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Baleias estão chegando e algumas morrendo

Baleias estão chegando e algumas morrendo

A chegada do inverno coincide com o início da migração anual das baleias. Elas saem da Antártica neste período do ano e sobem a costa brasileira à procura de águas mais quentes para acasalar, namorar, e ter seus filhotes. No caso do Brasil são duas espécies: as jubartes e as baleias francas. As primeiras sobem até o sul da Bahia, as segundas normalmente até o litoral de Santa Catarina, nestes dois pontos elas costumam passar o inverno. O ecoturismo marinho é uma das  soluções para gerar empregos e renda de forma sustentável nos litorais do planeta. É uma das atividades que mais crescem no mundo. Mas neste ano, baleias estão chegando e algumas morrendo.

Imagem de baleia morta por rede de pesca
Uma jubarte morta por rede de pesca. Imagem, Emanuel ferreira, R3 Animal.

Baleias estão chegando, e algumas morrendo

Desde o início do ano houve registro de nove baleias presas em redes de pesca. Infelizmente, tanto a pesca industrial como a artesanal usam e abusam de redes, o artefato mais danoso entre todos os usados na pesca.

As redes não são seletivas, pescam, ou prendem em suas garras, qualquer animal marinho que ouse passar por seu caminho.

No Brasil dois tipos são os mais usados, as redes de arrasto e as redes de emalhe. Ambas são mortíferas provocando o que se convencionou chamar de pesca incidental.

E muitas delas são perdidas diariamente por pescadores. Além de poluírem os oceanos com mais plástico – estima-se que no mínimo 10% do plástico dos oceanos seja oriundo de  apetrechos de pesca continuam matando por anos a fio.

Baleias na costa brasileira

Desde que a maioria dos países proibiu a caça às baleias nos anos 1980 — e o Brasil fez o mesmo em 1986, durante o governo José Sarney —, as populações de jubartes e baleias-francas cresceram muito.

Para se ter uma ideia, o censo do Projeto Baleia Jubarte, que sobrevoa o Atlântico para fazer a contagem, diz que elas saltaram de 400 para 17 mil em 60 anos. O número de francas também aumentou.

Locais onde quase não havia avistagem dos cetáceos entraram para o rol dos mais procurados por turistas para vê-las. Ilhabela, no litoral de São Paulo,  é um deles.

Só que no caminho dos cetáceos há pelo menos dois problemas mortais: a poluição por plástico, e as redes usadas na pesca.

Redes de pesca e morte de baleias

Em  junho o site waves.com informava que ‘três baleias-jubartes ficaram presas em redes de pesca de tainha de um empresário local (ao largo de Santa Catarina)’.

Mais uma baleia enredada em rede de pesca na costa brasileira. Imagem, Emanuel Ferreira/R3 Animal.

Segundo o site, ‘moradores foram ao local e verificaram que as redes pertencem ao proprietário de um restaurante da região. São oito redes, de 200 metros cada, cobrindo todo o trajeto destes mamíferos num total de quatro quilômetros’.

Já o site Conexão Planeta, em matéria de Suzana Camargo, informou que ‘em poucos dias quatro baleias-jubartes apareceram presas em redes de pesca em Santa Catarina’.

Das quatro, informa Suzana, duas morreram, outras duas tiveram mais sorte e foram salvas. Mas não são apenas as baleias os cetáceos mortos por redes.

Um dos mais ameaçados tipos de golfinho no Brasil, as toninhas, estão ameaçados por serem um grupo reduzido e especialmente vulneráveis às redes de emalhe.

Se a pesca não fosse a total esculhambação que é no Brasil, ao menos durante esse período os órgãos responsáveis deveriam alertar os pescadores e reforçar a fiscalização, sobretudo para reduzir o uso de redes nas áreas frequentadas pelas baleias. Também os botos de laguna, famosos por interagirem com pescadores locais, estão desaparecendo por falta de cuidado destes mesmos pescadores.

Até 27 de julho houve 87 encalhes

Conversamos com Milton Marcondes, médico veterinário, coordenador de Pesquisa do Projeto Baleia Jubarte. Milton nos passou alguns dados  entre eles que só neste mês de julho estão ocorrendo 1,4 encalhes por dia!

Milton Marcondes confirma o encalhe e morte de 87 jubartes, com a seguinte distribuição por Estado, Rio Grande do Sul, 8; Santa Catarina, 30; Paraná, 5; São Paulo, 21; Rio de Janeiro, 11; Espírito Santo, 5; Bahia, 6; e finalmente Sergipe, 1.

As Jubartes chegaram este ano em abril. Portanto em cerca de três meses 87 morreram. Parte delas foi pega por redes de pesca, outra parcela encalhou em praias (possivelmente com seus estômagos cheios de plástico), ou eram juvenis que se perderam das mães.

Estes acidentes, comuns durante a migração dos cetáceos, reforçam a importância do ordenamento rigoroso do turismo de observação, como já ocorre no País, para evitar pressões adicionais sobre os animais.

Possível distúrbio na Antártica

A Folha de S.Paulo ouviu Milton Marcondes, que apontou outro possível fator para os encalhes e mortes. Segundo ele, as baleias que percorrem o litoral brasileiro no inverno se alimentam nas águas antárticas próximas à Geórgia do Sul e migram para cá para se reproduzir e dar à luz.

Acontece que pesquisadores observaram baleias magras se alimentando nos litorais de São Paulo e Santa Catarina, justamente os dois estados que lideram os registros de encalhes.

As jubartes se alimentam principalmente de krill  e pequenos peixes, que capturam ao filtrar grandes volumes de água do mar. Para Marcondes, encontrar baleias magras buscando alimento no litoral brasileiro pode indicar “uma diminuição da oferta recente de krill na Antártica em razão do aquecimento global”.

Para saber mais, assista ao vídeo

Imagem de abertura: Emanuel ferreira -R3 Animal

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