre é Azul” é uma parceria estruturada pela Coalizão, que integrou o programa de Pós Graduação em Sistemas Costeiros e Oceânicos da UFPR (PGSISCO) e o site Mar Sem Fim, objetivando dar voz às pesquisas oceânicas no Brasil e aos pesquisadores que atuam por ela.

O nome “O Mar Nem Sempre é Azul”

O nome “O Mar Nem Sempre é Azul” é uma homenagem ao professor Dr. Carlos Roberto Soares, do Centro de Estudos Mar da UFPR, falecido em 2020, que utilizava carinhosamente esta frase em seus ensinamentos ao tratar de todas as peculiaridades que este ambiente apresenta.

Mídias sociais

Por fim, não podemos deixar de fazer um último “merchã”: a página do instagram @nospelosoceanos, a qual também é uma iniciativa do grupo de pesquisa PGSISCO e que leva informação sobre o fundo do mar, de forma inclusiva e de fácil leitura, para as redes sociais. Segue a gente lá.

Autoria

Bruno Gurgatz: Gestor Ambiental, doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Sistemas Costeiros e Oceânicos da UFPR. Investiga a poluição atmosférica e oceânica, se aventurando também pela divulgação científica e educação ambiental.

Camila Domit: Bióloga pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutora pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Desde 2008 é bióloga e pesquisadora da UFPR, onde é responsável pelo Laboratório de Ecologia e Conservação. Atua em projetos de avaliação e monitoramento da biodiversidade marinha e efeitos de impactos antrópicos, além de participar de diferentes fóruns e redes referentes a ações para planejamento para a conservação e governança dos oceanos.

Imagem de abertura: https://rederi.no/

Ouca o podcast Tráfico de animais silvestres com Dener Giovanini, da RENCTAS

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