A Educação Ambiental na Base Nacional Comum Curricular
Educação ambiental precisa deixar de ser um tema lateral nas escolas brasileiras. Em 2021, a Unesco alertou que a educação tradicional não prepara os jovens para atuar em um mundo onde as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade estão entre as maiores ameaças à vida humana. No relatório Learn for Our Planet, a entidade analisou planos educacionais e currículos de quase 50 países. Mais da metade não fazia referência à mudança climática. Apenas 19% citavam biodiversidade.
A Unesco, por isso, defendeu que a educação ambiental se tornasse componente central dos currículos em todos os países até 2025. No Brasil, a educação ambiental já tem lei desde 1999. Ela deve aparecer de forma integrada, contínua e permanente em todos os níveis de ensino. A BNCC também reconhece o meio ambiente como Tema Contemporâneo Transversal. Na prática, porém, muitas escolas ainda tratam o assunto como apêndice das aulas de Ciências da Natureza, sobretudo em Biologia, Química e Física.

Diante de eventos extremos cada vez mais fortes e frequentes, a pergunta se impõe: não passou da hora de a educação ambiental deixar de ser um tema disperso e virar eixo obrigatório, estruturado e verificável na BNCC, desde as séries iniciais até a formação superior?

A UNESCO e a Educação Ambiental no currículo escolar até 2025
No estudo ‘Aprender pelo nosso planeta‘, a UNESCO analisou programas e currículos escolares de quase 50 países, de todas as regiões do mundo. Mais da metade não fazia qualquer referência à mudança climática. Apenas 19% tratavam da biodiversidade.
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Navios autônomos: a nova guerra naval já começouRêmoras, as caroneiras do mar, surpreendem a ciênciaJundu em Ilhabela: prefeito vira réu por incitar destruiçãoA diretora-geral da organização, Audrey Azoulay, chamou a atenção para a urgência do tema: “A educação deve preparar os alunos para compreenderem a atual crise ambiental (…) Para salvar o planeta, devemos transformar nossa forma de viver, produzir, consumir e interagir com a natureza. É fundamental integrar a educação para o desenvolvimento sustentável em todos os programas de aprendizagem, em todos os lugares.”
A conferência de Berlim
A Conferência Mundial da Unesco sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável ocorreu entre 17 e 19 de maio de 2021, em formato virtual, a partir de Berlim. Ao final do encontro, mais de 80 ministros e vice-ministros adotaram a Declaração de Berlim. O documento defende que a Educação para o Desenvolvimento Sustentável entre no centro dos sistemas educacionais, em todos os níveis, até 2025.

A declaração também propõe transformar a aprendizagem. Não se trata apenas de falar sobre meio ambiente em sala de aula. A Unesco defende uma educação capaz de desenvolver pensamento crítico, colaboração, resolução de problemas e resiliência diante da crise climática e da perda de biodiversidade.
A importância da Educação Ambiental no Brasil
O ensino público no Brasil enfrenta uma crise antiga. Isso aparece em avaliações internacionais como o PISA, Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, organizado pela OCDE.
Na edição de 2022, o Brasil ficou abaixo da média da OCDE em matemática, leitura e ciências. O dado mais grave está em matemática: 73% dos estudantes brasileiros não chegaram ao nível básico de proficiência.
É nesse cenário que a educação ambiental se torna urgente. O país precisa formar jovens capazes de entender a crise climática, a perda de biodiversidade, o saneamento, o uso do solo, a água, a energia e o consumo.
Como preparar as futuras gerações para o caos climático que deixaremos como herança
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Contudo, são problemas diferentes. Temos, sim, que melhorar a qualidade do ensino. Mas também temos a obrigação de preparar as futuras gerações para o caos climático que deixaremos como herança.
A tragédia de 2024 no Rio Grande do Sul reforçou essa urgência. Especialistas como Mercedes Bustamante, professora titular do Departamento de Ecologia da UnB e membro da Academia Brasileira de Ciências, defendem há tempos a inclusão da educação climática na formação escolar. Em audiência no Congresso, ela afirmou: “Precisamos trabalhar a educação para ajudar a combater a mudança climática”.
‘Estudantes de escolas públicas têm visão romanceada e utilitária dos oceanos’
Nós já tínhamos terminado este post quando encontramos mais uma prova da necessidade de incluir a educação ambiental nos currículos oficiais.
Em maio de 2024, o Jornal da USP publicou a matéria “Estudantes de escolas públicas têm visão romanceada e utilitária dos oceanos”. O texto mostrou pesquisa feita com 299 alunos de escolas públicas da região metropolitana de São Paulo, entre 11 e 16 anos.
O estudo, publicado no Journal of Biological Education, revelou um dado alarmante: mais da metade dos alunos não via relação entre o próprio cotidiano e os ambientes marinhos. Apenas 20% tiveram contato, na escola, com temas ligados aos oceanos, como conservação, poluição e saneamento.
O resultado confirma o problema. Mesmo em um país com mais de 7 mil quilômetros de litoral, muitos estudantes crescem sem entender a importância do mar para o clima, a economia, a alimentação e a vida cotidiana.
O trabalho resultou em artigo publicado no Journal of Biological Education. O resumo deixa clara a falta de informação sobre o mar. Segundo os autores, o ambiente marinho sofreu transformações e degradações muitas vezes irreversíveis. Por isso, conhecer e valorizar esse ambiente é o primeiro passo para sua conservação.
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A pesquisa usou um questionário com três perguntas abertas. A maioria dos alunos não conseguiu relacionar sua vida diária com o ambiente marinho. A justificativa mais citada foi a distância física do mar. Quando perguntados sobre o que sabiam, muitos mencionaram temas ligados à geografia. Poucos citaram a biodiversidade oceânica.
Outro ponto chamou a atenção: a prevalência de uma visão antropocêntrica. Ou seja, muitos estudantes enxergam o ambiente como um conjunto de recursos naturais disponíveis para uso humano.
É exatamente aí que entra a educação ambiental. Bem aplicada, ela ajuda as futuras gerações a compreender melhor o funcionamento da vida na Terra e sua profunda interdependência. Também prepara os jovens para enfrentar e mitigar as consequências dos excessos que deixamos como herança.
Assista ao vídeo da Unesco e saiba mais
Imagem de abertura: en.unesco.org










Como posso ter acedo a essa matriz curricular
O estado do Pará é o único estado do Brasil que já tem em sua matriz curricular o componente de Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima.
Como posso ter a eso a essa matriz curricular?
Tel 11-98542-2417 ( Suzana)