Viagem do Naufrágio: Drake – 10/3/2012

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Viagem do Naufrágio: Drake – 10/3/2012

O Estreito, ou Passagem de Drake, é um pedaço de mar muito especial. É neste ponto que o Pacífico se encontra com o Atlântico. A formidável massa d’água fica entre dois “ braços de terra”. De um lado a extremidade Sul da América do Sul. Do outro a Península Antártica.

As águas, que correm de oeste para leste, ou do Pacífico para o Atlântico, são “espremidas” pelas pontas de terra, o que torna tudo mais difícil. Esta caprichosa geografia fica nas altas latitudes onde os elementos são normalmente mais violentos.

Este é o caldo de cultura que fez a fama do Drake. Aqui, quando entra o tempo ruim, não tem pra ninguém. As ondas podem chegar a estratosféricos 20 metros.

Atravessar este espaço de mar num pequeno barco a motor requer um monte de coisas, entre elas a mais importante: a complacência e benevolência dos elementos.  Por curtos espaços de tempo, conhecidos no jargão náutico como “janelas de tempo”, eles se aquietam por alguns dias.

É a oportunidade. Você tem que aproveitar. O Drake tem em média de 500 a 600 milhas de extensão, dependendo para onde você queira ir.

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Veleiros ou trawlers (barcos a motor como o Mar Sem Fim) têm velocidades baixas, entre 8 até 10, 12 nós, o que faz com que precisem de uma janela de três dias ,ou mais, para cruzarem de um lado para outro procurando águas mais abrigadas antes que os humores do Drake virem de novo.

É por isto que mais uma vez contratamos o serviço da empresa norte-americana Commanders Weather. Ela é especialista em “descobrir” e antecipar janelas de tempo. A informação chega a bordo via computador, em forma de e-mail, já que a maioria dos barcos hoje é equipada com alta tecnologia à serviço da segurança.

Uma semana atrás a Commanders nos antecipou esta janela. De lá pra cá a cada dia que passa a empresa recebe novos dados. E refaz seu prognóstico que vai ficando cada vez mais preciso.

Eles nos disseram que neste sábado ventaria entre 11 e 16 nós, de sudoeste. As ondas viriam do mesmo quadrante, com períodos bem longos (o que é ótimo para nós), e altura entre 2 e 3 metros. Acertaram na mosca.

São 17h50. Até o momento este é o cenário externo.

O Mar Sem Fim navega subindo e descendo ondas, pendulando certas vezes (não temos estabilizadores), com algum desconforto para os passageiros, mas sem enfrentar qualquer risco.

A temperatura gira em torno dos 6ºC, o céu está nublado, e lá fora os albatrozes brincam com o vento.

A Antártica é tão espetacular que vale qualquer sacrifício. Até mesmo atravessar o Drake.

Até amanhã.

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