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Antônio Colucci, prefeito de Ilhabela: um delinquente a menos no litoral

Antônio Colucci, prefeito de Ilhabela: um delinquente a menos no litoral

Este ano de 2023 tem se revelado uma verdadeira lição para o litoral. Em maio, finalmente, vimos a cassação da prefeita de Ubatuba, Flávia Pascoal (PL), após uma longa lista de casos de corrupção, nepotismo e danos ambientais, como a extirpação de manguezais, para citar apenas alguns exemplos. Há tempos lutávamos por essa justiça, celebramos com o post: ‘Cassação de Flávia Pascoal e um recado aos corruptos’. Apenas cinco meses depois, parece ser mais do que coincidência que Antônio Colucci (PL), o prefeito de Ilhabela e um notório colecionador de processos – o JusBrasil indexou 232 deles! – tenha perdido seus direitos políticos para sempre. Para nós, esta é a notícia mais positiva do ano. Nada pode superar a perda dos direitos políticos do ex-prefeito e causador de inúmeras dificuldades em Ilhabela.

Antônio Colucci, prefeito de Ilhabela
A legenda ideal seria: “Só roubei este tantinho, ó”. Imagem, prefeitura de Ilhabela.

Temos o que comemorar

Entre a coleção de processos de Colucci, havia dois no STF. Ocorre que, por uma destas idiossincrasias que transformou o País em sinônimo de impunidade, o caso não andava.
No processo nº 0001698-62.2012.8.26.024, de 1º de agosto de 2022, Colucci recebeu condenação por crime de improbidade administrativa. Motivo? Fraude em licitação. Antes de mais nada, este processo estava na mão do ex-ministro Ricardo Lewandowski que não o deixava prosperar.
Bastou ele se aposentar, em abril,  para o processo seguir. Seis meses depois a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (Rosa Weber, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Luis Fux e Cristiano Zanin) votou unanimemente e manteve a condenação com multa e perda de direitos políticos.

Falta apenas publicar a decisão e transitar em julgado

Falta apenas publicar a decisão e transitar em julgado para o delinquente ir pra casa de pijamas. Quem assumirá o cargo é o vice, que, por acaso, é filho de Colucci. Isso levanta mais uma vez questões sobre a mentalidade arcaica e permissiva do verdugo.
O Mar Sem Fim foi o primeiro veículo de mídia a divulgar essa notícia na tarde desta sexta-feira. Comemoramos também no Instagram. Alguns desavisados questionaram o motivo da celebração, considerando que o filho assumirá o cargo. No entanto, essa é mais uma prova de que a justiça está sendo feita, e a impunidade não prevalecerá.
Além disso, há uma desmoralização pública evidente. Seu filho, João Pedro, terá que lidar com esse fardo. Ao mesmo tempo, a esposa do acusado, Lúcia Reale, nunca mais ocupará um cargo na prefeitura, como já o fez diversas vezes em razão do nepotismo crônico de seu marido. Não é motivo para celebração?
Parece que não perceberam o impacto da decisão da Primeira Turma: eles simplesmente puseram fim à carreira política de mais um notório corrupto. Ele nunca mais terá a chance de desviar dinheiro público, como fez durante seus três mandatos!

Mar Sem Fim processado

Este escriba teve o privilégio de ser processado tanto por Flávia quanto por Colucci. No segundo caso, saímos vitoriosos. O processo iniciado por Flávia ainda não chegou ao fim, mas estamos confiantes de que o resultado será o mesmo.”

Ilhabela é riquíssima, mas o povo, não

Ilhabela é líder na arrecadação de royalties do petróleo no Estado de São Paulo. Apenas em 2022, o município recebeu incríveis R$ 336 milhões. Mas espere, isso não é tudo. Com as ‘participações especiais’, esse valor se duplica, chegando a impressionantes R$ 700 milhões!

No entanto, apesar dessa receita substancial, os moradores, incluindo os caiçaras e a classe baixa, continuam a viver em condições precárias. As escolas deixam muito a desejar, o saneamento é deficiente, e a infraestrutura é lamentável em todos os aspectos.

Segundo o Radar Litoral, o orçamento previsto para Ilhabela em 2024 será de R$ 1,210 bilhão. Agora, imagine, prezado leitor, o que poderia ser feito com essa quantia nas mãos de um administrador responsável, ao invés de um habitual infrator.

Colucci terá que devolver R$ 2 milhões por danos morais coletivos

Além de ser afastado da política, a ação judicial também determina que Colucci devolva R$ 2 milhões por danos morais coletivos. Embora pareça uma quantia modesta em comparação com o que ele provavelmente acumulou com o superfaturamento de obras, contratos sem licitação e desvio de recursos públicos, este é o fim da linha para ele.

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Não tenho dúvidas de que Colucci se tornou um milionário após três mandatos repletos de irregularidades. No entanto, a decisão do relator do processo, Cristiano Zanin, apoiada pelo voto dos quatro ministros da Primeira Turma, encerrou a farra.

Aqueles que acompanham nosso site estão cientes da extensa lista de processos enfrentados por Colucci. E é relevante mencionar o mais recente: por ordem do Tribunal de Justiça, ele está sob investigação por incitar a população de Ilhabela a cometer crimes ambientais, como a remoção de jundu das praias do município em maio de 2023.

De maneira semelhante, Colucci demonstrou sua incapacidade e ignorância para administrar um município costeiro em um momento em que o “portão do inferno” está se abrindo, conforme afirmou António Guterres, secretário-geral da ONU, referindo-se ao descontrole do aquecimento global.

Eleições municipais no litoral em 2024: é hora da reação

A condenação definitiva de Antônio Colucci é um alerta claro para todos nós, amantes do litoral. Não podemos deixar escapar a oportunidade que está diante de nós. Em um momento em que enfrentamos a crise do aquecimento global, não podemos permitir que líderes inexperientes e ignorantes continuem a administrar os municípios costeiros.

À medida que as eleições municipais de 2024 se aproximam, é hora de agir com determinação. A convocação deste site, que foi feita em uma postagem publicada em 27 de setembro, está surpreendendo pela resposta que tem recebido.

A questão é: permitiremos que essas pessoas e seus aliados continuem a estuprar os municípios coletivamente? Ou é hora de finalmente agir? Devemos conhecer os vereadores, ouvir suas promessas, exigir compromissos e apoiar aqueles que consideramos honestos e dignos para liderar.

Fui (comemorar).

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