Formação do Oceano Atlântico há 117 milhões de anos

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Formação do Oceano Atlântico há 117 milhões de anos

A formação do Oceano Atlântico começou há cerca de 200 milhões de anos, quando a fragmentação de Pangeia passou a separar lentamente a América do Sul da África. Esse processo tectônico também deu origem a estruturas importantes do Atlântico Sul, como a Elevação do Rio Grande. No entanto, a abertura do oceano não ocorreu de uma só vez. Um novo estudo mostra que, há 117 milhões de anos, abriu-se uma passagem decisiva na região equatorial. Por ela, águas muito salgadas e densas começaram a circular entre as porções norte e sul do jovem oceano.

Momento da formação do oceano Atlântico
O momento da formação do oceano Atlântico. Imagem,

A descoberta ajuda a reconstruir um momento-chave da formação do Oceano Atlântico. Os pesquisadores identificaram enormes ondas de sedimentos enterradas sob o fundo do mar, a oeste da África. Elas registram a força dessas antigas correntes e indicam quando a ligação entre as duas grandes bacias começou a funcionar. Assim, o fundo do mar preservou a marca de um episódio que mudou a circulação oceânica, o transporte de calor e, provavelmente, até o clima do planeta.

A passagem que uniu o jovem Atlântico

Durante milhões de anos, América do Sul e África se afastaram enquanto o Atlântico se expandia. Entretanto, na região equatorial, porções de terra ainda dificultavam a comunicação entre as águas do norte e do sul. Essa barreira começou a desaparecer há cerca de 117 milhões de anos.

Foi então que se abriu o chamado Equatorial Atlantic Gateway, uma passagem oceânica entre os dois lados do jovem Atlântico. A abertura permitiu que águas muito salgadas e densas do sul avançassem para o norte. Como eram mais pesadas, essas massas de água desciam pelo relevo submarino com enorme energia.

A formação do oceano atlântico
A formação do oceano atlântico. Imagem, CVA Academy.

Uisdean Nicholson, da Heriot-Watt University e um dos autores do estudo, comparou esse fluxo a uma espécie de cachoeira submarina. A expressão ajuda a visualizar o fenômeno, embora não se tratasse de uma cachoeira propriamente dita. Eram correntes profundas e densas atravessando a nova passagem e remodelando os sedimentos do fundo do mar.

As marcas no fundo do mar durante a formação do Oceano Atlântico

A prova dessa antiga circulação ficou preservada no fundo do oceano. Os pesquisadores analisaram dados sísmicos e testemunhos de perfuração obtidos a oeste do Planalto da Guiné e encontraram enormes formas onduladas enterradas sob os sedimentos.

Essas estruturas, formadas por lama e areia, chegam a cerca de um quilômetro de extensão e centenas de metros de altura. Segundo os autores, correntes profundas e muito densas moldaram essas ondas quando a nova passagem equatorial começou a permitir a circulação entre o Atlântico Sul e o Atlântico Norte.

Além disso, a idade dos sedimentos ajudou a datar o processo. A equipe concluiu que essa comunicação começou por volta de 117 milhões de anos atrás, alguns milhões de anos antes do que indicavam estimativas anteriores. Assim, as ondas sedimentares funcionam como uma espécie de arquivo geológico da abertura do Atlântico Equatorial.

A nova circulação das águas mudou o Atlântico

A abertura da passagem equatorial alterou a circulação das águas. A partir dali, massas com diferentes temperaturas e salinidades começaram a circular entre o norte e o sul do jovem Atlântico.

Segundo os pesquisadores, essa reorganização influenciou o transporte de calor e o ciclo do carbono. As correntes passaram a redistribuir águas quentes e frias entre diferentes regiões e a transportar carbono para outras profundidades. Como já mostramos ao explicar a importância das correntes oceânicas, essa circulação ajuda a distribuir calor pelo planeta e exerce influência direta sobre o clima.

Além de redistribuir calor, os oceanos também armazenam enormes quantidades de carbono. Parte dele chega às águas profundas e pode permanecer ali por longos períodos, como já mostramos ao explicar o papel dos oceanos como sumidouro de carbono. Assim, ao alterar a circulação das águas, a abertura da passagem equatorial também interferiu no transporte e no armazenamento de carbono no jovem Atlântico.

O período coincide com uma importante transformação climática do Cretáceo. Entre cerca de 117 e 110 milhões de anos atrás, o planeta deixou uma fase relativamente mais fria e entrou em um período de forte aquecimento. Os pesquisadores não atribuem essa mudança apenas à abertura da passagem. No entanto, consideram que a reorganização das correntes oceânicas pode ter contribuído para o processo.

A passagem equatorial se abriu antes do que se imaginava

A descoberta altera a cronologia da formação do Oceano Atlântico. Até agora, muitos estudos situavam a abertura efetiva da passagem equatorial alguns milhões de anos mais tarde. As novas evidências indicam que a conexão entre as águas do sul e do norte já havia começado por volta de 117 milhões de anos atrás.

Isso significa que o Atlântico começou a funcionar como um sistema mais integrado antes do que se imaginava. A nova data ajuda a reconstruir com maior precisão não apenas a evolução do oceano, mas também as mudanças na circulação das águas e no clima daquele período.

O estudo mostra, mais uma vez, como o fundo do mar funciona como um arquivo da história do planeta. Sedimentos acumulados durante milhões de anos preservam marcas de antigas correntes, mudanças climáticas e transformações geológicas que desapareceram da superfície.

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