Vaquita, conheça o cetáceo mais ameaçado do mundo
A Vaquita, também conhecida como boto do pacífico bem como Panda do Mar em razão de manchas negras nos olhos, é um cetáceo endêmico do extremo norte do Golfo da Califórnia, ou Mar de Cortez.
Os dois cetáceos mais ameaçados no mundo
Das 129 espécies de mamíferos marinhos, a vaquita é a menor e a mais ameaçada. Em 2016, havia cerca de 60 indivíduos; em 2017, esse total caiu para 30. Depois disso, a população encolheu ainda mais.
A última contagem do Comitê Internacional para a Recuperação da Vaquita (CIRVA), mencionava apenas 12 indivíduos em 2018. Esta guerra parece estar perdida. Mas o que mais incomoda, é motivo da possível extinção: a pesca ilegal, e o tráfico de animais silvestres.
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Tráfico e pesca ilegal, duas chagas da nossa era
Segundo o site Earth Journalism, a bexiga natatória da totoaba ganhou o apelido de “cocaína do mar”. Contrabandearam o produto do México para a China, onde o quilo pode valer entre US$ 40 mil e US$ 60 mil por causa de supostas propriedades medicinais. A pressão da caça levou a espécie à condição de criticamente ameaçada.
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A situação da vaquita, apanhada nas mesmas redes lançadas para capturar a totoaba, é ainda pior. O comércio ilegal praticamente levou à extinção o menor mamífero marinho do mundo. Na última contagem, restavam apenas 12 indivíduos.
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Observação do Mar Sem Fim: o Brasil vive o mesmo absurdo — especialmente no Pará. Lá, o quilo da bexiga natatória da pescada amarela vale R$ 1.000. Esse é o preço pago ao primeiro elo da cadeia: o pescador.
Depois que o peixe é fisgado, retiram a bexiga e revendem. O produto passa por mais dois ou três atravessadores antes de chegar ao porto e ser exportado. A cada etapa, o valor sobe — no mínimo — 50%.
Em seguida elas passam pelas mãos de mais dois, ou três atravessadores, até chegarem ao porto e serem exportadas. A cada novo passo da cadeia, o preço sobe no mínimo 50%.
Três problemas de uma só vez
O relato do Earth Journalism é útil porque reforça o poder destrutivo do arrasto, que temos denunciado ao longo do tempo. É com redes de arrasto, ou de emalhe, que pescadores ilegais caçam o totoaba.
Como não são seletivas, as redes trazem em suas malhas também a vaquita. Cansamos de propor que o arrasto seja proibido no Brasil. Como as autoridades não tomam conhecimento, sugerimos o boicote por parte do consumidor. São as armas que temos.
“Um dos mais importantes e épicos fracassos da conservação”
Foi assim que se referiu Andrea Crosta, ao programa para salvar a vaquita. Ela é investigadora da vida selvagem. E contou que a causa das vaquitas mobilizou cerca de US$ 100 milhões nos últimos 10 anos.
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“Durante anos e anos, eles tentaram resolver a questão da vaquita / totoaba, concentrando-se apenas no mar e apenas nos pescadores. A chave para parar a pesca e o tráfico ilícito de totoabas é em terra e, mais precisamente, visando os comerciantes ilegais chineses que residem no México.”
E arrematou: “É uma questão criminosa que deve ser colocada nas mãos de especialistas criminais. E não de biólogos como tem sido feito há anos.”
Contrabando e lavagem de dinheiro
Essa ‘é uma briga de cachorro grande’, como diz o ditado. Quem se mete em contrabando e lavagem de dinheiro são gângsters, associados a outros bandidos mundo afora.
Andrea Crosta diz que “os cartéis que compram a bexiga da totoaba e a contrabandeiam para a China, também estão envolvidos na lavagem de dinheiro.”
O esquema ilegal
O Earth Journalism explica: “O comércio de totoaba é apenas uma pequena fatia de um bolo muito lucrativo. Em todo o mundo, o tráfico ilegal de animais silvestres vale dezenas de bilhões de dólares.
A reação internacional
A reação internacional contra o tráfico ilegal nos parece pequena em face do poderio dos cartéis. Como a própria matéria explica, ‘o tráfico movimenta algumas dezenas de bilhões de dólares’.
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Ao pesquisar apenas quanto vale o tráfico, chegamos a números diferentes. Para o site Facts And Details, “O comércio ilegal de animais – que inclui o tráfico de marfim, partes de tigre, chifre de rinoceronte, barbatana de tubarão, aves exóticas, pele de réptil, carne silvestre e produtos da vida selvagem – está avaliado em pelo menos US$ 10 bilhões e pode ser o dobro disso”.
O WWF tentou responder à mesma pergunta: afinal, quanto vale o tráfico de animais? Segundo a organização, é difícil estimar. Como referência, o TRAFFIC calculou que, no início dos anos 1990, o comércio legal de produtos da vida selvagem movimentava US$ 160 bilhões por ano em todo o mundo.
Além disso, existe um mercado ilegal lucrativo e crescente. Mas, por operar na clandestinidade, ninguém consegue estimar com precisão o valor real desse comércio.
Segunda maior causa de perda de biodiversidade
De acordo com o WWF, o tráfico é a segunda maior ameaça direta às espécies após a destruição do habitat. Para se ter ideia do tamanho da operação saiba que o comércio envolve centenas de milhões de plantas e animais silvestres de dezenas de milhares de espécies. Existem registros de mais de 100 milhões de toneladas de peixes, 1,5 milhão de aves vivas e 440.000 toneladas de plantas medicinais comercializadas em apenas um ano.
Assista ao vídeo animação e conheça mais sobre a vaquita (O vídeo é de 2017, por isso informa ‘que ainda existem 50 animais’.
Fontes: http://factsanddetails.com/world/cat52/sub333/item2511.html; https://wwf.panda.org/our_work/wildlife/problems/illegal_trade/.