Áreas marinhas protegidas: 41% do mar territorial nos USA
Atualização: publicamos este post sobre áreas marinhas protegidas nos USA em outro momento da política ambiental norte-americana. Desde então, a NOAA mudou os números e a proteção marinha dos Estados Unidos entrou em nova disputa. Hoje, a página principal do National Marine Protected Areas Center informa que áreas marinhas protegidas cobrem 26% das águas dos EUA. No entanto, apenas 3% funcionam como reservas no-take, onde a lei proíbe a retirada de recursos. Ao mesmo tempo, Donald Trump voltou a abrir monumentos marinhos à pesca comercial, atacando justamente algumas das áreas criadas para proteger ecossistemas raros.
Quase mil áreas protegidas, mas a proteção virou alvo
A NOAA informa hoje que áreas marinhas protegidas cobrem 26% das águas dos Estados Unidos. O inventário oficial reúne quase mil áreas, espalhadas por diferentes ecossistemas: mar aberto, zona costeira, zona entre marés, estuários e Grandes Lagos. Quase todas permitem múltiplos usos. Apenas 3% das águas norte-americanas entram na categoria no-take, onde a lei proíbe a retirada de recursos.
Mas o problema agora vai além dos números. Trump não mira apenas as áreas protegidas. Ele também ataca a ciência que permite entender, fiscalizar e defender o oceano. Seu governo promoveu demissões na NOAA, propôs cortes na pesquisa climática e enfraqueceu a estrutura que monitora mares, atmosfera, furacões, pesca e biodiversidade.
O caso dos sensores marinhos mostra a gravidade do desmonte. A Ocean Observatories Initiative, rede de US$ 386 milhões lançada em 2015 para operar por 25 a 30 anos, começou a perder boias e sensores em 2026. A rede coleta dados em tempo real sobre circulação oceânica, clima, ecossistemas e eventos como El Niño. Em vez de ampliar este tipo de monitoramento, Trump tenta apagar os instrumentos que ajudam a enxergar o que acontece no mar.
Mais lidos
Conheça o navio que salvou 23 mil vidas no MediterrâneoAlgas calcárias: Brasil minera ecossistema vivo no fundo do marBarcos chineses no Atlântico Sul: quem vigia a ZEE brasileira?Sistema nacional de áreas marinhas protegidas é gerido pelo governo federal
Nos Estados Unidos, o governo federal administra o sistema nacional de áreas marinhas protegidas. Embora o sistema varie de uma região para outra, quase todas as áreas permitem múltiplos usos, inclusive a pesca.
Algumas categorias, como as reservas marinhas, adotam regras mais restritivas. Elas limitam a captura de peixes, a coleta de conchas e outras atividades que retirem recursos do ambiente.
PUBLICIDADE
Reservas representam apenas 1% das águas territoriais
Justamente as reservas representam apenas 1% das águas territoriais norte-americanas. Você pode conhecer melhor essas áreas no Marine Protected Areas Inventory, instrumento criado para ajudar gestores no planejamento de áreas protegidas.
O inventário também atende o público comum, pois reúne informações sobre localização, restrições e tipos de uso permitidos. Seu principal objetivo é manter dados básicos para apoiar o órgão gestor, o National System of MPAs, ligado ao NOAA National MPA Center.
Leia também
Montes submarinos podem virar áreas marinhas protegidasCláudio Castro destrói APAs do Rio na saída do governoProteção marinha no Chile: país protege mais de 50% do marCriado no ano 2000
Este centro foi criado no ano 2000 através de lei do Executivo. Objetivo: proteger os recursos naturais e culturais para o benefício da geração atual e das futuras.
O “California Ocean Uses Atlas Project” é um dos muitos estudos abrangentes feitos pela comunidade científica americana. O foco é contribuir com informações e dados para o Sistema Nacional de Áreas Marinhas Protegidas.
Resguardando naufrágios
Na área dos recursos marinhos culturais o melhor exemplo é o “Thunder Bay National Marine Sanctuary“, criado em no ano 2000 para resguardar os muitos naufrágios ali localizados.
Assista ao vídeo
Fonte: National Ocean Service, USA.