Peixe olho-de-barril e sua cabeça transparente
À primeira vista, parece ficção científica. Mas é real. O peixe olho-de-barril (Macropinna microstoma), conhecido em inglês como barreleye, vive nas grandes profundezas do oceano, entre 600 e 800 metros, no Mar de Bering e Oceano Pacífico Norte. Ele se alimenta de Zooplâncton e pequenos crustáceos chamados copépodes.
O nome vem dos olhos tubulares, que lembram pequenos barris. O animal integra o grupo dos peixes pelágicos e desafia pesquisadores há décadas.

O que mais chama atenção no peixe olho-de-barril é a cabeça transparente. A estrutura permite observar os olhos e parte dos órgãos internos. Cientistas estudam essa adaptação para entender como a espécie enxerga no ambiente escuro das profundezas. O peixe com cabeça transparente existe. E continua a surpreender a ciência.

Olhos tubulares e crânio invisível: mistério resolvido
Os biólogos descreveram o peixe olho-de-barril em 1939, mas por décadas pouco souberam sobre a espécie. Seus olhos tubulares captavam com eficiência a pouca luz das profundezas. Muitos pesquisadores, porém, acreditavam que esses olhos eram fixos e que o peixe enxergava como se olhasse por um túnel.
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A zona crepuscular do oceano fica entre 200 e 1.000 metros de profundidade. Ali, a pouca luz solar ainda permite que predadores à espreita nas profundezas vejam a silhueta de suas presas. Para esconder o contorno do corpo, algumas espécies emitem luz pela parte inferior, imitando a claridade que vem da superfície. Mas os olhos dos peixes olho-de-barril filtram a luz solar e permitem que eles detectem presas mesmo quando elas recorrem a esse truque.
Durante o estudo, os cientistas Bruce Robison e Kim Reisenbichler fizeram a descoberta decisiva. Os olhos giram dentro de um escudo transparente que protege a cabeça.
Com esse mecanismo, o peixe olha para cima e detecta presas. Em seguida, gira os olhos para frente e foca o alimento. A suposta limitação visual não existia. O peixe olho-de-barril enxerga muito melhor do que se imaginava.
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Visão no escuro: as armas do peixe olho-de-barril
O peixe olho-de-barril vive nas profundidades. Assim, para sobreviver nesse breu, desenvolveu adaptações notáveis.

Seus olhos não são apenas estranhos no formato. Eles também têm uma coloração verde intensa. Os cientistas acreditam que essa cor ajuda a filtrar a luz solar vinda da superfície, eliminando reflexos indesejados.
Ao mesmo tempo, essa adaptação pode permitir que o peixe detecte o brilho bioluminescente de presas que nadam acima.
Mesmo na escuridão total, os olhos do barreleye funcionam como sensores de silhuetas. Ele enxerga o suficiente para caçar com precisão.

Crânio de vidro: o escudo do peixe das profundezas
A cabeça do olho-de-barril é uma das características mais curiosas da espécie. Ela é transparente e cheia de um fluido que forma um escudo protetor.

Relatos antigos não mencionavam esse detalhe. Provavelmente, a estrutura se rompia por causa da mudança de pressão quando o peixe era trazido à superfície.
Mas tudo mudou quando Robison e Reisenbichler conseguiram capturar um exemplar vivo. O peixe sobreviveu por várias horas em um aquário a bordo de um navio.
Nesse ambiente controlado, os pesquisadores confirmaram um comportamento incrível: o peixe girava os olhos enquanto mudava a posição do corpo — da horizontal para a vertical.
Outras características incomuns do Barreleye
O olho-de-barril tem barbatanas grandes e planas. Com elas, consegue ficar quase imóvel na água e se mover com precisão surpreendente.
Sua boca pequena indica que é seletivo e eficiente ao capturar presas pequenas. Por outro lado, seu sistema digestivo é grande — o que sugere uma dieta variada.
Provavelmente se alimenta de pequenos animais à deriva e até mesmo de águas-vivas.
Segundo a Live Science, os cientistas tiveram o privilégio de avistar novamente um peixe olho-de-barril no outono de 2026, cinco anos após o último encontro. Desta vez, os investigadores captaram imagens de ultra-alta resolução da criatura para examinar o seu corpo e comportamento, e para registar este peixe raramente avistado.
Tal como a maioria dos peixes de águas profundas, os peixes-olho-de-barril são tímidos perante as câmaras e tendem a nadar para longe quando sentem que estão a ser observados, afirmou Steven Haddock, biólogo e cientista sénior do MBARI que participou na expedição. Por isso, é notável que a equipe tenha conseguido filmar este espécime durante tanto tempo.
Assista ao vídeo e saiba mais sobre esta estranha espécie
Imagem de abertura: MBARI










Bom dia gostaria de agradecer a equipe do Mar sem fim pela reportagem, e confesso que não conhecia este peixe o mar tem sim muitos peixes ainda desconhecido, deve ter ate mostro submarino. O Blog Visão Surubim agradece e publiquei e lógico quando fizer outras reportagens me enviar pelo @gmail blogvisaosurubim.com.br ou pelo email [email protected] Gratidão. contato (81)99509-4564
Adoro as diversas matérias abordadas, sinto falta do Mar sem fim na TV.
Olá, Fernando, obrigado pela mensagem. Em breve voltaremos ao ar. Já estou gravando episódios para a terceira temporada da série que será exibida pela TV Cultura.Abs
Muito lindo!!! Tem também o peixe Vidro, indiano, espécie também interessantíssima pela transparência.
Simpático!
Realmente a equipe do Mar sem fim está de parabéns! A cada reportagem aprendemos mais sobre o nosso maravilhoso planeta!
Criatura fantástica !
Observo que as maravilhas que encontramos na natureza, como é o caso desse peixe com a cabeça transparente, é obra do Criador, Deus Todo-poderoso! Permito-me ponderar sobre o ínício da reportagem sobre a descoberta do Barreleye Fish, quando afirma “obra ousada da natureza”, ora a natureza por si só não cria nada, pois é ela mesma é obra da criação de Deus.
Incrível como a natureza nos surpreende com suas maravilhas. Quando imaginamos que sabemos (quase) tudo, surge este ser para nós mostrar o quanto somos ignorantes sobre o mundo em que vivemos. Temos que preserva-lo com todas as nossas forças. Parabéns pela reportagem.
É muito bom ter algo tão bacana para ler e que a gente (ao menos eu) ignorava. Valeu, Mar Sem Fim. Parabéns.
Não tem uma matéria que eu não goste no “Mar sem fim”. Parabéns aos pesquisadores e articulistas. Mar sem fim é uma forma de lutar pela natureza, nos importarmos com ela.