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Trump libera pesca em monumentos marinhos do Pacífico

Trump libera pesca em monumentos marinhos do Pacífico

Trump libera pesca em monumentos marinhos do Pacífico e abre um rombo brutal na proteção dos oceanos. De uma canetada, entregou quase 1,3 milhão de km² à pesca comercial. Entre as áreas atingidas está Papahānaumokuākea, que os Estados Unidos transformaram, em 2016, na maior reserva marinha da Terra até então.

Na época, o Mar Sem Fim registrou a decisão de Barack Obama como um marco mundial da conservação marinha. Agora, Donald Trump faz o caminho inverso. A maior reserva marinha já criada naquele momento entra no pacote de áreas abertas à pesca industrial.

Ilustração, www.nationalfisherman.com.

A decisão agride a natureza e afronta a ciência. Também rasga décadas de construção ambiental. Monumentos criados e ampliados por vários presidentes, entre eles George W. Bush e Barack Obama, agora viram moeda de troca sob pressão da pesca industrial.

Segundo a NOAA, que também sofreu apagão de Tump,  áreas marinhas protegidas cobrem 26% das águas dos Estados Unidos. Mas a própria agência mostra a fragilidade deste número. Apenas 3% correspondem a reservas no-take, onde a retirada de recursos é proibida. Com a nova medida, Trump empurra o país ainda mais para trás.

O decreto sem constrangimento de Trump

No decreto assinado em 11 de junho de 2026, Trump afirma que a volta da pesca comercial em centenas de milhares de milhas quadradas do Pacífico “promoverá oportunidade econômica” e, ao mesmo tempo, manterá a “gestão responsável” dos recursos marinhos. .

O texto sustenta, sem nenhuma base científica, que a pesca comercial “apropriadamente manejada” não colocará em risco os objetos históricos e científicos protegidos pelos monumentos marinhos. Também afirma que as proibições anteriores “não são necessárias neste momento”. Assim mesmo, sem o menor pudor ou constrangimento.

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Trump libera pesca e o site da Casa Branca chama esta era de Indigência como ‘Golden Age’.

A proclamação remove restrições em partes do Monumento Marinho das Marianas, de Papahānaumokuākea e de Rose Atoll. E ainda manda o secretário de Comércio alterar ou revogar regras que contrariem a nova ordem, inclusive normas da própria Papahānaumokuākea Marine National Sanctuary.

Em outras palavras, o mimado mandatário não se contenta em tirar o segundo maior emissor de gases de efeito estufa do Acordo de Paris. Ele também bombardeia os esforços mundiais para proteger a biodiversidade ameaçada. Pouco depois de o Tratado do Alto-Mar entrar em vigor, em 2026, Trump entrega áreas de valor incalculável à pesca comercial, uma das atividades que mais pressionam a biodiversidade marinha, e isso num país que já teve, em passado recente, cerca de 41% de sua ZEE protegida.

O que Trump entrega à pesca industrial

As áreas que Trump abriu à pesca comercial estão entre os ambientes marinhos mais ricos, sensíveis e simbólicos sob jurisdição dos Estados Unidos. Papahānaumokuākea abriga mais de 7 mil espécies marinhas. Mais de um quarto delas só ocorre no Havaí. Ao menos 31 já aparecem como ameaçadas ou em perigo.

Rose Atoll, na Samoa Americana, concentra cerca de 97% das aves marinhas daquele território. Já o Monumento Marinho da Fossa das Marianas protege quase 250 mil km² de águas federais e inclui o ecossistema submarino mais profundo do planeta.

Diagrama da pesca incidental com espinhel. Ilustração, www.seaturtlecamp.com.

É isso que Trump entrega à pesca comercial norte-americana. A Oceanographic cita dois métodos prováveis: espinhel e cerco. Ambos trazem alto risco de captura acidental. Em 2015, último ano em que a pesca comercial ocorreu na área ampliada de Papahānaumokuākea, a frota de espinhel do Havaí capturou 7.800 tubarões. Mais de 99% acabaram descartados.

Quem ganha com a canetada, portanto, é a indústria pesqueira dos Estados Unidos. A Seaside Sustainability lembra que o país importa cerca de 90% dos frutos do mar que consome. Ao mesmo tempo, está entre os maiores exportadores do mundo. Em 2024, as exportações norte-americanas de peixes e frutos do mar quase chegaram a US$ 5 bilhões. Além disso, o setor, segundo a NOAA Fisheries citada pela Seaside, sustenta cerca de 1,5 milhão de empregos. Assim, Trump reabre áreas criadas para proteger ecossistemas raros do Pacífico em nome desta máquina econômica.

Imagem, Seaside Sustainability.

Trump libera pesca  mas a conta fica com tubarões, tartarugas e aves marinhas

No espinhel, linhas imensas carregam milhares de anzóis. Com eles vêm atuns e espadartes. Mas também vêm tubarões, tartarugas, aves marinhas e outros animais. Em 2015, último ano de pesca comercial na área ampliada de Papahānaumokuākea, a frota de espinhel do Havaí capturou 7.800 tubarões. Mais de 99% acabaram descartados.

É este risco que Trump devolve ao Pacífico. Não se trata de “uso racional” dos mares, como sugere o decreto. Trata-se de reabrir refúgios de biodiversidade a uma atividade que costuma deixar um rastro invisível de morte no oceano. Oxalá, consigam reverter como fizerem com as boias de monitoramento dos oceanos que o inquilino da Casa Branca tentou afogar.

Além de ignorante, Trump cansa. Compra briga com o clima, com a ciência, com aliados, com organismos multilaterais e, agora, também com a proteção dos oceanos. Diz agir em nome dos norte-americanos, mas governa para lobbies poderosos enquanto afunda nas pesquisas: Reuters/Ipsos apontou apenas 35% de aprovação em maio e 36% em junho de 2026. Ao mesmo tempo, o New York Times estimou que Trump usou a Presidência para gerar ao menos US$ 1,4 bilhão em ganhos, parte deles em negócios de criptomoedas da família. Em resumo, a Presidência dos Estados Unidos virou balcão de negócios, enquanto o patrimônio natural do planeta paga a conta.

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