Porto de Galinhas (PE), um ‘paraíso’ na mão do crime organizado

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Porto de Galinhas (PE), um ‘paraíso’ na mão do crime organizado

Segundo matéria de Carlos Madeiro, colunista do UOL, publicada em 2023, a facção criminosa Trem Bala/CLS (Comando Litoral Sul) surgiu em meados de 2019. O grupo atingiu rapidamente seu auge e passou a alterar a rotina de Porto de Galinhas.

praia de porto de galinhas.
Porto de Galinhas é a praia que mais recebe turistas em Pernambuco, segundo o UOL, e mesmo assim quem manda no local é uma facção do crime organizado, o que demonstra o abandono do litoral.  Imagem, Ministério do Turismo.

A informação é do promotor de Justiça Rodrigo Altobello, que atua no município de Ipojuca. Madeira revela que ‘a facção tem relação estreita com o Comando Vermelho, maior fornecedor de drogas para o grupo’. E que, ‘dos R$ 10 milhões que o grupo chega a faturar por ano, R$ 200 mil são só para compra de armas de fogo’. O jornalista não deixa dúvidas sobre quem manda na região: ‘a polícia já realizou várias operações e prisões contra a facção. Porém, o grupo segue vivo e atormentando a população local’.

A praia, rotulada de “paraíso” pela imprensa decadente, também ganhou notoriedade na virada do ano. Grupos espancaram turistas que questionaram preços abusivos pelo aluguel de cadeiras na faixa de areia.

O abandono do litoral brasileiro

Se a praia mais visitada de Pernambuco, em um estado que depende do turismo praieiro, está sob o controle de uma facção criminosa, o sinal é inequívoco. O Estado se ausentou e o crime ocupou o vácuo de poder.

Contudo, não se trata de exclusividade pernambucana. Denunciamos o flagelo há anos. O Estado se mostra omisso em toda a zona costeira, entregue aos interesses da especulação imobiliária.

A maior parte das elites de Pindorama se mantém apática diante da degradação do litoral. Quando reage, limita-se a reforçar a segurança de mansões e condomínios fechados enquanto o crime organizado avança sobre os litorais de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará, e Piauí, pelo menos.

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A fiscalização ambiental quase não existe. Falta até nas unidades de conservação federais. Fora delas, praticamente desaparece.

Nesse contexto, não surpreende o controle da facção Trem Bala/CLS, nem as agressões a turistas rotulados como “pães-duros”. Vale a lógica bruta: manda quem é mais forte.

Para este site, o Estado limita-se a explorar a “galinha dos ovos de ouro” até a exaustão. Retira cada tostão da renda do turismo e quase nunca reaplica para manter viva a zona costeira.

Foi exatamente o que se viu em mais uma virada de ano. A maioria das praias exibiu sinais claros de esgotamento diante da horda de turistas versus a falta crônica de infraestrutura para suportar os milhares de visitantes. Qualquer pessoa minimamente sagaz percebe que o que está acontecendo é totalmente insustentável.

Rede BBC confirma o poder das facções em Porto de Galinhas

Até as facções agem com mais ‘zelo’, digamos, que o Estado. Por exemplo, há uma ‘lei’ entre a bandidagem para evitar crimes violentos (como assaltos e roubos) contra turistas, porque estes são a “galinha dos ovos de ouro” da economia e, em consequência, do tráfico. A violência costuma se concentrar nas disputas internas entre grupos rivais ou contra moradores locais que desrespeitam suas “regras”.

Dois anos depois da matéria do UOL, a BBC News Brasil publicou, sucumbindo ao modismo, “Paraísos do Nordeste dominados por facções criminosas”. Ora, se são dominados por facções, entre inúmeros outros problemas, como chamá-los “Paraísos”?

Facções criminosas em Porto de Galinhas
Que espécies de “Paraísos” são estes?

A reportagem, publicada em julho de 2025, começa desse modo: Coqueiros, águas mornas, frutos do mar… Venda de drogas à luz do dia, “olheiros” monitorando as esquinas, assassinatos violentos e uma vida local dominada pelo poder paralelo das facções. Essa descrição hoje serve para três dos principais (e mais bonitos) destinos turísticos de praia do Nordeste brasileiro: Porto de Galinhas, em Pernambuco; Pipa, no Rio Grande do Norte; e Jericoacoara, no Ceará. 

Em outras palavras, o que teria causado venda de drogas à luz do dia, olheiros vigiando, e assassinatos violentos, se não o abandono do Estado? Uma moradora de Jericoacoara, Carla, ouvida pela BBC repete o mantra que temos cantado:

O Estado vende isso aqui como o paraíso, mas não garante o mínimo para a população. O assunto é ainda abafado na cidade, porque não se pode falar mal para não correr o risco perder turistas

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Infográfico o crime nas praias do Nordeste

Ministério de Meio Ambiente também se omite

Como já dissemos, o abandono não se limita aos municípios ou aos governos estaduais. Órgãos federais com poder para conter abusos ambientais também se omitem. O Ministério de Meio Ambiente é um exemplo.

Marina Silva entra no último ano de seu segundo mandato sem ter enfrentado com a devida seriedade os problemas ambientais do litoral. As questões são graves e exigem ação coordenada.

A erosão costeira já avança sobre cerca de 60% da zona costeira brasileira. Falta um plano nacional de replantio de manguezais/restingas, ecossistemas essenciais para a estabilização da linha da costa. Falta, também, avançar na criação de novas unidades de conservação. Entretanto, a messiânica ministra sequer menciona ‘litoral’, ou ‘zona costeira’, quando se pronuncia.

Enquanto isso acontece, o litoral desmorona na região Sul, Sudeste e Nordeste, e tudo que fazem, quando fazem, é uma inútil e caríssima engorda de praia que a decadente imprensa costuma quase sempre noticiar sem quase nunca questionar, muito menos lembrar os alertas da academia que mostram que todas as praias engordadas tiveram piora na erosão, entre outros problemas.

É uma luta perdida. Infelizmente.

Mar ignora engorda e avança na Praia Brava de Matinhos (PR)

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