Biografia

João Lara Mesquita é músico de formação, jornalista e fotógrafo.

Entre 1982 e 2003, foi diretor da Rádio e Estúdio Eldorado, pertencentes ao Grupo Estado. Modernizou as emissoras. A AM tornou-se uma “all news” ágil, antenada, e engajada. Até um Nobel da Paz, o timorense José Ramos Horta, foi um de seus muitos e notáveis colaboradores. A FM, desde o lançamento da nova programação, em 1982, liderou as pesquisas nas classes “A/B +”. Qualidade, variedade e modernidade, na parte musical, além de respeito ao ouvinte, eram o forte da programação.

A FM gerou eventos como as regatas Eldorado- Alcatrazes por Boreste, e a Eldorado- Brasilis (hoje extinta), com percurso entre Vitória (ES) – Ilha de Trindade – Vitória (ES), a mais longa regata de percurso da época. A Eldorado também foi responsável pela retomada das corridas de lancha, Off-Shore, ao lançar o Primeiro GP OFF Shore, Santos – Ilhabela, nos anos 80. Os formadores de opinião dominavam a audiência das duas rádios.

A Eldorado sempre teve um time pequeno, se não, o menor. Mas criativo, com muita garra e espírito de equipe. Deste mix saíram a campanha pela despoluição do Tietê, e participação importante nas campanhas de aprovação das leis dos Resíduos Sólidos, e a lei de proteção da Mata Atlântica. O meio ambiente teve respeito e espaço na programação quando ainda não era moda.

Mais eventos vieram. O Prêmio Eldorado de Música foi um deles. O primeiro vencedor, em 1985, foi o hoje aclamado maestro Roberto Minczuk. Naquele tempo um jovem e talentoso trompista. O Prêmio Visa de MPB é outro que deu certo. Cumpriu o objetivo. Revelou gente nova como Yamandú Costa, André Mehmari, Mônica Salmaso, etc. Ambos nasceram nos anos 80 e tiveram vida longa: mais de dez anos. Foram exemplos muito antes das grandes empresas apoiarem a cultura.

As emissoras optaram pelos esportes diferenciados como a vela, ou os que experimentavam uma tímida expansão causando assombro. São as modalidades hoje consagradas como “esporte- aventura”, ou “esportes de ação”. Relatos sobre o primeiro brasileiro a escalar o Everest, ao vivo da montanha, ou voltas ao mundo de veleiro pelas altas latitudes, contadas pelos protagonistas direto de bordo, faziam parte cotidiana da programação. A Eldorado ganhou charme e simpatia. E ouvintes satisfeitos.

Inovou a prestação de serviços ao usar helicópteros na cobertura do trânsito e meteorologistas para explicarem os humores do tempo (Os meteorologistas treinados pela Eldorado fundaram a empresa Clima Tempo, hoje uma referência no meio). A novidade atraiu a atenção. E criou jurisprudência no rádio paulista. Do meio rádio para a televisão foi um pulo e, de lá, para a imprensa escrita. Hoje todas as grandes redações utilizam estes veículos ou profissionais. Mas nos longínquos anos 80 foi uma sacada ousada…Eficiência comprovada da “radinho” do Grupo Estado.

A campanha pelo fim da obrigatoriedade da Voz do Brasil, da mesma safra, é um lançamento Eldorado que tornou-se nacional. Agregou cerca de 900 rádios no país (universo de três mil na época). E pegou. Como conseqüência, hoje, em muitas capitais e grandes cidades o povo está livre do engodo, imposição da ditadura de Vargas que chateia há gerações: desde os anos 40 do século passado!

A Eldorado contemplou alguns de nossos políticos com protesto e humor por seus malfeitos. O “Prêmio Cara de Pau- o Óscar da baixaria” nasceu para eles. O vencedor, em votação direta dos ouvintes, foi Paulo Salim Maluf.

Nos anos 90 A Eldorado passou a ser chamada “Rádio Cidadã”. E não foi marketing. A epigrafe surgiu dos ouvintes. Naturalmente.

