Ouro no fundo do mar atinge concentração recorde
Ouro no fundo do mar atingiu a maior concentração já identificada nesse tipo de depósito. Em estudo publicado em julho de 2026, pesquisadores japoneses identificaram até 1,9% de ouro em amostras de pirita retiradas de uma depressão vulcânica submarina. O teor surpreendeu porque supera o de muitos depósitos explorados em terra.

A descoberta ocorreu na grande depressão vulcânica Higashi-Aogashima, cerca de 350 quilômetros ao sul de Tóquio. Ali, fontes hidrotermais lançam fluidos quentes e ricos em metais. Ao esfriar, esse material forma chaminés e montes de sulfetos no fundo do oceano. Parte do ouro permanece incorporada à pirita, mineral conhecido como “ouro de tolos”.
O achado surge num momento delicado. O Japão investe em tecnologias para explorar minerais submarinos e não apoia a moratória defendida por dezenas de países. Como a jazida fica dentro de sua Zona Econômica Exclusiva, a decisão sobre uma futura exploração caberá ao próprio governo japonês. A concentração recorde pode aumentar ainda mais a pressão sobre ecossistemas hidrotermais pouco conhecidos.
Mineração submarina divide o mundo
A descoberta do ouro no fundo do mar surge no auge da disputa pela mineração submarina. De um lado, muitos países já defendem uma moratória, uma proibição ou uma pausa preventiva. Eles alegam que a ciência ainda conhece pouco a vida nas grandes profundidades e não consegue prever todos os danos. Do outro, governos e empresas pressionam para iniciar a exploração dos metais usados pela indústria tecnológica.
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Nesta corrida maluca, a Noruega chegou a abrir uma extensa área do Ártico à futura mineração, em 2024. Contudo, a pressão política obrigou o governo a suspender novas licenças até pelo menos o fim de 2029. Enquanto isso, testes na Zona Clarion-Clipperton em 2025 deixaram um alerta: nas trilhas percorridas pelas máquinas, o número de animais caiu 37% e a diversidade, 32%.
Agora, o ouro encontrado pelo Japão acrescenta um novo ingrediente à disputa. Concentrações tão elevadas podem aumentar o interesse econômico por fontes hidrotermais, justamente ambientes raros, ricos em biodiversidade e ainda pouco estudados.
Onde os cientistas encontraram ouro no fundo do mar
Os pesquisadores analisaram amostras de sulfetos retiradas das fontes hidrotermais de Higashi-Aogashima, a aproximadamente 760 metros de profundidade, num campo descoberto em 2015.
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Parte do ouro forma partículas microscópicas; o restante fica incorporado à estrutura da pirita, o chamado “ouro invisível”.
Saiba por que a concentração surpreendeu
O teor de até 1,9% de ouro no fundo do mar supera com enorme folga o encontrado em muitas jazidas exploradas em terra. Em vez de aparecer em veios ou pepitas, o metal se concentrou na pirita formada pela atividade hidrotermal.
Os pesquisadores acreditam que fluidos quentes transportaram o ouro através das rochas. Quando esses fluidos encontraram a água fria do oceano, os minerais precipitaram e aprisionaram o metal nos depósitos de sulfetos.
Descoberta aumenta a pressão sobre fontes hidrotermais
A descoberta do ouro no fundo do mar saiu na Scientific Reports poucos meses depois de cientistas reforçarem o alerta sobre as fontes hidrotermais ativas. Esses ambientes raros abrigam espécies endêmicas e precisam ficar fora dos planos de mineração, segundo pesquisadores. Em julho de 2026, a União Internacional para a Conservação da Natureza informou que 62% dos moluscos exclusivos dessas fontes já enfrentam risco de extinção, principalmente diante da ameaça da exploração mineral.
Mesmo assim, o Japão continua avançando nas pesquisas de mineração submarina para reduzir sua dependência externa de minerais. O ouro encontrado em Higashi-Aogashima pode aumentar ainda mais esse interesse, embora o estudo não tenha calculado o tamanho total do depósito nem demonstrado sua viabilidade econômica.
Em tempos de perda acelerada da biodiversidade, a descoberta em águas japonesas pode dar novo impulso à mineração submarina, atividade que tanto alarma os cientistas marinhos.