Nível do mar avança sobre o litoral do Nordeste

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Nível do mar avança sobre o litoral do Nordeste, faltam políticas públicas

O que mais impressiona não é apenas que o nível do mar avança  sobre o litoral mas, a falta de interesse e apetite do poder público para lidar com a questão que não é nova. Há décadas os cientistas alertam para as consequências cada vez mais letais do aquecimento do planeta. Ainda assim, pouco se fez no Brasil. Mangues, restingas, e dunas, continuam sendo extirpados pela especulação imobiliária que mira justamente o espaço do encontro do mar com o continente. Não há nada mais sensível que o litoral, onde ficam os mais importantes berçários marinhos e, de maneira idêntica, centenas de pequenas e médias cidades. Assim, o prejuízo é econômico e ambiental.

Barracas de vendedores e ninhos de tartarugas foram levados

O mar avançou neste fim de semana e destruiu barracas na orla de Barra de Maxaranguape, no município homônimo, a cerca de 40 quilômetros de Natal, segundo o g1. O projeto Tartarugas ao Mar, responsável pelo monitoramento da área, registrou a perda de pelo menos 30 ninhos levados pela água. Outros ninhos acabaram soterrados, e o acúmulo de areia sobre eles interrompeu o desenvolvimento dos filhotes.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Maxaranguape declarou à Inter TV Cabugi que acompanha o problema e monitora os prejuízos na orla. Não divulgou, no entanto, o número de barracas afetadas.

 

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‘Todos os municípios do Ceará têm algum trecho afetado’

Ao mesmo tempo, o Diário do Nordeste informa que ‘todos os municípios do litoral cearense têm algum trecho impactado negativamente pelo avanço do mar. Embora a erosão seja um fenômeno natural, recebe influência direta das mudanças climáticas e de atividades humanas na infraestrutura costeira. O processo atinge as localidades de diferentes formas e, em algumas praias, já corroeu mais de 80 metros da linha de costa, o equivalente a um prédio de 25 andares.

nível do mar avança sobre o litoral do Nordeste
Praia do Canto Verde. Imagem,  Cientista Chefe Meio Ambiente/Planejamento Espacial Ambiental (2024).

O DN diz ainda que ‘o Ceará tem 20 municípios com praias ao longo de 570 km de litoral. Embora movimentem a economia do mar pela pesca, turismo ou produção de energia, todos eles apresentam áreas com processos erosivos devido ao avanço do mar, como atesta o inédito Plano de Ações de Contingência para Processos de Erosão Costeira do Ceará (PCEC), pioneiro do Brasil. O estudo mapeou 47,5% do litoral com processos erosivos e 16 praias com maior risco de problemas’.

mapa do Litoral do Ceará e erosão
Mapa atualizado com os núcleos erosivos em praias cearenses Foto: Cientista Chefe Meio Ambiente/Planejamento Espacial Ambiental (2024).

Segundo o estudo, o Litoral Oeste tem maior quantidade de pontos entendidos como de erosão crítica, com base no mapeamento e em visitas técnicas realizadas em 2024.

erosão na praia da Peroba, CE
A praia da Peroba quase não existe mais. Imagem, Cientista Chefe Meio Ambiente/Planejamento Espacial Ambiental (2024).

As praias do  do Cumbuco, em Caucaia, e a de Flecheiras, em Trairi — ambas na região metropolitana também sofreram alagamentos.

Nível do mar avança sobre o litoral de Sergipe

Uma das praias mais afetadas no Estado é a praia do Saco, em Estância, a 70 km de Aracaju. Pelo menos 14 casas foram perdidas para a erosão segundo o Metrópoles.

igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, praia do Saco, SE

Alguns anos atrás a igreja Nossa Senhora da Boa Viagem parecia segura na praia do Saco. Mas a erosão não deu folga. O resultado vê-se abaixo.

igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, praia do Saco, SE
Nível do mar avança e põe em risco a igreja. Ambas as imagens são do Metrópoles.

O presidente da Associação Comunitária de Moradores da Praia do Saco, Camilo de Lelis Ramos, conta ao Metrópoles que viver na região virou sinônimo de “tensão eterna”. “A situação está mudando rapidamente. Onde o mar chegou, ele não recuou mais. Só avançou.”

A erosão costeira é um fenômeno natural, mas o uso indevido do solo, a urbanização desordenada das cidades litorâneas e o avanço do aquecimento global agravam o problema. Esse processo atinge toda a costa brasileira, mas se mostra mais intenso no Nordeste, onde as praias têm inclinação suave, o que facilita a invasão do mar.

Apesar de ser um problema de alcance nacional, o governo federal continua sem apresentar políticas públicas para enfrentá-lo. Enquanto isso, alguns Estados se mobilizam para monitorar o que acontece em suas orlas. Ainda assim, por se tratar de uma questão que atravessa fronteiras estaduais, o ideal seria reunir especialistas para orientar o Ministério do Meio Ambiente sobre possíveis ações a serem adotadas.

Para saber mais, assista ao vídeo

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