Primeiro jornalista brasileiro a acompanhar e cobrir o raly Paris-Dakar, em 1990, João relatou a competição para a Eldorado FM, e cobriu a prova para os jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde. Sete anos depois foi o quarto a participar, na edição de 1997, Dakar- Agades- Dakar quando, a convite de Klever Kolberg, não só reportou o evento para os mesmos veículos, como foi o navegador na primeira vez em que ele competiu de carro. A dupla Klever e João, num Mitsubishi Pajero, chegou em Dakar em décimo lugar na categoria, e 37º na classificação geral.

O selo- distribuidora Eldorado é obra do mesmo “núcleo duro” e, ao contrario da imagem, tem currículo nos lançamentos: de Daniela Mercury, Joelho de Porco e Ratos do Porão, a Menininha Lobo e Helena Meirelles. Seu catalogo inclui uma penca de jóias da MPB com gravações de Nelson Sargento, Cartola, Adoniram Barbosa, Nelson Cavaquinho, Monarco, Guilherme de Brito, Helton Medeiros e outros do mesmo calibre. Até o Sepultura e Frank Zappa foram distribuídos pela Eldorado. Assim como o primeiro LP de Zélia Duncan, então conhecida como Zélia Cristina.

João Lara Mesquita é membro fundador (e foi conselheiro) do Núcleo União Pró- Tietê, ligado à Fundação SOS Mata Atlântica, ONG que desde 1990 comanda a campanha pela despoluição do rio Tietê. Foi conselheiro do Greenpeace de 2001 a 2004.

Capitão amador desde os anos 1990, acumula mais de 50 mil milhas navegadas.

É pai do Luis, de 16 anos, e José, que tem 13.

Desde que deixou a função executiva, no Grupo Estado, em 2003, tem se dedicado a estudar e divulgar as questões relativas ao mar e à zona costeira. A viagem pela costa brasileira foi uma expedição minuciosa e única. Mais de seis mil milhas em dois anos. Praticamente cada palmo do litoral foi visitado e analisado. Cerca de 40 especialistas da academia deram depoimentos emprestando substância aos programas: geólogos, biólogos marinhos, especialistas em políticas públicas, poluição, ecossistemas, fenômenos físicos, etc. A série foi um dos programas de maior audiência da Cultura atingindo 3 pontos de media, com picos de até 4.6, o que é extraordinário para uma TV Pública.

O sucesso chegou às Universidades: “os documentários permitem que possamos estudar a costa pelo ponto de vista de um observador muito atento, que foi além dos especialistas, com olhar critico. Isso é muito raro”, declarou Antonio Carlos Diegues, ex-representante do Brasil na FAO (órgão da ONU que trata da agricultura e alimentação), e atual professor de pós- graduação em Ciência Ambiental (PROCAM), da USP, ao informar que passaria os DVDs para seus alunos assistirem em classe (jornal O Estado de S. Paulo, 01/agosto/2009). A mesma atitude teve o professor Jeovah Meireles, titular da cadeira de Geografia, da Universidade Federal do Ceará.

É autor dos livros O Brasil visto do Mar Sem Fim (indicado ao Prêmio Jabuti, em 2008, na categoria Reportagem), diário de suas navegações pela costa brasileira, que também renderam uma série de documentários (90 episódios e dois anos no ar) para a TV Cultura de São Paulo (e TVE do Rio de Janeiro), entre abril de 2005 e abril de 2007; Eldorado – a rádio cidadã, e Embarcacões Típicas da Costa Brasileira.

Todo o material recolhido nestas viagens e estudos, incluindo inéditas 45 horas de documentários da costa brasileira, mais 5 horas sobre a viagem à Antártica, além de milhares de fotos, mapas, entrevistas com nativos, autoridades municipais e estaduais, professores e ambientalistas, estão neste site.

“Os mares chamam pouco a atenção do público e, por conseqüência, da imprensa. Fica evidente a falta de informação”, diz, para emendar: “a maioria das pessoas associa mar apenas a espaço de lazer”. “Isto explica o descaso”.

“Como é possível um tratamento secundário e superficial ao ecossistema mais importante do planeta ?”

E é ele mesmo quem responde: “o que posso fazer, e será esta minha contribuição, é estudar mais. Organizar novas viagens. Checar in loco. Correr atrás das respostas. Buscar conhecimento e distribuí-lo de modo organizado por diferentes mídias. Informação é solução”.